Uma das obras mais respeitadas da música brasileira acaba de ganhar novas camadas e vozes. Nesta quinta-feira (10), o selo slap, da Som Livre, lança o álbum “Canto Djavan”, uma homenagem coletiva à discografia de Djavan, conduzida por seis nomes da nova geração: Jota.pê, Melly, Bruna Black, Jonathan Ferr, Hodari e Luccas Carlos. A coletânea apresenta releituras sensíveis e criativas de doze faixas do artista alagoano, unindo diferentes estilos, sotaques e histórias em um projeto marcado pela admiração e pelo desejo de reverência.
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Foto: Divulgação
Idealizado pela Som Livre, o projeto nasceu de uma semana de imersão em Araras, na região serrana do Rio de Janeiro, no estúdio analógico Rocinante. Com direção artística de Max Viana, filho de Djavan, e produção musical assinada por Uiliam Pimenta, Julio Raposo e Pepê Santos, o disco propõe mais do que regravações.
“Canto Djavan” é um mergulho coletivo na essência do cancioneiro do Djavan, sob um olhar contemporâneo e diverso. Além disso, o projeto nasce também como um convite à nova geração para dialogar com uma obra que ajudou a moldar a música brasileira. “Foi uma experiência muito rica musicalmente. Revisitar a obra de um mestre como ele é mergulhar em um repertório que atravessa gerações”, pontua Melly, que gravou “Tenha Calma” e “Nem Um Dia”.
Durante a audição promovida pela gravadora, os artistas se emocionaram ao falar sobre o projeto. Jota.pê, que interpreta “Açaí” e “Seduzir”, descreveu a experiência como “uma das coisas mais lindas e assustadoras” da sua vida. Ele ainda comentou sobre a união dos artistas envolvidos:
“Djavan é daqueles artistas que me fizeram querer ser artista. Fiquei mais fã ainda depois desse trabalho. É muito bonito fazer parte disso, encontrar esses amigos, virou uma desculpa pra gente se reunir”.

Jota.Pê e Melly na audição de “Canto Djavan”. Foto: Ian Rassi
Projeto reúne sucessos e joias escondidas do repertório de Djavan
O repertório de “Canto Djavan” percorre diferentes fases da carreira do artista alagoano, com clássicos consagrados, faixas pouco revisitadas e escolhas afetivas por parte dos intérpretes. “As duas músicas que eu cantei foram sugestões minhas, são as que mais escuto”, contou Luccas Carlos, que interpreta “Aridez” e “Azul”, uma de 2015 e outra de 2005. Ele também comentou a exigência técnica do trabalho:
“A gente vai gravar e parece fácil, de certa forma, mas é de muita complexidade. São melodias, interpretações… não é só chegar e cantar. Todo mundo conseguiu dar sua identidade, mas ao mesmo tempo respeitar muito a obra”.

Jonathan Ferr, Bruna Black, Luccas Carlos, Jota.Pê e Melly. Foto: Ian Rassi
Melly, que gravou duas músicas do álbum “Malásia” de 1996, contou que foi difícil escolher. “Como é que a gente escolhe duas só? Eu gosto de dez”, brincou. Ela ainda destacou o conhecimento coletivo dos artistas envolvidos: “Ficou uma escolha bem diversa porque a galera tem conhecimento. Todo mundo aqui é alquimista do amor”.
Bruna Black, responsável por “Amor Puro” e “Ventos do Norte”, uma joia do álbum de estreia de Djavan de 1976, também se emocionou com a liberdade oferecida pelo projeto. “Quando me sugeriram ‘Ventos do Norte’, eu me apaixonei. Foi amor à primeira vista”, revelou. Ela optou por suavizar sua interpretação, buscando contrastar com a voz pontiaguda de Djavan: “Escolhi trazer uma leitura mais suave, apresentar outra face da minha interpretação”.
Ao longo do disco, cada artista constrói sua ponte com a obra de Djavan. Hodari, que interpreta dois grandes clássicos, “Cigano” e “Samurai”, descreve sua relação com as canções como espiritual: “A música dele me cura, me guia e é um norte na minha carreira”.
Já Jonathan Ferr, que assina os arranjos de “Adorava Me Ver Como Seu”, canção do disco “Matizes” de 2007, e “Pétala”, do “Luz” de 1982, vê Djavan como influência na forma como compõe e pensa sua trajetória: “Cantar sua obra é um exercício de entrega e evolução”.
Artistas pretos, jovens e plurais: a nova geração que reimagina Djavan
Todos os artistas reunidos no projeto compartilham uma conexão que vai além da música de Djavan. São, como ele, artistas pretos, em início ou meio de carreira, com trajetórias distintas e formas próprias de se expressar. A seleção feita pelo selo slap buscou refletir essa diversidade, reunindo nomes que vêm ocupando espaços importantes na música brasileira atual.

Time slap, Som Livre e artistas na audição de “Canto Djavan”. Foto: Ian Rassi
“Canto Djavan” chega às plataformas de streaming nesta quinta (10), às 21h, com vídeos gravados durante a imersão no estúdio Rocinante. O álbum parte de uma homenagem, mas se afirma também como documento de um momento importante: o encontro de gerações da música brasileira.
Confira a tracklist completa de “Canto Djavan”:
1. Açaí – Jota.pê
2. Tenha Calma – Melly
3. Aridez – Luccas Carlos
4. Ventos do Norte – Bruna Black
5. Cigano – Hodari
6. Adorava me ver como seu – Jonathan Ferr
7. Nem um dia – Melly
8. Amor Puro – Bruna Black
9. Seduzir – Jota.pê
10. Azul – Luccas Carlos
11. Samurai – Hodari
12. Pétala – Jonathan Ferr







