Breve histórico sobre o Santuário de Nossa Senhora das Mercês de Mar de Espanha

Professora Norma Maria Vieira dos Reis

A história do Santuário de Nossa Senhora das Mercês da cidade de Mar de Espanha está estritamente ligada ao aparecimento dos primeiros marcos de arraiais que são os cruzeiros que antepuseram às capelinhas, onde em torno deles surgiram as primeiras casas.
O Orago, o Santo de invocação, era aquele que festejavam, por coincidência ou não, no dia em que levantavam o cruzeiro, surgindo, com a junção de um topônimo designativo de rio, ribeirão, serra, o nome por muitas vezes pitoresco como se deu com o Arraial de Nossa Senhora das Mercês do Cágado, hoje atual cidade de Mar de Espanha.
O marco do povoamento do futuro arraial nasceu em uma rancharia, muito tosca, na Rua Nova, hoje Rua Major Antonio Barbosa, onde por perto se levantou um cruzeiro em que os viajantes poderiam fazer suas orações, pois na época não existia nenhuma igreja. Até hoje se mantém no mesmo local um novo cruzeiro, lembrando assim, não só o início da cidade de Mar de Espanha, mas também a religiosidade do povo que aqui se estabeleceu. A rancharia tinha como finalidade atender às necessidades dos tropeiros que iam para São João Nepomuceno, Freguesia de São Manuel e dos Rios Peixe e Pomba (Rio Pomba), ou aos viajantes vindos da Corte.
Podemos verificar, em linhas gerais, considerando a literatura e os documentos consultados que as capelinhas determinaram os núcleos de povoamento e eram dedicadas, via- de- regra, aos santos de origem portuguesa, espanhola, francesa ou italiana.
Nossa padroeira, por exemplo, Nossa Senhora das Mercês, recebeu este título na Espanha em 1218 e está relacionada com a fundação de uma Ordem Religiosa também chamada de Santa Maria das Mercês.
De acordo com antigos relatos, uma primitiva capelinha dedicada a Nossa Senhora das Mercês, já existia desde 1820 e que teria sido erguida com paredes de barro batido, utilizando taipas, coberta de indaiá, sendo caiada de branco e dela não se tem outras notícias, senão também a de que em 17/10/1820 foi efetuado o primeiro enterramento, Carolina, filha de João Antonio de Macedo, na capela que denominava, capela de Nossa Senhora das Novas Mercês.
No período de 1820 a 1847, os sepultamentos eram feitos dentro da Igreja.
Na região é atribuída a Custódio Ferreira Leite, o Barão de Ayuruoca, a construção da segunda igreja erguida no local onde hoje se encontra o Santuário. A atual matriz (Santuário) foi construída entre os anos de 1834 e 1840, com acabamento incompleto, era pequena, tinha apenas uma torre com a sacristia à esquerda, quase em frente à casa de Domingos Eugênio Pereira. Era a capela filial de São José do Além Paraíba, cujo capelão e depois cura foi Padre Felipe da Mota, natural de Guarapiranga, ordenado a 18 de setembro de 1790 e falecido em 13 de março de 1834, seu corpo foi encomendado e acompanhado pelo Padre. Manoel de Souza Lima que era sesmeiro na região.
Em 12/01/1860 por indicação de Costa Fonseca foi nomeada uma comissão para examinar o estado da velha Matriz, ameaçada de ruir. A comissão foi formada por Sr. Major Agostinho José Frederico de Castro que já desempenhava a função de subdelegado do arraial do Cágado e também era membro da Irmandade de Nossa Senhora das Mercês, Sr. Manoel Caetano Ribeiro e Padre Cândido Clementino Rodrigues.
Esta Igreja acompanhou celebrações religiosas até chegar ao ponto de deteriorização tão avançado, que em janeiro de 1872, a Câmara Municipal oficiou as autoridades eclesiásticas pedindo a proibição de ofícios religiosos, tendo em vista a ameaça que ela representava para os fiéis.

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