segunda-feira, junho 17, 2024

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A importância de gritar ‘é campeão’ para a nova geração

Foto: Ronaldo Barreto/NETLUSA

Já há alguns anos que eu penso em como seria a reação da torcida da Lusa em caso de título da Série A2. Depois do jogo de ida contra o São Bento, peguei um vídeo que gravei na final de 2013 para relembrar a atmosfera. “Vai jogar Copa Kaiser, filho da…”, “Vai tomar no…” “Time de…”, “Vagabundo”, “Safado”… A diretoria, o técnico, os jogadores, quase todo mundo foi alvo da torcida, com raras exceções, como o capitão Valdomiro. Nem parecia que, minutos antes, havíamos erguido a taça.

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Lembro que alguns torcedores discutiam se valeria a pena gritar “É campeão” para uma segunda divisão do paulista. Um amigo, que àquela altura era adolescente, comentou a importância que ver o time que o pai torcia sendo campeão quando ainda era criança, em 2007 – ano em que o clima era bem melhor, e não tínhamos um 7 a 0 e um Naviraiense no meio do caminho – para que se tornasse rubro-verde. Aquele argumento me marcou.

Para quem está começando agora no mundo do futebol e dos estádios, faz toda a diferença viver uma campanha marcante. E deve soar bem confuso na cabeça de um jovem ver um time ser campeão e a torcida tratar como mera obrigação – como tantos outros grandes do futebol fazem em divisões de acesso.

Eu sou da opinião de que título é pra ser comemorado. Ainda mais no nosso caso. A Portuguesa teve muitas campanhas marcantes e até algumas conquistas emblemáticas, como a Taça São Paulo de 73, o Torneio Início de 96, as Copinhas de 91 e 2002 ou a Copa Paulista de 2020. Mas considerando os principais torneios nacionais e estaduais, títulos, mesmo, nós temos três paulistões, dois Rio-São Paulo, duas séries A2 e uma Série B.

Levando em conta que entre 1935 e 1936 pouca gente que viu as decisões contra o Ypiranga ainda deve estar viva, assim como já faz quase 70 anos do bi do Rio-São Paulo em 52 e 55, os gritos de “é campeão” ficam ainda mais seletos. Isso sem falar que o título de 73 só foi confirmado posteriormente (graças ao erro do Armando Marques).

Uma quantia significativa de lusitanos pôde comemorar o lugar mais alto do pódio apenas em 2007, 2011, 2013 e na Copa Paulista de 2020 – nesse caso, à distância. E sabe-se lá quando será a próxima vez que isso será possível (apesar de 2023 estar com jeito de tetra vindo aí!).

Acho que todos esses anos longe das principais divisões do Brasileiro e da elite do Paulistão fizeram cair a nossa ficha de que não dá mais para ‘escolher’ em quais torneios devemos comemorar a taça, ou considerar qualquer acesso como mera ‘obrigação’. Temos um caminho bem difícil pela frente, que depende de mais de um ano de boas campanhas em sequência para retornar ao lugar que merecemos estar. Acredito que abraçar o time e os atletas em cada um dos degraus faz parte desse processo.

Claro que cada um torce como quiser e diz o que quiser no estádio. Mas levando em conta que é um feito tão raro na nossa história, espero que, em caso de vitória diante do São Bento, a gente possa soltar esse grito com toda a força. Caso ela não venha, acho que vale a gente aplaudir e festejar, também. Como o nome diz, é uma “divisão de acesso”, e isso nós já conquistamos!

Quem sabe, assim, 2022 marque o início da paixão de alguns novos torcedores da Lusa.

* André Carlos Zorzi é jornalista, autor de “Para Nós És Sempre O Time Campeão – A Portuguesa de 1996” e coautor de “Lusa: 100 Anos de Amor e Luta”.



FONTE: TRIBUNA DE MINAS

PEDRO SILVA
PEDRO SILVA
SÓCIO GERENTE DO JORNAL ACONTECEU.

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