Cisdeste aguarda novas ambulâncias e helicóptero para reforçar atendimento do Samu na região

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O Cisdeste, consórcio responsável pela administração do Samu em 147 municípios das regiões sudeste e leste do Sul do estado de Minas Gerais, possui dois estudos para a aquisição de 30 novas ambulâncias. Desse total, 19 já foram aprovadas em todas as instâncias, incluindo duas unidades de suporte básico destinadas a Juiz de Fora. O consórcio afirmou que agora aguarda a compra e a entrega desses veículos pelo Ministério da Saúde. Em nota, a pasta do Governo federal informou que está em tratativas para a assinatura do contrato de aquisição das unidades, com previsão de entrega em 2026. Ao todo, estão previstos 38 veículos para a renovação da frota das macrorregiões sudeste e leste do Sul.

De acordo com o consórcio, um segundo estudo, já aprovado pela Comissão Intergestores Bipartite (CIB- MG), prevê o incremento de mais 11 novas unidades para o Cisdeste, sendo mais duas para Juiz de Fora. Caso todas as etapas sejam concluídas, o município passará a contar com 12 ambulâncias, quatro a mais que as oito unidades atualmente em operação. Este estudo agora segue para análise pelas equipes técnicas do Governo federal.

O Cisdeste acrescenta que todas as ambulâncias em operação em Juiz de Fora estão com mais de cinco anos de uso. “As unidades se tornam antieconômicas por conta do uso excessivo e correm risco de quebrar durante um atendimento. Então, para amenizar o risco, o consórcio optou por realizar a terceirização das ambulâncias por meio de um processo licitatório, enquanto aguarda a recomposição da frota pelo Ministério da Saúde. Há um compromisso do Governo federal para que esses veículos cheguem até o fim do ano.”

Cisdeste aguarda novas ambulâncias e helicóptero para reforçar atendimento do Samu na região
Foto: Leonardo Costa

O especialista em gestão pública e saúde coletiva, Ivan Chebli, explica que cada unidade de suporte básico (USB), responsável por atendimentos de menor gravidade e sem recursos de UTI, recebe cerca de R$ 28 mil mensais de acordo com a portaria GM/MS 958/2023. Já as unidades de suporte avançado (USA), equipadas com UTI móvel e tripulação especializada, demandam valores superiores. “Hoje, o repasse mensal é de aproximadamente R$ 28 mil por unidade de suporte básico já qualificada. No caso das unidades de suporte avançado, o custo é bem maior, o que aumenta a diferença entre o financiamento federal e a realidade operacional.”

De acordo com a portaria, o repasse do Ministério da Saúde para as centrais de regulação das urgências é feito por porte populacional, com Juiz de Fora ocupando a segunda faixa, de 350.001 a 700.000 habitantes, recebendo R$ 111.697,95.

Das oito ambulâncias do Samu baseadas em Juiz de Fora atualmente, seis são Unidades de Suporte Básico (USB) e duas Unidades de Suporte Avançado (USA). Além delas, outras sete ambulâncias estão distribuídas na Microrregião de Juiz de Fora, podendo ser acionadas em casos de necessidade para reforçar o atendimento. Na região que integra o consórcio, há, ainda, outras 54 ambulâncias.

Demanda por atendimentos do Samu cresce

À Tribuna, o Cisdeste afirma que vem acompanhando uma demanda crescente por atendimento não apenas em Juiz de Fora, mas em todos os municípios que compõem o consórcio. Em 2023, foram atendidas 97.542 chamadas para o 192 em JF. Em 2024, o número aumentou para 99.317 e em 2025, até o dia 29 de outubro, foram registradas 85.228 ligações para a Central de Regulação Médica. Além disso, os horários de maior procura por atendimento do Samu-Cisdeste são nos períodos de 9h às 13h e de 16h às 18h.

O tempo médio de resposta em Juiz de Fora é de 16 minutos, afirma o consórcio. O dado engloba tanto a área urbana quanto a rural. “Com o objetivo de otimizar o tempo-resposta, as ambulâncias do Cisdeste ficam descentralizadas em pontos estratégicos na cidade: na UFJF, nos quartéis do Cobom no Centro e na Zona Norte e na própria sede do Cisdeste, no Bairro São Dimas. Além do atendimento pré-hospitalar, o Samu também faz a regulação para a transferência de pacientes das UPAs para os hospitais de maior complexidade, quando necessário”, esclarece o consórcio.

De acordo com Ivan Chebli, para o Samu, um componente pré-hospitalar móvel é fundamental para tornar mais rápido o socorro de pacientes graves, porém, o de viaturas “nunca é suficiente, porque a demanda cresce e há trotes e chamadas indevidas que comprometem a disponibilidade”.

O serviço contabiliza dois tempos médios de resposta, que variam de acordo com os códigos, determinados de acordo com as informações colhidas pela Central de Regulação Médica. O primeiro é relacionado à saída da base (tempo desde o despacho até a ambulância sair da base):

  • Código Vermelho: 30 segundos
  • Código Amarelo: 60 segundos
  • Código Verde: 120 segundos

Já o segundo se refere à chegada ao local de atendimento (tempo desde o despacho até a ambulância chegar ao local):

  • Código Vermelho: 10 minutos
  • Código Amarelo: 20 minutos
  • Código Verde: 60 minutos

Os códigos vermelho, amarelo e verde fazem parte do sistema de classificação de risco, feita pelo médico regulador durante o atendimento telefônico, com base nas informações fornecidas por quem aciona o serviço e servem para definir a prioridade no atendimento: o vermelho indica situação muito grave e com risco iminente de morte; o amarelo também indica uma situação grave, em que o paciente precisa de atendimento rápido, mas que pode aguardar um pouco mais a chegada da ambulância; já o verde indica uma situação sem gravidade imediata, sem risco à vida.

“Normalmente, a meta consegue ser alcançada. É importante salientar que a demanda por ambulâncias é dinâmica, dependendo do horário de acionamento, condições do trânsito, entre outros fatores”, ressalta o Cisdeste.

Falta de repasses coloca em risco o funcionamento do Samu em Minas Gerais
(Foto: Leonardo Costa)

Distribuição segue critérios regionais, e não número fixo por cidade

De acordo com a Portaria 1.010, de 21 de maio de 2012, do Ministério da Saúde, não há um número determinado de ambulâncias por município. A norma estabelece que a distribuição das unidades do Samu deve seguir critérios técnicos regionais, definidos em um Plano de Ação Regional da Rede de Atenção às Urgências.

Segundo o texto, a quantidade de ambulâncias depende de fatores como tempo de resposta, extensão territorial e densidade populacional. Dessa forma, cada região organiza suas bases descentralizadas e centrais de regulação conforme a demanda local e a necessidade de garantir atendimento rápido e eficiente.

O consórcio afirma que o número atual segue o que determina a portaria. De acordo com Ivan, hoje, o Cisdeste cobre uma “população estimada em 1,8 milhão de pessoas”, distribuídas entre os municípios de atuação. Segundo ele, “isso gera sobrecarga natural sobre a base de Juiz de Fora, que, muitas vezes, precisa responder por ocorrências fora do município.”

A portaria também determina que os projetos regionais devem ser aprovados por instâncias gestoras do SUS, como a Comissão Intergestores Bipartite (CIB) e a Comissão Intergestores Tripartite (CIT), responsáveis por validar o dimensionamento e o funcionamento dos serviços.

Na prática, isso significa que não existe um padrão nacional que defina quantas ambulâncias cada cidade deve ter, mas sim um planejamento regional integrado que busca equilibrar cobertura, eficiência e segurança no atendimento de urgência.

Helicóptero é aguardado 

Além das novas ambulâncias, a chegada de um helicóptero é esperada pelo consórcio. Segundo o Cisdeste, o reforço representa importante avanço na estrutura de atendimento pré-hospitalar de urgência da região. “O novo recurso reforçará a capacidade operacional, permitindo respostas ainda mais ágeis em ocorrências com vítimas graves, em locais de difícil acesso e a realização de transportes inter-hospitalares em longas distâncias, quando cada minuto faz diferença para salvar vidas.”

O hangar destinado à base do helicóptero já está com mais de 50% das obras concluídas, e o equipamento foi adquirido pelo Governo de Minas Gerais. Assim que chegar à cidade, entrará em funcionamento pelas equipes do Samu-Cisdeste e do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG).

Por fim, o consórcio destaca que já conta com parecer positivo do Ministério da Saúde para a renovação da frota de ambulâncias com mais de cinco anos de uso.

Ivan acredita que a redistribuição das novas ambulâncias e a instalação de uma unidade de suporte avançado na microrregião de São João Nepomuceno/Bicas devem melhorar o tempo de resposta e aliviar a carga operacional sobre Juiz de Fora.

Especialistas apontam desafios estruturais

A ampliação e a renovação da frota do Samu-Cisdeste ocorre em meio a um cenário de forte pressão financeira sobre o serviço de urgência. Como mostrou a Tribuna em setembro, o consórcio possui  déficit estimado de R$ 5,38 milhões na região de Juiz de Fora e Zona da Mata, resultado da diferença entre os repasses da União e os custos operacionais efetivos.

Ivan afirma que esse cenário se repete ao longo da história do serviço. “Desde o início do Samu em Minas Gerais, o Estado assumiu uma contrapartida maior. A portaria do Ministério da Saúde, naquele momento, estabelecia aquela divisão.” 

Segundo ele, o Samu de Juiz de Fora e Zona da Mata foi um projeto bem-sucedido e, por isso, acabou encampando uma outra macrorregião, que é polarizada por Ponte Nova e Viçosa. “É uma estrutura importantíssima para a atenção integral à saúde do nosso cidadão, e a gente tem, sim, que repensar o cofinanciamento tripartite desse serviço, esperando que a conta não recaia mais uma vez sobre os municípios.”

Ele afirma que os valores de repasse atual estão defasados. “Esses valores foram sendo defasados e a União não aumentou proporcionalmente as contrapartidas, resultando em uma carga maior para os Estados. Mesmo com o reajuste de 30% feito no ano passado, os valores ainda estão aquém do previsto na portaria ministerial e não cobrem os custos reais de manutenção e pessoal.”

De acordo com a Portaria 1.010/2012, do Ministério da Saúde, a manutenção do Samu deve ser custeada de forma tripartite, com 50% da União, 25% do Estado e 25% dos municípios. No entanto, na prática, a participação federal tem ficado em torno de 29,55%, segundo dados apresentados à Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O Estado vem arcando com 43,28% dos custos, enquanto os municípios contribuem com cerca de 20,83%, gerando um déficit de aproximadamente 6,24%.

A insuficiência de repasses afeta diretamente a capacidade de resposta do Samu em ocorrências de grande porte. No acidente da BR-040, que deixou quatro mortos e 39 feridos, apenas seis ambulâncias puderam ser mobilizadas, sendo duas delas compostas por profissionais de setores administrativos, o que levou parte das vítimas a aguardar o retorno dos veículos, que levavam os casos mais graves primeiro, para atendimento.

Pressão

O deputado Arlen Santiago (Avante), presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), afirmou que a comissão pressiona o Governo federal para que cumpra a obrigação legal de repassar 50% dos recursos. Caso contrário, afirma, os consórcios regionais podem enfrentar paralisações e frota parada, comprometendo ainda mais o tempo de resposta em situações de emergência.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que “após 10 anos sem reajuste, em 2023 os valores de custeio do Samu 192 de todo o país foram reajustados em 30%. Os reajustes geralmente acontecem de forma padronizada para todo o país. O custeio mensal do Samu 192 é de responsabilidade compartilhada, de forma tripartite. A União é responsável por 50% dos recursos, enquanto os estados desembolsam 25%, no mínimo, e os municípios, no máximo 25% da despesa.”

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O Cisdeste, consórcio responsável pela administração do Samu em 147 municípios das regiões sudeste e leste do Sul do estado de Minas Gerais, possui dois estudos para a aquisição de 30 novas ambulâncias. Desse total, 19 já foram aprovadas em todas as instâncias, incluindo duas unidades de suporte básico destinadas a Juiz de Fora. O consórcio afirmou que agora aguarda a compra e a entrega desses veículos pelo Ministério da Saúde. Em nota, a pasta do Governo federal informou que está em tratativas para a assinatura do contrato de aquisição das unidades, com previsão de entrega em 2026. Ao todo, estão previstos 38 veículos para a renovação da frota das macrorregiões sudeste e leste do Sul.

De acordo com o consórcio, um segundo estudo, já aprovado pela Comissão Intergestores Bipartite (CIB- MG), prevê o incremento de mais 11 novas unidades para o Cisdeste, sendo mais duas para Juiz de Fora. Caso todas as etapas sejam concluídas, o município passará a contar com 12 ambulâncias, quatro a mais que as oito unidades atualmente em operação. Este estudo agora segue para análise pelas equipes técnicas do Governo federal.

O Cisdeste acrescenta que todas as ambulâncias em operação em Juiz de Fora estão com mais de cinco anos de uso. “As unidades se tornam antieconômicas por conta do uso excessivo e correm risco de quebrar durante um atendimento. Então, para amenizar o risco, o consórcio optou por realizar a terceirização das ambulâncias por meio de um processo licitatório, enquanto aguarda a recomposição da frota pelo Ministério da Saúde. Há um compromisso do Governo federal para que esses veículos cheguem até o fim do ano.”

Cisdeste aguarda novas ambulâncias e helicóptero para reforçar atendimento do Samu na região
Foto: Leonardo Costa

O especialista em gestão pública e saúde coletiva, Ivan Chebli, explica que cada unidade de suporte básico (USB), responsável por atendimentos de menor gravidade e sem recursos de UTI, recebe cerca de R$ 28 mil mensais de acordo com a portaria GM/MS 958/2023. Já as unidades de suporte avançado (USA), equipadas com UTI móvel e tripulação especializada, demandam valores superiores. “Hoje, o repasse mensal é de aproximadamente R$ 28 mil por unidade de suporte básico já qualificada. No caso das unidades de suporte avançado, o custo é bem maior, o que aumenta a diferença entre o financiamento federal e a realidade operacional.”

De acordo com a portaria, o repasse do Ministério da Saúde para as centrais de regulação das urgências é feito por porte populacional, com Juiz de Fora ocupando a segunda faixa, de 350.001 a 700.000 habitantes, recebendo R$ 111.697,95.

Das oito ambulâncias do Samu baseadas em Juiz de Fora atualmente, seis são Unidades de Suporte Básico (USB) e duas Unidades de Suporte Avançado (USA). Além delas, outras sete ambulâncias estão distribuídas na Microrregião de Juiz de Fora, podendo ser acionadas em casos de necessidade para reforçar o atendimento. Na região que integra o consórcio, há, ainda, outras 54 ambulâncias.

Demanda por atendimentos do Samu cresce

À Tribuna, o Cisdeste afirma que vem acompanhando uma demanda crescente por atendimento não apenas em Juiz de Fora, mas em todos os municípios que compõem o consórcio. Em 2023, foram atendidas 97.542 chamadas para o 192 em JF. Em 2024, o número aumentou para 99.317 e em 2025, até o dia 29 de outubro, foram registradas 85.228 ligações para a Central de Regulação Médica. Além disso, os horários de maior procura por atendimento do Samu-Cisdeste são nos períodos de 9h às 13h e de 16h às 18h.

O tempo médio de resposta em Juiz de Fora é de 16 minutos, afirma o consórcio. O dado engloba tanto a área urbana quanto a rural. “Com o objetivo de otimizar o tempo-resposta, as ambulâncias do Cisdeste ficam descentralizadas em pontos estratégicos na cidade: na UFJF, nos quartéis do Cobom no Centro e na Zona Norte e na própria sede do Cisdeste, no Bairro São Dimas. Além do atendimento pré-hospitalar, o Samu também faz a regulação para a transferência de pacientes das UPAs para os hospitais de maior complexidade, quando necessário”, esclarece o consórcio.

De acordo com Ivan Chebli, para o Samu, um componente pré-hospitalar móvel é fundamental para tornar mais rápido o socorro de pacientes graves, porém, o de viaturas “nunca é suficiente, porque a demanda cresce e há trotes e chamadas indevidas que comprometem a disponibilidade”.

O serviço contabiliza dois tempos médios de resposta, que variam de acordo com os códigos, determinados de acordo com as informações colhidas pela Central de Regulação Médica. O primeiro é relacionado à saída da base (tempo desde o despacho até a ambulância sair da base):

  • Código Vermelho: 30 segundos
  • Código Amarelo: 60 segundos
  • Código Verde: 120 segundos

Já o segundo se refere à chegada ao local de atendimento (tempo desde o despacho até a ambulância chegar ao local):

  • Código Vermelho: 10 minutos
  • Código Amarelo: 20 minutos
  • Código Verde: 60 minutos

Os códigos vermelho, amarelo e verde fazem parte do sistema de classificação de risco, feita pelo médico regulador durante o atendimento telefônico, com base nas informações fornecidas por quem aciona o serviço e servem para definir a prioridade no atendimento: o vermelho indica situação muito grave e com risco iminente de morte; o amarelo também indica uma situação grave, em que o paciente precisa de atendimento rápido, mas que pode aguardar um pouco mais a chegada da ambulância; já o verde indica uma situação sem gravidade imediata, sem risco à vida.

“Normalmente, a meta consegue ser alcançada. É importante salientar que a demanda por ambulâncias é dinâmica, dependendo do horário de acionamento, condições do trânsito, entre outros fatores”, ressalta o Cisdeste.

Falta de repasses coloca em risco o funcionamento do Samu em Minas Gerais
(Foto: Leonardo Costa)

Distribuição segue critérios regionais, e não número fixo por cidade

De acordo com a Portaria 1.010, de 21 de maio de 2012, do Ministério da Saúde, não há um número determinado de ambulâncias por município. A norma estabelece que a distribuição das unidades do Samu deve seguir critérios técnicos regionais, definidos em um Plano de Ação Regional da Rede de Atenção às Urgências.

Segundo o texto, a quantidade de ambulâncias depende de fatores como tempo de resposta, extensão territorial e densidade populacional. Dessa forma, cada região organiza suas bases descentralizadas e centrais de regulação conforme a demanda local e a necessidade de garantir atendimento rápido e eficiente.

O consórcio afirma que o número atual segue o que determina a portaria. De acordo com Ivan, hoje, o Cisdeste cobre uma “população estimada em 1,8 milhão de pessoas”, distribuídas entre os municípios de atuação. Segundo ele, “isso gera sobrecarga natural sobre a base de Juiz de Fora, que, muitas vezes, precisa responder por ocorrências fora do município.”

A portaria também determina que os projetos regionais devem ser aprovados por instâncias gestoras do SUS, como a Comissão Intergestores Bipartite (CIB) e a Comissão Intergestores Tripartite (CIT), responsáveis por validar o dimensionamento e o funcionamento dos serviços.

Na prática, isso significa que não existe um padrão nacional que defina quantas ambulâncias cada cidade deve ter, mas sim um planejamento regional integrado que busca equilibrar cobertura, eficiência e segurança no atendimento de urgência.

Helicóptero é aguardado 

Além das novas ambulâncias, a chegada de um helicóptero é esperada pelo consórcio. Segundo o Cisdeste, o reforço representa importante avanço na estrutura de atendimento pré-hospitalar de urgência da região. “O novo recurso reforçará a capacidade operacional, permitindo respostas ainda mais ágeis em ocorrências com vítimas graves, em locais de difícil acesso e a realização de transportes inter-hospitalares em longas distâncias, quando cada minuto faz diferença para salvar vidas.”

O hangar destinado à base do helicóptero já está com mais de 50% das obras concluídas, e o equipamento foi adquirido pelo Governo de Minas Gerais. Assim que chegar à cidade, entrará em funcionamento pelas equipes do Samu-Cisdeste e do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG).

Por fim, o consórcio destaca que já conta com parecer positivo do Ministério da Saúde para a renovação da frota de ambulâncias com mais de cinco anos de uso.

Ivan acredita que a redistribuição das novas ambulâncias e a instalação de uma unidade de suporte avançado na microrregião de São João Nepomuceno/Bicas devem melhorar o tempo de resposta e aliviar a carga operacional sobre Juiz de Fora.

Especialistas apontam desafios estruturais

A ampliação e a renovação da frota do Samu-Cisdeste ocorre em meio a um cenário de forte pressão financeira sobre o serviço de urgência. Como mostrou a Tribuna em setembro, o consórcio possui  déficit estimado de R$ 5,38 milhões na região de Juiz de Fora e Zona da Mata, resultado da diferença entre os repasses da União e os custos operacionais efetivos.

Ivan afirma que esse cenário se repete ao longo da história do serviço. “Desde o início do Samu em Minas Gerais, o Estado assumiu uma contrapartida maior. A portaria do Ministério da Saúde, naquele momento, estabelecia aquela divisão.” 

Segundo ele, o Samu de Juiz de Fora e Zona da Mata foi um projeto bem-sucedido e, por isso, acabou encampando uma outra macrorregião, que é polarizada por Ponte Nova e Viçosa. “É uma estrutura importantíssima para a atenção integral à saúde do nosso cidadão, e a gente tem, sim, que repensar o cofinanciamento tripartite desse serviço, esperando que a conta não recaia mais uma vez sobre os municípios.”

Ele afirma que os valores de repasse atual estão defasados. “Esses valores foram sendo defasados e a União não aumentou proporcionalmente as contrapartidas, resultando em uma carga maior para os Estados. Mesmo com o reajuste de 30% feito no ano passado, os valores ainda estão aquém do previsto na portaria ministerial e não cobrem os custos reais de manutenção e pessoal.”

De acordo com a Portaria 1.010/2012, do Ministério da Saúde, a manutenção do Samu deve ser custeada de forma tripartite, com 50% da União, 25% do Estado e 25% dos municípios. No entanto, na prática, a participação federal tem ficado em torno de 29,55%, segundo dados apresentados à Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O Estado vem arcando com 43,28% dos custos, enquanto os municípios contribuem com cerca de 20,83%, gerando um déficit de aproximadamente 6,24%.

A insuficiência de repasses afeta diretamente a capacidade de resposta do Samu em ocorrências de grande porte. No acidente da BR-040, que deixou quatro mortos e 39 feridos, apenas seis ambulâncias puderam ser mobilizadas, sendo duas delas compostas por profissionais de setores administrativos, o que levou parte das vítimas a aguardar o retorno dos veículos, que levavam os casos mais graves primeiro, para atendimento.

Pressão

O deputado Arlen Santiago (Avante), presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), afirmou que a comissão pressiona o Governo federal para que cumpra a obrigação legal de repassar 50% dos recursos. Caso contrário, afirma, os consórcios regionais podem enfrentar paralisações e frota parada, comprometendo ainda mais o tempo de resposta em situações de emergência.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que “após 10 anos sem reajuste, em 2023 os valores de custeio do Samu 192 de todo o país foram reajustados em 30%. Os reajustes geralmente acontecem de forma padronizada para todo o país. O custeio mensal do Samu 192 é de responsabilidade compartilhada, de forma tripartite. A União é responsável por 50% dos recursos, enquanto os estados desembolsam 25%, no mínimo, e os municípios, no máximo 25% da despesa.”

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FONTE: GOOGLE NOTÍCIAS