Estilo natural marca projetos de interiores de luxo | Imóveis de Valor

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O toque macio da madeira com a aspereza e a brutalidade da pedra natural juntos em ambientes onde apenas o essencial deve prevalecer. Essa combinação tem marcado cada vez mais a arquitetura de interiores em projetos residenciais e comerciais de alto padrão. O objetivo de arquitetos e designers é estimular sensações que reconectem as pessoas com a natureza, promovendo bem-estar e qualidade de vida.

Fernanda Marques tem nessa dualidade uma de suas assinaturas de trabalho mais conhecidas. Não raro, é possível encontrar em seu portfólio casas de praia e campo com esse apelo. “Nos projetos de segunda residência, esses revestimentos são mais procurados. A textura dos materiais nos projetos gera uma sensação mais aconchegante e de proximidade com a natureza”, explica.

A arquiteta diz que a adoção de revestimentos naturais, além da beleza que entregam, apresenta imperfeições que proporcionam uma identidade única aos ambientes. “As pedras podem conter manchas e flutuações de cor. Já as madeiras têm veios diferentes. Tudo isso enriquece os espaços.”

Dentre as pedras — que usa majoritariamente no piso —, ela destaca o limestone, a ardósia e o granito branco e sem polimento. Nas madeiras, a preferência do público tem sido pelas de tonalidades mais claras, como o tauari. “Mas eu gosto mais dos tons escuros do ipê e do cumaru aplicados nas paredes”, diz.

Na proposta de Karen Pisacane, espaço gourmet e de lazer explora o dueto madeira e pedra com sobriedade — Foto: KADU LOPES/DIVULGAÇÃO
Na proposta de Karen Pisacane, espaço gourmet e de lazer explora o dueto madeira e pedra com sobriedade — Foto: KADU LOPES/DIVULGAÇÃO

De toda forma, a arquiteta entende que o cliente precisa estar aberto a esse tipo de proposta. “Ambientes com interiores sem plásticos ou resinas formam uma experiência interessante e até educativa.”

Adepta da tendência, Karen Pisacane acredita que esses revestimentos ganharam de vez o gosto dos clientes, principalmente após a pandemia, quando as pessoas passaram a sentir uma necessidade maior de contato com elementos naturais, segundo ela.

A arquiteta acredita que tanto a pedra quanto a madeira podem ser usadas em todo tipo de ambiente. Mas faz uma ressalva. “Como demandam manutenção mais atenta, o ideal é evitar a utilização em áreas molhadas. A madeira, por exemplo, exige tratamento frequente e requer atenção quanto a isso”, diz.

Greg Bousquet, da Architects Office (AO-SP), acredita que, para além da estética que oferece, a tendência dos revestimentos naturais faz parte de um novo comportamento das pessoas em relação ao lugar em que vivem.

“Há uma busca por mais simplicidade nos projetos residenciais, um novo luxo que opta pelo minimalismo rústico. Isso muda completamente a relação das pessoas com os materiais que serão usados”, afirma.

Minimalismo: projeto de Greg Bousquet explora a simplicidade das formas e dos materiais na busca por um diálogo gentil com o entorno dessa residência — Foto: RICARDO BASSETTI/DIVULGAÇÃO
Minimalismo: projeto de Greg Bousquet explora a simplicidade das formas e dos materiais na busca por um diálogo gentil com o entorno dessa residência — Foto: RICARDO BASSETTI/DIVULGAÇÃO

Cerâmica, pedra e madeira combinadas, segundo Bousquet, criam uma identidade mais condizente com o local onde essas casas serão construídas. “Temos valorizado também o ‘landscape’ ao redor, enquadrando as vistas e conectando o meio ambiente externo com o interior da casa. Essa tem sido a essência desses projetos”, conta.

Francês radicado em São Paulo, ele diz que a preocupação com a sustentabilidade tem ajudado a alimentar essa tendência. “Existe consciência de que as mudanças climáticas são reais e que todos podemos ajudar. Os arquitetos, em particular, vivem essa problemática com frequência, porque a construção civil é parte importante desse processo”, avalia.

Para ele, o uso de madeira engenheirada e de soluções antigas — como divisórias de taipa, brises na fachada, palha no forro do teto, vegetação abundante e espelhos d’água — ajudará a tornar os empreendimentos imobiliários mais sustentáveis.

“As receitas estão aí, só precisamos resgatá-las. Sou muito a favor da arquitetura mais passiva, aliada a novas tecnologias, como painéis de energia solar. Pode ser o caminho para que a Humanidade seja mais sustentável.”

FONTE: GLOBO.COM