GPA prepara oferta de ações de R$ 1 bi, com forte diluição de acionistas | Finanças

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O GPA, dono da rede Pão de Açúcar, informou hoje em fato relevante que iniciou trabalhos preliminares para a realização de uma oferta pública primária de ações, no valor estimado de R$ 1 bilhão. A empresa vale em bolsa cerca de R$ 1,1 bilhão, logo, representará uma diluição de quase metade do valor aos acionistas que não acompanharem a operação.

A companhia convocou uma assembleia geral extraordinária para 11 de janeiro, em primeira convocação, para deliberar o aumento do capital autorizado da companhia para até 800 milhões de ações ordinárias, e proposta da administração para eleição de uma nova chapa de conselho de administração, condicionada à liquidação da oferta e com posse 30 dias após a liquidação.

Nesse movimento, o Valor apurou que o grupo controlador francês Casino, que busca há tempos reduzir a sua própria alavancagem, não deve seguir a oferta e pode ser diluído nessa faixa de 50%, caso a operação atinja essa soma prevista.

Dessa forma, pode reduzir de 40% para 20% a sua posição na empresa, que está sendo negociada há meses, como o grupo já informou na metade do ano, mas segundo fontes, há um baixo interesse do mercado no negócio. Assessores envolvidos na venda da posição do Casino no GPA sondaram fundos locais e estrangeiros. Ocorre que, no acordo que o controlador tem com o consócio que comprou o controle, ele não pode vender a empresa por menos de 1 bilhão de euros, apurou o Valor.

Se o Casino terminar a oferta com esses 20% da empresa, ainda poderá vender essa posição futuramente, gerando caixa para o controlador.

Já foram engajados no processo, para análise da viabilidade, o Itaú BBA e o BTG Pactual, e como assessor financeiro está a BR Partners.

A potencial oferta faz parte do atual plano de busca de melhor equilíbrio da estrutura de capital da varejista, que não tem vencimento de dívida próximo. A empresa tem negociado nos últimos trimestres a venda de ativos não estratégicos. Esse movimento já incluiu a venda da participação de 34% na Cnova, braço de operação digital do controlador Casino, e a participação de 13,3% do grupo colombiano Éxito S.A.

A melhora da estrutura de capital virá da redução do endividamento _ pressionada após alta da taxa Selic a partir de 2021 – e essa intenção vem sendo reforçada ao mercado pelo comando em diversas ocasiões. Em reunião com investidores e analistas na semana passada, a companhia projetou uma redução na relação dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação de 5,9 vezes no terceiro trimestre de 2023 para 3,9 vezes após a empresa conseguir atingir melhorias de geração de lucro com uma reestruturação operacional em andamento.

Sobre a chapa proposta, ela será fruto de alinhamento entre a administração e seu atual acionista controlador Casino, e composta por nove membros, sendo seis membros independentes.

Na chapa estarão Eleazar de Carvalho Filho, Luiz Augusto de Castro Neves e Renan Bergmann, atuais membros independentes reconduzidos ao cargo, e José Luis Gutierrez, Márcia Nogueira de Mello e Rachel Maia como novos membros independentes.

Além disso, há dois membros indicados pelo Casino: Christophe José Hidalgo e Philippe Alarcon.

Continuará na função de membro representante da administração Marcelo Pimentel. A chapa ainda indica Renan Bergmann como presidente do conselho.

A empresa esclarece que a composição é condizente com a potencial diluição do atual acionista controlador na oferta.

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FONTE: GLOBO.COM