quarta-feira, maio 22, 2024

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Novo ensino médio começa a ser implementado nas escolas de Juiz de Fora

A implantação do chamado novo ensino médio teve início este ano, mas ainda gera dúvidas nos alunos, pais e responsáveis. A mudança se dará de forma gradual, tendo começado em 2022 pelo primeiro ano do ensino médio. Em Juiz de Fora, 35 escolas estaduais, com cerca de quatro mil alunos nesta etapa de ensino, estão implementando a mudança. Escolas particulares da cidade que também oferecem o ensino médio também já modificaram suas grades e iniciaram o ano letivo com o novo ensino médio.

Entre as principais mudanças está a expansão da carga horária anual para mil horas, sendo que, anteriormente, os alunos cumpriam 800 horas anuais. Além disso, há um currículo básico definido pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), para garantir o direito de aprendizagem comum a todos os alunos, mas, em um segundo momento, os estudantes poderão escolher diferentes áreas de conhecimento de acordo com seus perfis, levando em consideração as possibilidades de formação que querem seguir. O objetivo, conforme o Ministério da Educação, é proporcionar a valorização da aprendizagem e encaminhar o aluno para o mercado de trabalho.

A BNCC é um conjunto de orientações para as redes públicas e privadas de ensino. A grade curricular com base no BNCC abrange 60% do total de horas letivas. Os outros 40% são compostos pela formação proposta dentro dos chamados itinerários formativos. Trata-se de uma formação “à parte” do que era considerado tradicional até então, em que o estudante escolherá a partir de suas preferências e intenções de carreira.

Os referenciais para os itinerários criativos são: investigação científica, cujo objetivo é ampliar a capacidade dos estudantes de investigar a realidade; processos criativos, para estimular o estudante a criar e inovar; mediação e intervenção sociocultural, que visa levar o aluno a ser um agente de mudança; e empreendedorismo, que estimula a adaptação em novos contextos, levando à criação de novas oportunidades. Desta forma, foram adotados cinco itinerários: Matemáticas e suas Tecnologias, Linguagens e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas ou Formação Técnica Profissional.

Fica a cargo da escola definir em qual formato esses itinerários serão ofertados. Mas, em suma, as disciplinas obrigatórias (Português, Matemática, Biologia, Química, Física, História, Geografia, Educação Física, Inglês, Literatura, Sociologia, Filosofia e Artes) serão mantidas. A diferença é a maneira em que os estudantes passarão por elas, de acordo com a área de formação que escolherem.

Feita essa escolha, o aluno poderá se especializar em uma das áreas do conhecimento para, no futuro, se dedicar a profissões relacionadas. Outro caminho é uma formação técnica, possibilidade também impulsionada com a reforma do ensino médio no caso das escolas que possuírem esse modelo.

Alunos poderão escolher itinerários formativos diferentes de modo a priorizar aprendizagem de disciplinas relacionadas às profissões que eles desejam seguir (Foto: Fernando Priamo/Arquivo TM)

Disciplinas eletivas pensadas para as necessidades dos alunos

O novo ensino médio vai começar de forma gradual. Neste ano, as escolas iniciaram fazendo mudanças no primeiro ano do ensino médio. Em 2023, a reforma deve ser implantada no segundo ano, e em 2024, no terceiro. Desta forma, os alunos que ingressaram no ensino médio agora já serão formadas no novo modelo.

A Escola Estadual Duque de Caxias, localizada no Alto dos Passos, Zona Sul de Juiz de Fora, é uma das instituições que já deu início à mudança. “O novo ensino médio teve início no Duque (de Caxias) e outras escolas estaduais de Minas Gerais em fevereiro de 2022 com as turmas de primeiros anos do ensino médio. A previsão é que, até 2024, todos os estudantes do ensino médio e professores estejam dentro desse novo regime”, explica a supervisora Tânia Dias.

Para Tânia, a mudança pode ser difícil para os estudantes, como temem os pais e alunos, principalmente no momento de escolher uma formação mais específica, de acordo com as áreas do conhecimento. Por isso, a escola desenvolveu um mecanismo para ajudar os estudantes nessa escolha. “Nós aproveitamos a própria avaliação diagnóstica interna para mostrar aos estudantes em qual parte eles tinham uma necessidade maior de ampliar suas aprendizagens. Então, pensando em consolidar essa formação mais integral, promovendo valores e habilidades, nós trouxemos algumas sugestões de disciplinas eletivas, em que os estudantes optaram pelas quais fariam mais sentido naquele momento. No caso, a eletiva 1 ficou sendo ‘Redação para o Enem’, e a outra, ‘Matemática para o Enem’”.

Segundo a supervisora, essas disciplinas fazem muito sentido para o perfil dos estudantes do Colégio Duque de Caxias, que prestam o Enem ou o Programa de Ingresso Seletivo Misto (Pism) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). “Prepará-los bem para esse momento é fundamental”, diz a supervisora.

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Ensino técnico

Já nos institutos federais, como o IF Sudeste de Juiz de Fora, o foco está na formação profissional, voltada ao ensino técnico, conforme explica o diretor de ensino da Pró-Reitoria de Ensino do IF Sudeste MG, Silvio Fernandes. “Nós, dos institutos federais, estamos cumprindo esse novo modelo a partir do quinto eixo formativo, o profissional, por meio dos cursos técnicos que os estudantes fazem integrado ao ensino médio.”

‘Chance de se conhecer’

No caso do Colégio Cave, a forma pensada para aplicar os itinerários formativos do novo ensino médio foi a criação de vários eixos, por meio dos quais os alunos puderam escolher de acordo com suas preferências. A coordenadora Ana Beraldo explica que foram formados grupos entre oito a dez alunos, que estão sendo acompanhados por um professor.

Ela reconhece que esta pode ser uma decisão difícil para os estudantes, mas enxerga alguns pontos positivos. “Ao passar de ano, os alunos podem continuar dentro das suas próprias áreas ou adotar uma nova, mas é claro que é difícil para um menino de 14 ou 15 anos definir o seu caminho. De qualquer forma, dentro do itinerário, é uma chance dele se conhecer e até o terceiro ano ele pode buscar itinerários de outras áreas, até que ele se defina”.

O gerente de Comunicação, Marketing e Relações Institucionais do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sinepe) corrobora. De acordo com ele, o sindicato realizou capacitações e conversas com as escolas e seus profissionais com o objetivo de tornar a mudança para o novo ensino médio tranquila para os alunos e professores. “O resultado, em curtíssimo prazo, foi uma ressonância muito favorável e propositiva através do interesse e do acolhimento pontuais que nos trouxeram uma autoridade e um comprometimento ainda maior nesta causa.

Especialmente por entendermos que este é, tão somente, o início de um exercício de aculturamento de todo este entorno para assegurar, aos estudantes, um desenvolvimento gradativo, seguro e confiante em direção às suas consolidações como pessoas e profissionais que promovam transformações, em si e nos seus próximos, que mudem os seus mundos e um mundo inteiro de enormes desafios diante deles e de nós.”

Adaptações no Pism e no Enem

Diante das mudanças que no ensino médio, o Pism da UFJF também sofrerá adaptações em seu conteúdo programático, mas a estrutura da prova vai se manter, conforme explica o Pró-Reitor de Graduação, Cassiano Amorim. “A proposta de mudança no Pism da universidade já está quase finalizada, mas a gente está prevendo algumas etapas para publicação final dessa proposta. Estamos finalizando o primeiro texto, que será disponibilizado para a comunidade de um modo geral por meio de uma consulta pública para que pais, estudantes e professores possam entrar nesse sistema e dar sua opinião”.

Procurado pela Tribuna, o Ministério da Educação (MEC) afirmou que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) terá um novo formato a partir de 2024, quando todas as turmas do ensino médio tiverem vivenciado esse formato. A prova será estruturada a partir de dois instrumentos: o primeiro diz respeito à formação geral básica dos participantes, e o segundo será de acordo com o itinerário formativo que o estudante escolheu no decorrer do colegial, e também dependendo da sua escolha de curso.

Os estudantes poderão escolher os seguintes blocos ao realizar a prova: Bloco I (Linguagens e suas Tecnologias + Ciências Humanas e Sociais Aplicadas), Bloco II (Matemática e suas Tecnologias + Ciências da Natureza e suas Tecnologias), Bloco III (Matemática e suas Tecnologias + Ciências Humanas e Sociais Aplicadas), Bloco IV (Ciências da Natureza e suas Tecnologias + Ciências Humanas e Sociais Aplicadas).

O MEC informou, ainda, que os estudantes que possuem algum curso técnico ganharão uma bonificação caso haja alguma ligação entre o curso feito e a graduação escolhida no Enem.



FONTE: TRIBUNA DE MINAS

PEDRO SILVA
PEDRO SILVA
SÓCIO GERENTE DO JORNAL ACONTECEU.

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