O 7 de outubro será visto para sempre pelos israelenses como data do maior ataque terrorista sofrido por esta nação. Mais de 1.200 pessoas foram mortas. Outras 240, capturadas. Diferentemente do 11 de Setembro e da maior parte dos atentados pelo mundo, a ação do Hamas durou horas. Não foi uma explosão. Muitas de suas vítimas possuíam consciência de que seriam mortas. Milhares ficaram órfãos ou perderam filhos, filhas, irmãos, irmãs e amigos. Até hoje, cerca de 100 vivem, ou sobrevivem, nas mãos de terroristas na Faixa de Gaza sem saber se um dia serão libertados. Não sabem se voltarão a abraças seus pais, mães e crianças.
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Qualquer pessoa que celebrar essas mortes demonstra total ausência de humanidade. A ocupação ilegal da Cisjordânia por Israel, que mantém 3 milhões de palestinos sem direito à cidadania ou a um Estado, e o bloqueio imposto a quase 2 milhões de palestinos por anos à Faixa de Gaza não justificam que pessoas sejam mortas com crueldade pelo Hamas. Inclusive, muitas das vítimas israelenses eram entusiastas da paz com a Palestina, críticas da ocupação da Cisjordânia e do governo extremista de Benjamin Netanyahu.
O atentado também abriu as portas para a resposta israelense, que era legítima desde que o país respeitasse as convenções de Genebra. De acordo com uma série de organizações humanitárias, como o Human Rights Watch, a Anistia Internacional, os Médicos Sem Fronteira e muitas outras não foi o que ocorreu. Há uma série de episódios nos quais Israel teria cometido atrocidades contra a população civil palestina. Alguns chegam a falar em crimes de guerra e mesmo contra a humanidade. São mais de 40 mil mortos, sendo que a imensa maioria deles com documentação. Isso inclui milhares de crianças.
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A cidade inteira de Gaza foi destruída, assim como quase todos os hospitais, escolas e universidades. A promotoria do Tribunal Pena Internacional acusa Benjamin Netanyahu de crimes de guerra. A África do Sul, com o apoio de uma série de outras nações, acusa Israel de genocídio. O próprio presidente do Brasil segue nessa linha. Não dá para justificar essa quantidade de mortos e destruição em Gaza que leva até mesmo a questionamentos dos EUA, maioria aliado de Israel. Qualquer pessoa que celebrar essas mortes demonstra total ausência de humanidade.
Não entrarei nos detalhes da guerra de Israel no Líbano porque a data de 7 de outubro diz respeito a israelenses e palestinos, ao atentado terrorista e a consequente guerra de Gaza. Pessoalmente, ainda sonho com a paz entre Israel e Palestina, com dois Estados vivendo em paz e segurança. É a única forma de as mortes acabarem e a vida ser celebrada.







