Juiz-forano lança ‘Nas entranhas de Bob Cuspe’, livro-reportagem sobre animação premiada

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Ramon Vitral entrevistou 16 profissionais ligados a ‘Bob Cuspe — Nós não gostamos de gente’ (Foto: Divulgação)

O livro “Nas entranhas de Bob Cuspe”, do jornalista Ramon Vitral, joga luz sobre a produção de uma das animações brasileiras mais premiadas dos últimos anos — mas que, por ter sido lançada durante a pandemia, pode ter passado despercebida por muita gente. A narrativa conta os bastidores das decisões criativas e dos dramas que percorreram os trabalhos do cineasta Cesar Cabral para realizar em stop motion o filme “Bob Cuspe – Nós não gostamos de gente”, inspirado na obra do chargista Angeli. 

bob cuspe
Foto: Reprodução

O projeto literário é uma forma de chamar a atenção novamente para o filme e também prestar homenagem ao trabalho realizado pelo cartunista. Em Juiz de Fora, o lançamento terá sessão gratuita do filme neste sábado (26), a partir das 14h30, no Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm), e debate de Ramon Vitral com o animador e diretor de arte Leonardo Marcini às 16h30, com sessão de autógrafos às 17h15. 

O autor cresceu lendo as contribuições de Angeli na Ilustrada, durante todos os anos em que o autor publicou na Folha, mas o convite para o livro partiu da editora Ugra Press, responsável pela publicação, e de Cesar Cabral, diretor do filme. A ideia era ter mais um registro de um trabalho que já tinha sido percebido como singular: tanto pelas histórias que cercaram a produção de cinco anos quanto pelas premiações que recebeu.

Entre elas, estão o Grand Prix Contrechamp do Festival de Animação de Annecy (2021) e o troféu de Melhor Filme no Festival Internacional de Animação de Ottawa (2021), além dos Prêmios Quirino de la Animación Ibero-Americana e Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. O projeto passou a seguir o formato de livro “making of”, já bastante tradicional nos Estados Unidos e na Europa, e que resultou em depoimentos de 16 profissionais, entre diretores, animadores, atores, fotógrafos, músicos e outras figuras-chave. 

Mas, ao longo da pesquisa e das conversas, ele conta que o processo da filmagem foi atraindo especialmente o seu interesse.

“Sabíamos um pouco que a produção tinha sido agitada, usando um eufemismo, porque eles foram construindo o filme à medida que foram filmando. O roteiro mesmo só chegou ao fim quando o filme já estava pronto. E ele tem essa beleza de unir dois espectros muito extremos do fazer cinematográfico: o documentário, que só costuma ser fechado na pós-produção, e o stop motion, que só costuma ser filmado quando já está muito claro o que vai ser filmado, porque não pode ter desperdício — é muito caro e muito difícil de fazer.”

Dessa maneira, ele entendeu que valia ressaltar que a obra se tratava de uma empreitada muito singular em vários aspectos, não só no cinema brasileiro, mas no que se propõe a ser ao misturar documentário e animação. 

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Obra trouxe processo artesanal em 112 páginas (Foto: Reprodução)

Fazer artesanal

Ao definir os temas que seriam abordados no livro, o projeto gráfico também buscou valorizar o processo artesanal que foi seguido durante toda a animação. Porque, no stop motion, isso faz parte da história que está sendo contada. “A pessoa passa um dia inteiro, 7h, sozinha, em um estúdio tirando foto e mexendo bonequinho, tirando foto e mexendo bonequinho. E quando chega no final do dia aquele trabalho todo corresponde a um segundo do filme. Isso é muito impressionante”, diz Ramon. 

É esse tipo de aprofundamento que também quis trazer com a obra, entendendo que precisava criar contextos para quem tivesse contato com o filme pela primeira vez por meio das páginas e também para quem já estivesse familiarizado com o processo do stop motion.

Além de tudo, ainda deveria contextualizar onde essa obra se situa, considerando que Angeli parou de contribuir com a Folha em 2017 e se aposentou em 2021. “Já tem uma geração que não necessariamente sabe quem é Angeli. Então, tinha muito trabalho de contextualização a ser feito nesse livro”, destaca.

Para ele, trata-se, ainda, de uma forma de celebrar a cultura e a arte dessas pessoas. “O filme do Cesar Cabral tem autonomia de existência, mas também é uma celebração do trabalho do Angeli. O meu livro também tem a autonomia de existência, por ser esse trabalho documental de reportagem, mas também celebra o trabalho do Angeli e do Cesar Cabral.”

A alma punk

Se o personagem Bob Cuspe nasceu nos anos 1980, com espírito punk e anárquico, ele renasce em um mundo bastante diferente para o filme e para as reflexões do livro. “Eu valorizo muito esse filme por ele ter, desde o começo, a consciência de que precisava ter autonomia de existência em relação aos quadrinhos do Angeli e ao personagem do Angeli, ao mesmo tempo que é extremamente fiel à essência do personagem”, conta. Um dos momentos em que Vitral considera que o autor faz isso é por meio, por exemplo, do que trouxeram do personagem confrontando o chargista quanto ao próprio destino e suas escolhas. 

Ao mesmo tempo em que o filme funciona em paralelo à obra que lhe deu origem, Vitral considera que a coragem está em continuar ousando com o mesmo espírito. “Até o fato de ser uma animação stop motion, algo tão artesanal, em uma época de tanta computação gráfica e inteligência artificial, torna ainda mais singular e punk o filme. Isso deixa o filme ainda mais coerente com o trabalho do Angeli, mesmo tendo autonomia de existência em relação a essa mesma obra”, finaliza. 




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Ramon Vitral entrevistou 16 profissionais ligados a ‘Bob Cuspe — Nós não gostamos de gente’ (Foto: Divulgação)

O livro “Nas entranhas de Bob Cuspe”, do jornalista Ramon Vitral, joga luz sobre a produção de uma das animações brasileiras mais premiadas dos últimos anos — mas que, por ter sido lançada durante a pandemia, pode ter passado despercebida por muita gente. A narrativa conta os bastidores das decisões criativas e dos dramas que percorreram os trabalhos do cineasta Cesar Cabral para realizar em stop motion o filme “Bob Cuspe – Nós não gostamos de gente”, inspirado na obra do chargista Angeli. 

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Foto: Reprodução

O projeto literário é uma forma de chamar a atenção novamente para o filme e também prestar homenagem ao trabalho realizado pelo cartunista. Em Juiz de Fora, o lançamento terá sessão gratuita do filme neste sábado (26), a partir das 14h30, no Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm), e debate de Ramon Vitral com o animador e diretor de arte Leonardo Marcini às 16h30, com sessão de autógrafos às 17h15. 

O autor cresceu lendo as contribuições de Angeli na Ilustrada, durante todos os anos em que o autor publicou na Folha, mas o convite para o livro partiu da editora Ugra Press, responsável pela publicação, e de Cesar Cabral, diretor do filme. A ideia era ter mais um registro de um trabalho que já tinha sido percebido como singular: tanto pelas histórias que cercaram a produção de cinco anos quanto pelas premiações que recebeu.

Entre elas, estão o Grand Prix Contrechamp do Festival de Animação de Annecy (2021) e o troféu de Melhor Filme no Festival Internacional de Animação de Ottawa (2021), além dos Prêmios Quirino de la Animación Ibero-Americana e Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. O projeto passou a seguir o formato de livro “making of”, já bastante tradicional nos Estados Unidos e na Europa, e que resultou em depoimentos de 16 profissionais, entre diretores, animadores, atores, fotógrafos, músicos e outras figuras-chave. 

Mas, ao longo da pesquisa e das conversas, ele conta que o processo da filmagem foi atraindo especialmente o seu interesse.

“Sabíamos um pouco que a produção tinha sido agitada, usando um eufemismo, porque eles foram construindo o filme à medida que foram filmando. O roteiro mesmo só chegou ao fim quando o filme já estava pronto. E ele tem essa beleza de unir dois espectros muito extremos do fazer cinematográfico: o documentário, que só costuma ser fechado na pós-produção, e o stop motion, que só costuma ser filmado quando já está muito claro o que vai ser filmado, porque não pode ter desperdício — é muito caro e muito difícil de fazer.”

Dessa maneira, ele entendeu que valia ressaltar que a obra se tratava de uma empreitada muito singular em vários aspectos, não só no cinema brasileiro, mas no que se propõe a ser ao misturar documentário e animação. 

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Obra trouxe processo artesanal em 112 páginas (Foto: Reprodução)

Fazer artesanal

Ao definir os temas que seriam abordados no livro, o projeto gráfico também buscou valorizar o processo artesanal que foi seguido durante toda a animação. Porque, no stop motion, isso faz parte da história que está sendo contada. “A pessoa passa um dia inteiro, 7h, sozinha, em um estúdio tirando foto e mexendo bonequinho, tirando foto e mexendo bonequinho. E quando chega no final do dia aquele trabalho todo corresponde a um segundo do filme. Isso é muito impressionante”, diz Ramon. 

É esse tipo de aprofundamento que também quis trazer com a obra, entendendo que precisava criar contextos para quem tivesse contato com o filme pela primeira vez por meio das páginas e também para quem já estivesse familiarizado com o processo do stop motion.

Além de tudo, ainda deveria contextualizar onde essa obra se situa, considerando que Angeli parou de contribuir com a Folha em 2017 e se aposentou em 2021. “Já tem uma geração que não necessariamente sabe quem é Angeli. Então, tinha muito trabalho de contextualização a ser feito nesse livro”, destaca.

Para ele, trata-se, ainda, de uma forma de celebrar a cultura e a arte dessas pessoas. “O filme do Cesar Cabral tem autonomia de existência, mas também é uma celebração do trabalho do Angeli. O meu livro também tem a autonomia de existência, por ser esse trabalho documental de reportagem, mas também celebra o trabalho do Angeli e do Cesar Cabral.”

A alma punk

Se o personagem Bob Cuspe nasceu nos anos 1980, com espírito punk e anárquico, ele renasce em um mundo bastante diferente para o filme e para as reflexões do livro. “Eu valorizo muito esse filme por ele ter, desde o começo, a consciência de que precisava ter autonomia de existência em relação aos quadrinhos do Angeli e ao personagem do Angeli, ao mesmo tempo que é extremamente fiel à essência do personagem”, conta. Um dos momentos em que Vitral considera que o autor faz isso é por meio, por exemplo, do que trouxeram do personagem confrontando o chargista quanto ao próprio destino e suas escolhas. 

Ao mesmo tempo em que o filme funciona em paralelo à obra que lhe deu origem, Vitral considera que a coragem está em continuar ousando com o mesmo espírito. “Até o fato de ser uma animação stop motion, algo tão artesanal, em uma época de tanta computação gráfica e inteligência artificial, torna ainda mais singular e punk o filme. Isso deixa o filme ainda mais coerente com o trabalho do Angeli, mesmo tendo autonomia de existência em relação a essa mesma obra”, finaliza. 



FONTE: GOOGLE NOTÍCIAS