Um estudo realizado pela ONG Greenpeace dos Estados Unidos apontou que apenas 5% dos resíduos plásticos do país foi reciclado em 2021. O relatório, divulgado no último dia 31, mostra que apesar da produção de plástico estar aumentando, a reciclagem do material apenas diminui.
O estudo intitulado “Circular Claims Fall Flat Again” (As reivindicações circulares caem novamente, em tradução livre) apontou que o conceito de economia circular criado pela indústria não está sendo colocado em prática — e, em última instância, é um “mito”.
Apenas em 2021, nos Estados Unidos, foram produzidos 51 milhões de toneladas de lixo plástico, mas apenas 5% dessa quantidade foi reciclada, ou seja, 2,4 milhões de toneladas. É um número muito menor que o pico atingido pelo país em 2014, quando 10% do plástico produzido no foi reciclado.
O encolhimento dos números de reciclagem também se mostrou expressivo após a China parar de receber os resíduos plástico do Ocidente, em 2018.
Os números são ainda mais assustadores se levarmos em conta que os EUA são o país que mais polui com plástico no mundo — mais que todos os países da União Européia juntos, e o dobro da China, também uma superpotência industrial.
A preocupação se torna ainda maior levando em conta que a produção de plástico virgem, sem qualquer processo de reciclagem, aumenta à medida que a indústria petroquímica se expande e barateia os custos. Em outras palavras, a pesquisa apontou que atualmente é mais barato produzir plástico virgem do que reciclado.
Vale lembrar, que a composição do plástico é proveniente de resinas derivadas do petróleo, por isso a produção do material está diretamente ligada com a indústria petroquímica.
A pesquisa feita pela Greenpeace também aponta que nas 375 instalações de recuperação de materiais do EUA apenas dois tipos de plásticos são aceitos amplamente para reciclagem no país – o tereftalato de polietileno (PET), que compõe garrafas de refrigerante e água, e polietileno de alta densidade (PEAD), presente em recipientes de produtos de limpeza e shampoo.
Mesmo os materiais aceitos, não são necessariamente reciclados em taxas aceitáveis. O plástico PET teve uma taxa de 20,9% de reciclagem e o PEAD apenas 10,3%, em 2021. Esses números representam uma leve diminuição em relação a 2020.
Os outros cinco tipos de plástico não são aceitos, e chegam a uma uma porcentagem de reciclagem de menos de 5%. Essa “falha” é explicada pela falta de instalações de reciclagem disponível para a maior parte da população norte-americana. Além disso, os produtos coletados desses outros tipos não são muito utilizados para a fabricação de novos itens.
O estudo também apresentou os cinco principais motivos pelos quais a reciclagem de plástico é o que foi chamado de “conceito falho”. O primeiro ponto é a dificuldade de coletar as imensas toneladas do material, muito porque é difícil realizar a divisão dos sete tipos de plásticos, que exigem processos de reciclagem diferentes.
“É funcionalmente impossível separar os trilhões de resíduos plásticos produzidos a cada ano”, afirma o estudo. Mesmo a reciclagem em si também é prejudicial ao meio ambiente, e expõe os trabalhadores a produtos tóxicos.
O plástico reciclado também pode ser tóxico por causa do contato com outros tipos de plástico nas lixeiras de coleta, o que impede que o novo material produzido seja utilizado em produtos alimentícios, por exemplo.
E, por fim, o processo de reciclagem é extremamente caro, se tornando ainda mais custoso ao considerar os trilhões de produtos plástico que poderiam ser processados. “O novo plástico compete diretamente com o plástico reciclado e é muito mais barato de produzir e de maior qualidade’, completa o relatório.
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