Em ato de apoio à cultura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que tem como compromisso garantir que a cultura “voltou de verdade” ao país. Em um discurso de cerca de dois minutos no Theatro Municipal, centro do Rio, Lula pediu que o setor não permita que a pauta de costumes derrote a política cultural.
“Peço que vocês ajudem a guerra em defesa da cultura. A guerra contra nós vai ser muito grande. Vão dizer que a mamata voltou, vão dizer que a farra voltou, que o gasto desnecessário voltou”, afirmou. “Mas dessa vez, vocês não devem ficar quietos. A gente não deve admitir que a pauta de costumes possa derrotar a política cultural desse país”, disse antes de deixar o palco.
Lula pediu desculpas pela fala rápida e disse que está poupando a voz para encontrar o presidente da China, Xi Jinping. “Eu estou com a garganta muito ruim e vou embarcar para China amanhã. Preciso estar com a garganta boa para conversar com Xi Jinping”, declarou. O presidente assinou junto com a ministra da Cultura, Margareth Menezes, um decreto de fomento à cultura com mais investimentos e acesso simplificado ao setor. O texto abrange ações de fomento indireto, via Lei Rouanet, e também suporte cultural direto pelas leis Paulo Gustavo, Aldir Blanc e Cultura Viva.
Antes de assinar o decreto, a ministra da Cultura anunciou um investimento de R$ 1 bilhão para o audiovisual brasileiro. A ministra afirmou que a cultura deve ser tratada como “patrimônio nacional” e “política de Estado”. Sem citar o governo anterior, Margareth disse que ter o setor cultural como inimigo é “pensamento de quem não gosta de democracia”. “Para aqueles que nos quiseram mortos, nos xingaram e desrespeitaram, pois bem, sobrevivemos”, afirmou.
As novas regras de fomento à cultura estimulam ações para mulheres, pessoas negras, povos indígenas, comunidades tradicionais, de terreiro e quilombolas, de populações nômades e povos ciganos, de pessoas do segmento LGBTI+, de pessoas com deficiência e de outros grupos minorizados.
Também no evento, o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, recebeu uma homenagem pela parceria com o Theatro Municipal do Rio e prometeu aumentar os investimentos da estatal no setor. “Estamos a menos de 10% do investimento da cultura na Petrobras. Vamos voltar para a média do seu governo [Lula]”, disse. O evento contou com apresentações de dança, orquestra de música clássica e samba. Também participaram a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, e o Advogado -Geral da União, Jorge Messias. Integrantes do governo, parlamentares da base aliada, artistas e representantes do setor cultural acompanharam o ato da plateia. Um telão foi instalado em frente ao teatro, na praça da Cinelândia, para transmitir a cerimônia.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Cristiano Mariz/O Globo







