segunda-feira, junho 17, 2024

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Em busca da identidade

Sem terra, sem pátria e sem paradeiro. É assim que a autora Maria José Silveira define, em seu livro “Maria Altamira” (Editora Instante, 2020), a protagonista Alelí – uma das poucas sobreviventes de uma avalanche que soterrou a cidade de Yungay, no Peru, em 1970. Com ao menos 17 mil vítimas na época, o terremoto na montanha mais alta do país deixou Alelí órfã. Sem família e sem sua filha, ela decide percorrer vários países da América do Sul. Mas é no Brasil, na Volta Grande do Xingu, no Pará, que Alelí vai tentar reencontrar a paz. 

Nas margens do rio Xingu, ela passa a conviver com o povo da aldeia do Paquiçamba, onde conhece o rastro de destruição e negligência que marca aquela comunidade, além das infelicidades que se desenham para o futuro próximo. Prestes a dar à luz, Manu Juruna, o pai da criança é encontrado morto, vítima de um pistoleiro contratado por madeireiros da região.  

“Alelí escutava e se sentia muito próxima daquela vida de expulsão, de mortes, de povo minguando e tristezas infinitas. Nas noites de música e caxiri, ela conseguia articular esses pensamentos e parecia entender tudo.Todo o sofrimento, todas as tragédias, os desmoronamentos, as avalanches, as cidades soterradas, os povos afundados, todas as mortes, as loucuras, a insensatez do mundo. E por isso batia os pés, e por isso dançava, e por isso cantava. A vida é como é. É por isso aqui. É agora”.

(Trecho do livro)

Assombrada pela soma de tragédias – e certa em possuir uma “maldição” capaz de matar quem ela ama –, Alelí decide novamente seguir sua peregrinação acompanhada de seu charango (instrumento típico dos países andinos e feito da casca de um tatu). A partir daí, o leitor também passa a acompanhar a história de Maria Altamira, filha abandonada de Alelí e Manu. 

No decorrer da narrativa, a história de mãe e filha se entrelaça a partir de perspectivas reais. Maria José Silveira entrega ao leitor, em seu mais recente livro, um romance histórico e comovente para conhecer e não esquecer da resistência da luta indígena e os impactos ambientais que sofreram e sofrem os ribeirinhos e indígenas. Maria Altamira também é, sobretudo, pela busca da identidade latino-americana. 



FONTE: R7

PEDRO SILVA
PEDRO SILVA
SÓCIO GERENTE DO JORNAL ACONTECEU.

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