sexta-feira, fevereiro 23, 2024

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“Baan”: entre Lisboa e Banguecoque, Leonor Teles à procura de abrigo – Notícias de cinema

A primeira longa-metragem da cineasta portuguesa estreia esta semana nos cinemas portugueses.

A primeira longa-metragem de ficção da realizadora Leonor Teles, “Baan”, estreia a 8 de fevereiro, em todo o país. Chega às salas portuguesas depois de uma carreira internacional que começou com a estreia mundial em Locarno e lhe valeu ainda o mais importante prémio do cinema islandês, o Golden Puffin do Festival Internacional de Cinema de Reykjavík.

Produzido por Uma Pedra no Sapato, é o trabalho mais recente da vencedora do Urso de Ouro para melhor curta-metragem no Festival de Berlim de 2016 com “Balada de um Batráquio”. A cineasta e diretora de fotografia realizou ainda “Terra Franca” (2018) e “Cães que Ladram aos Pássaros” (2019).

Com Carolina Miragaia e Meghna Lall nos principais papéis, “Baan” estará em exibição nos cinemas de norte a sul, em alguns casos com legendas bilingues em português e inglês. A Magenta, braço de distribuição da produtora Uma Pedra no Sapato declara a intenção de apostar neste tipo de sessões, visando chegar a novos públicos.

“Baan”, que significa “casa” em tailandês, trata desse espaço, mais afetivo do que físico, que serve de abrigo.

“O desejo de fazer um filme sobre esta noção ou ideia de casa vem sobretudo de uma experiência pessoal em que eu perdi a minha casa e tive de voltar a descobrir o meu lugar no mundo. Vem também daquilo que acontece depois disso. Como é que se começa outra vez? Como é que se volta a confiar? Porque no final do dia todos nós já sobrevivemos àquilo que (ingenuamente) achávamos que era o “fim do mundo””, diz Leonor Teles.

A realizadora, que assina também a direção de fotografia do filme rodado em película de 16 milímetros, fala da importância de ir ao encontro do outro. “Acho que de uma maneira ou outra tenho interesse nesta busca pelos lugares de pertença, às vezes precisamos de sair para voltar, às vezes basta conhecer alguém. Às vezes temos só de ganhar uma nova perspetiva sobre as coisas. Acho que são tudo emoções que me interessa explorar no cinema.”

“Baan” passa-se em Lisboa e em Banguecoque, duas cidades com as quais a cineasta tem relações bem distintas, mas que no filme se aproximam e sobrepõem.

“Lisboa é a cidade onde tenho vivido e trabalhado e onde basicamente entrei na vida adulta. Banguecoque é um território de descoberta, é uma cidade com muitos contrastes, com muita diversidade, mas com uma energia e uma estética que me atraem imenso. Tornou-se palco para contar a história destas duas personagens, L e K, quase como se Lisboa se fundisse com Banguecoque ou vice-versa. O desafio foi, basicamente, encontrar Lisboa na Ásia e encontrar a Ásia em Lisboa, e aproximar esses dois universos. Se pensarmos no fluxo migratório que existe no mundo, todas estas comunidades se entrecruzam e estão presentes no nosso dia adia, o que refletir de forma muito enriquecedora as nossas vivências e as nossas relações com as pessoas que nos rodeiam e que habitam a cidade onde vivemos.”



FONTE: https://filmspot.pt/

PEDRO SILVA
PEDRO SILVA
SÓCIO GERENTE DO JORNAL ACONTECEU.

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