O número de treinadores que trocam Portugal pelo Brasil chega ao ápice em 2023. Com sete comandantes lusos confirmados em equipes da divisão da elite, a equipe oGol decidiu buscar também um olhar do lado de lá do oceano.
Com tantos técnicos deixando o país, isso implica em uma mudança no mercado e no interesse do público pelo nosso futebol? Para entender como essa “enxurrada” de treinadores movimenta o futebol luso, entrevistamos o jornalista Luís Rocha Rodrigues, do portal zerozero.
A América do Sul se tornou o mais novo alvo da exportação portuguesa. O país, que assim como o Brasil se caracterizava por perder sua mão de obra mais qualificada, mas principalmente entre os jogadores, agora vê os treinadores também expandindo fronteiras.
O horizonte do Brasil
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Pedro Caixinha 6 ttulos oficiais |
“Portugal sempre foi um país exportador no que diz respeito ao futebol. No caso dos treinadores, os destinos são muito mais abrangentes. Temos treinadores na Ásia, na África e em outras partes da Europa. Talvez faltasse algum na América, que tinha havido não há muito tempo o Pedro Caixinha, no México, com algum impacto. Mas o futebol brasileiro também como exportador e também considerado a pátria do futebol, era um mercado que parecia estar fechado. Se abrindo esse horizonte, é mais um para os portugueses explorarem”, apontou Luís Rodrigues.
De acordo com o jornalista, Portugal e Brasil são semelhantes na falta de paciência com os treinadores. Desta forma, a respeito do que acontece por aqui, os técnicos ficam com a imagem desgastada e, também por isso, buscam oportunidades em outros países.
“Há muitos treinadores portugueses. É uma área em que há muito mais oferta do que procura, porque há muito mais treinadores do que clubes em Portugal para os acolher e isso faz com que rapidamente eles vão para fora. Tal como no Brasil, há pouca tolerância para treinadores, são muito mais clubes que mudam de treinador do que os que mantêm o trabalho. Isso faz com que os treinadores tenham um tempo mais reduzido até se esgotarem no futebol português. Um treinador que experimenta três, quatro clubes, fica desgastado. Ou fica apto por um grande trabalho chegar a um clube grande – Benfica, Porto e Sporting – ou então vai para fora, que é o que normalmente acontece”, explicou Rodrigues.
Visão sobre o futebol brasileiro
Para além dessa movimentação dos treinadores, o interesse do público português pelo Campeonato Brasileiro também mudou. De acordo com Luís Rocha Rodrigues, o Brasileirão já até supera em interesse no país alguns dos campeonatos nacionais na Europa.
� Miguel Schincariol / Getty Images
“O midiatismo é maior. Não no nível de acompanhamento de Inglaterra e Espanha, mas talvez não esteja nada distante do acompanhamento do futebol italiano, alemão. Até diria que os portugueses, talvez, acompanhem mais o Brasileiro do que o futebol francês. Jorge Jesus, pela figura que é, causava aqui mais interesse ainda, mesmo não sendo o primeiro treinador português no Brasil. Os casos que existiram antes não foram significativos, como Paulo Bento, Sá Pinto, e etc, mas Jorge Jesus acabou por trazer uma força enorme, em termos de interesse, pelo futebol brasileiro”, completou o jornalista do zerozero.
Dificuldade do passo adiante
Diferentemente do Brasil, o Campeonato Português conta com uma dupla de ferro, Porto e Benfica, e com o tradicional Sporting, como uma terceira força. O Braga, equipe de outro importante centro, também corre por fora. Desta forma, muitos treinadores se veem impossibilitados de darem o passo seguinte na carreira, o que também ajuda a explicar o êxodo recente de treinadores lusos.
“Existem muitos clubes médios em Portugal, então o que muitas vezes acontece é um treinador se destacar, sair no fim da temporada, ou três, quatro jogadores deixarem o clube. Foi o que aconteceu no ano passado com o Gil Vicente, que foi a surpresa da temporada e agora passa por muitas dificuldades”, relembra Luís Rodrigues.
“Há esse “estrangulamento” dos treinadores portugueses. Ou eles fazem um bom trabalho final e surge uma boa oportunidade de mercado para eles darem um salto para Braga, ou então Benfica, Porto e Sporting – um salto direto que é cada vez mais difícil. É mais fácil ir lá fora e fazer um bom trabalho. Não é tão visível aqui, mas dá muito mais reputação para depois poderem voltar com outra dimensão”, prosseguiu o jornalista do zerozero.
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Abel Ferreira Palmeiras Total |
181 Jogos
104 Vitrias
43 Empates
34 Derrotas
309 Gols
146 Gols sofridos
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Maior caso de sucesso dos treinadores portugueses nos últimos anos, Abel Ferreira também sofreu com essa dificuldade. O agora bicampeão da Libertadores e campeão brasileiro deixou Portugal quando era técnico do Braga. Mais uma vez, as principais portas não se abriram no mercado interno.
“O Abel Ferreira, apesar de ter ido (embora) através do Braga, que já não é um clube de média dimensão, é um degrau acima, mas foi um pouco isso que aconteceu. Ele não teve o timing, não houve a oportunidade para ele dar o salto para Benfica ou Porto, então ele acabou por sair (para o PAOK). Agora é impensável o Abel Ferreira voltar para Portugal e não ser para um dos três clubes principais”, finalizou Luís Rocha Rodrigues.









