quarta-feira, maio 22, 2024

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Análise de Chocobo GP | Voxel

Quem acompanha a série Final Fantasy há um bom tempo deve saber bem que não é de hoje que o Chocobo estrela videogames próprios, sejam eles jogos de corrida, minigames, simuladores ou de exploração de dungeons. Em 2022, o pássaro voltou aos holofotes com Chocobo GP, um título exclusivo do Nintendo Switch e sequência do querido Chocobo Racing, de 1999.

Nesse meio tempo, muita coisa mudou na forma como os videogames são estruturados, desde o ritmo das partidas até a forma como o conteúdo é liberado e acessado dentro dos jogos. Ainda que o grosso dos modos tenha seguido o formato esperado de uma tradicional disputa de karts entre mascotes, atualizações pontuais dão cara nova ao game mais recente do passarinho velocista. Mas será que essas as mudanças vieram para agradar? Descubra no nosso review completo a seguir!

Motivos para correr

Assim que você iniciar Chocobo GP pela primeira vez, pode se assustar com o quão pouco conteúdo ele oferece em termos de pistas e personagens, mas não se preocupe muito com isso! Afinal, nesse departamento ele segue o clássico formato dos videogames de precisar habilitar a maioria das coisas manualmente de acordo com o seu progresso nas corridas.

São só três pilotos para controlar à princípio, mas cada um deles possui os seus próprios pontos fortes, fracos e habilidades. O ideal é começar jogando pelo modo história, não só por ele ser um diferencial raramente encontrado em títulos desse tipo, mas também porque ali você vai passar por alguns tutoriais essenciais para mandar bem.

A história é contada por meio de capítulos, sendo que eles possuem fases internas também, todas elas entrecortadas por bastante falação entre os personagens — bastante mesmo! —. Tem horas em que você só queria poder correr e progredir numa boa, mas os heróis e vilões permanecem estáticos na tela trocando uma infinidade de balões de papo. O pior é que você acaba se sentindo meio culpado se cortá-las, já que eles são um atrativo do game.

Para os mais pacientes e persistentes de nós, a recompensa são diálogos bem espirituosos que volta e meia quebram a quarta parede com piadas divertidas. Só que no saldo geral é tudo bem básico: a premissa gira ao redor de vencer as corridas para conquistar um desejo mágico. Há diferentes níveis de dificuldade para competir — inclusive um modo espelhado — e um sistema interno de desafios, como liderar por todas as voltas da corrida, por exemplo, o que aumenta um pouco o fator replay.

E motivos para não correr…

Não é preciso passar mais do que dois ou três minutos fuçando os menus de Chocobo GP para perceber que o jogo tem aquela carinha de game free to play para celulares, com todo o respeito aos bons games desse formato. Ver um contador de moedas virtuais no topo da tela dificilmente é um bom sinal, e infelizmente as micro transações estragam um bocado a experiência dessa vez.

Que fique claro, parte do sistema de dinheiro virtual funciona e é bem legal, já que o seu desempenho dos desafios rende moedas que, por sua vez, liberam novas customizações para os carrinhos e heróis, o que envolve desde cores até adesivos. O problema é que também há um sistema de dinheiro real (Mythril) envolvido, e os tais passes de temporada que estão na moda ultimamente travam as melhores recompensas!

A ideia de precisar investir para liberar personagens famosos da série é um golpe muito baixo. Ao tentar adequar as corridas de karts aos mais recentes modelos de monetização abusiva do mercado, a Square Enix acabou desbalanceando a experiência e cortando a empolgação de jogar para liberar o conteúdo organicamente, o que é uma pena…

Aliás, todo o menu parece ter sido pensado de última hora e sem capricho: a música tema cantada, que parece adorável e engraçada em primeira audição, logo cansa os ouvidos ao tocar em loop nos hubs, o que pode ser um parto ainda maior se você tiver interesse em correr online esperando ali por minutos a fio. (In)felizmente não conseguimos fazer isso, já que os servidores estavam fechados no período de teste antes do lançamento.

Familiar, mas com tempero próprio

É natural que os jogos da série Mario Kart acabem servindo de padrão para o gameplay de todas as outras corridas entre mascotes, e Chocobo GP certamente não se envergonha nada de clonar uma boa dúzia de suas ideias, desde a possibilidade de acionar uma largada turbo começando a acelerar no momento certo da contagem regressiva, até a forma de atirar itens nos rivais.

É impossível não derreter de fofura com os personagens de Chocobo GPÉ impossível não derreter de fofura com os personagens de Chocobo GPFonte:  Reprodução / Thomas Schulze 

O sistema de boost através do drift é virtualmente idêntico aos dos jogos do Mario, e você só precisa pular e segurar o direcional para o lado enquanto espera a cor do foguinho sob as rodas mudar, indicando que você terá um turbo ainda maior. No grosso da experiência, não há nada de muito novo por aqui, mas ainda assim o conjunto funciona bem.

A sacadinha inédita aqui é que você possui um medidor de mana que pode ser usado em troca de habilidades especiais únicas, enquanto os itens — adequadamente chamados de Magicite — operam em uma lógica interessante e bem pensada: ao coletar mais e mais itens na pista sem gastá-los, você pode acumular cargas de poderes em troca de invocar magias ainda mais efetivas.

Isso muda bastante a abordagem tática: se em Mario Kart a lógica é do desapego, tentando quase sempre usar o máximo de itens antes de cruzar o seu caminho com uma nova caixa deles, em Chocobo GP muitas vezes vale a pena pensar no longo prazo e deixar os seus poderes se acumularem até a Hora H. Isso garante algum frescor para as partidas e ajuda bastante o game a ter identidade própria!

Conteúdo suficiente, mas nada demais

Mesmo não sendo o pacote mais brilhante que você encontrará no Switch, Chocobo GP se esforça o bastante para não desrespeitar os jogadores. Se você não quiser correr nos campeonatos pré-programados (que também vão sendo liberados conforme você conquista troféus por lá), dá até para montar corridas customizadas.

Vale tudo aqui, desde calibrar a dificuldade e inteligência da CPU, a velocidade dos carros e a duração do campeonato até as habilidades especiais. No geral, é divertido explorar os talentos e magias, como a parede de fogo de Ifrit ou a barreira defensiva da White Mage Shirma, e isso torna o gameplay pelo menos minimamente profundo.

Você também pode se desafiar a correr contra o tempo em Time Attack, o que é perfeito para memorizar os traçados e explorar abordagens mais curtas ou técnicas para uma pista, e ainda desbravar o conteúdo com multiplayer em tela dividida, ideal para competir com os seus amigos e família. Nada aqui é brilhante, mas também passa muito longe de ofender a inteligência das pessoas.

Veredito

Chocobo GP possui uma apresentação bonitinha dentro das corridas, com personagens fofos competindo entre si usando poderes inteligentes e bem pensados. É uma pena, então, que o mesmo capricho não tenha sido aplicado aos menus e especialmente às formas de monetização do game. Ele se beneficiaria muito de não ter quaisquer sistemas de passe de temporada ou moedas reais! Na hora de liberar o conteúdo no braço, o jogo diverte, mesmo quando a repetitiva música tema castiga nossos ouvidos. Para quem busca uma alternativa a Mario Kart, ou mesmo para os leitores aficionados por Final Fantasy, a compra pode valer a pena.

Nota Voxel: 78

Chocobo GP não é brilhante ou inovador mas, apesar disso, seus personagens fofos até divertem nas corridas



FONTE: R7

PEDRO SILVA
PEDRO SILVA
SÓCIO GERENTE DO JORNAL ACONTECEU.

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