Diferenças culturais e religiosas entre o Catar e o Ocidente podem muito bem ter afastado mulheres estrangeiras dos estádios. O ambiente é bastante masculinizado mesmo entre fãs do mundo árabe, mas torcedoras brasileiras garantem que estão à vontade nas arquibancadas de Copa do Mundo e se sentem até mais seguras em vestir roupa justa por aqui do que no próprio país.
A sensação geral entre as mulheres brasileiras entrevistadas pela reportagem do R7 é de total respeito. As próprias mulheres árabes, de maioria islâmica, que costumam a cobrir a cabeça com um lenço, o hijab, e vestir a abaya, um vestido também preto e de manga longa, também não vêem problemas com as estrangeiras.
Denise Alves desembarcou em Doha especialmente para a Copa do Mundo. Sozinha, a loira de cabelos longos foi ao estádio 974, para a vitória do Brasil sobre a Suíça, com calça e tênis brancos, barriga de fora e uma camisa azul da seleção. Tudo sem nenhum olhar mais opressor por parte de quem defende os costumes locais.
“Eu amo calor e me visto com as roupas mais confortáveis possíveis e ninguém fala nada, nem olha torto. De repente, no Brasil teria mais medo de ir ao estádio do que aqui vestida assim. Cheguei a evitar trazer certo tipo de roupa, coisa mais chamativa, mas só para não ser constrangedor”, disse a torcedora carioca.
Do palco com música ao vivo até o portão 3 do estádio, em um percurso de pouco mais de 800 metros, Denise garantiu que a caminhada foi tranquila, sem olhares maliciosos. Apenas um canal de TV suíço pediu uma entrevista com a moça, depois que terminasse o papo com a reportagem brasileira.
Avó e neta, Sônia e Ana Laura Ribeiro, revelaram que pensaram em não viajar ao Catar por conta das restrições do país. Além da vestimenta, no país as bebidas alcóolicas também são restringidas por exemplo.
“Pensamos muito nessa questão do comportamento, por conta da cultura e da religião deles, mas senti um país muito respeitoso. Fomos muito bem tratadas até aqui, estamos adorando o Catar”, disse Sônia. “Percebemos alguns olhares, sim, mas não ofensivo, nada obsceno ou vulgar. Eles olham porque a gente é turista. São os turistas chegando no país deles. Aí queremos ser o mais invisível por isso. Mas, até agora, não rolou nenhum episódio grosseiro e aproveitar a Copa do Mundo”, completou a neta.
O olhar local
O povo do Catar desconhece essa visão internacional de que seu país é fechado. Em comparação com os vizinhos da Arábia Saudita, do Kuwait e do Irã, de ditaduras absolutistas e de regimes ainda mais conservadores, o país-sede da Copa do Mundo é mesmo conhecido como moderno. O mesmo acontece, por exemplo, nos Emirados Árabes Unidos, com mais ideais comuns no Ocidente.
“Eu não tenho esse olhar sob o ponto de vista do Ocidente. Mas é normal que desperte curiosidade. A minha mulher e a minha família têm total liberdade aqui. É um país muito seguro e nada de errado aconteceria com as mulheres”, defende Lufuz Zaman.
Para Fahmida Akther, mulher catari, que vestia o hijab, tudo é permitido no país da Copa do Mundo. Segundo ela, as vestes das brasileiras também não as incomodou.
“O Catar é um país plural. Se você quiser usar hijab usa, se não quiser, não usa; se quiser ir ao estádio vai, se não quiser, não vai. É um lugar muito bom para se viver. Sinto que tenho liberdade aqui”, resumiu.
Guardas montados em camelos protegem o escritório administrativo do Catar







