quinta-feira, fevereiro 29, 2024

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Mais da metade dos brasileiros está preocupada com meio ambiente, mostra pesquisa | Brasil

Mais da metade dos brasileiros está preocupada com meio ambiente. A maioria acredita que são os governos e as empresas que podem contribuir mais para resolver o problema. Mais da metade disse ter votado em algum político pelas suas propostas socioambientais. Quase todos os brasileiros sabem sobre a destruição da Amazônia e a maioria discorda que desmatar é necessário para que a economia brasileira cresça.

Esses dados fazem parte da nova edição da pesquisa “Mudanças Climáticas na Percepção dos Brasileiros”, realizada pela Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec) a pedido do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS).

“O estereótipo do brasileiro que se preocupa com clima está errado”, diz Fabro Steibel, diretor-executivo do Instituto de Tecnologia & Sociedade do Rio (ITS). “Não é apenas uma questão de esquerda, de jovens, de mais escolarizados. Esse grupo se preocupa mais com clima. Mas, de modo geral, três em cada quatro brasileiros está preocupado com o tema”, diz ele.

“Outro ponto importante é que o interesse do brasileiro em eleger políticos com uma agenda de clima cresce ano após ano”, continua Steibel.

A pesquisa foi feita por telefone com 2.600 pessoas com 18 anos ou mais entre 25 de novembro e 26 de janeiro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Apenas 22% dos brasileiros, contudo, consideram saber muito sobre aquecimento global e mudança climática, diz Rosi Rosendo, diretora de inteligência e insights do Ipec.

“É uma pesquisa fabulosa para medirmos a temperatura de como a sociedade brasileira percebe mudança do clima”, diz Ana Toni, secretaria de Mudança Climática do Ministério do Meio Ambiente.

Em 2022, disse Toni, mais de 520 brasileiros morreram em desastres extremos e mais de 7.300 foram deslocados por esses fenômenos. “Isso está se tornando uma realidade no Brasil.”

“Um dos dados mais significativos é que 50% dos brasileiros dizem já ter votado em algum candidato com a agenda socioambiental”, diz Toni. “Isso mostra como o tema chegou à política e pode ajudar os políticos a entenderem a importância do tema e fazer com que se envolvam desde as suas campanhas no debate climático.”

Além do Ministério do Meio Ambiente, 17 pastas têm alguma estrutura específica para clima. “A agenda de adaptação é uma prioridade agora no governo federal, em função dos eventos extremos, das inundações e das secas que estamos vivendo”, diz Toni.

Os brasileiros estão entre as populações com maior grau de consenso sobre mudança climática: 94% dizem que está acontecendo, 74% consideram que o fenômeno é causado por atividades humanas e somente 12% acreditam que o fenômeno tenha causas naturais.

“Esses percentuais no Brasil são contrastantes com os americanos, um dos maiores emissores de gases-estufa do mundo”, destaca Anthony Leiserowitz, diretor do programa de comunicação sobre mudança climática da Universidade de Yale.

No Brasil, 94% dizem que o aquecimento global está ocorrendo, e são 70% nos EUA; 74% dos brasileiros dizem que o fenômeno é causado por atividade humana, mas são 58% nos EUA; 52% dos brasileiros dizem estar muito preocupados com a mudança do clima e outros 27% brasileiros dizem estar preocupados. “Isso é o dobro do que observamos nos EUA, onde só 25% dizem estar muito preocupados”, diz Leiserowitz.

A percepção de risco também é bem diferente. Quase nove entre 10 brasileiros dizem que o aquecimento irá prejudicar muito as futuras gerações e, em contraste, só 53% dos americanos dizem o mesmo.

“É impressionante ver que 70% dos brasileiros dizem que o aquecimento prejudica a eles e suas famílias em comparação a 16% nos EUA”, diz o pesquisador. “Muitos americanos pensam que mudança do clima é algo distante, no tempo e no espaço. Que é algo para as gerações futuras e impacta os ursos polares e talvez algum país em desenvolvimento. Mas não meu país, minha região e minha família”, diz ele.

Foram 72% dos brasileiros a afirmar que as queimadas na Amazônia são causadas por ação humana, sendo os madeireiros os maiores responsáveis (71%), seguidos por garimpeiros (49%) e grandes produtores rurais (44%).

A maioria (57%) concorda que os indígenas protegem florestas, sendo 51% dos eleitores mais à direita e 69% mais à esquerda do espectro político. São 53% os que concordam com demarcações de terras indígenas e 62% os que apoiam totalmente ou em parte a criação do Ministério dos Povos Indígenas.

Sobre o desmatamento da Amazônia, 99% foram impactados por notícias sobre a destruição da floresta. E 81% acham que o desmate da floresta é uma ameaça para o clima e ambiente do planeta. “Destacam a importância da Amazônia para o mundo todo, não só para o Brasil”, diz Rosendo.

A maioria (74%) acredita que o desmatamento prejudica a imagem do Brasil no exterior, 73% dizem que prejudica a qualidade de vida da população local e 65%, que o desmatamento pode afetar as relações comerciais do Brasil com outros países. “Apenas 20% dizem que o desmatamento é necessário para o crescimento da economia”, segue a pesquisadora.

“Como a pesquisa mostra que uma grande parte da população (32%) identifica os governos como atores que mais podem contribuir para reduzir os problemas do aquecimento global, fica evidente a importância das políticas públicas”, diz Rosendo.

No caso dos resíduos, a pesquisa revela um gargalo. A maioria dos entrevistados (74%) diz que separa materiais para coleta seletiva. Mas os índices de reciclagem de lixo no Brasil são de apenas 4%, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública, a Abrelpe.

Ana Toni, do MMA: pesquisa ‘fabulosa’ para medir como a sociedade brasileira percebe mudança do clima — Foto: Leo Pinheiro/Valor

FONTE: GLOBO.COM

PEDRO SILVA
PEDRO SILVA
SÓCIO GERENTE DO JORNAL ACONTECEU.

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