Um brasileiro na Hungria :: ogol.com.br

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Um dia você está nas quadras de Belo Horizonte, no outro viaja entre os ginásios mais improváveis da Europa. Não é exatamente como num passe de mágica, nem tão simples como pode parecer, mas é realidade. Henrique Diniz, ala do Haladás, cumpre o sonho Europeu na Hungria, porém ressalta que não há competitividade como no Brasil.

“Comecei jogando bola na rua, e então um treinador me viu e me deu a oportunidade para jogar numa escolinha. Aí comecei a aprender o esporte e depois e consegui uma bolsa de estudos, num colégio onde estudei durante cinco anos. Lá eu fiz minha base nos estudos e também no futsal, depois fui para o Minas e aí comecei a ver que poderia levar o futsal como meu ganha pão”, contra Henrique, em entrevista a oGol.

O jogador, de 29 anos, se profissionalizou em 2015 pelo São Lucas Paranavaí, do Paraná, e está agora em sua segunda temporada no Haladás. O clube está localizado na pacata cidade de Szombathely, próxima da fronteira com a Áustria. Lá, a mais de 200 quilômetros da capital Budapeste, Henrique conta que encontra o ambiente perfeito para se focar na vida como atleta, após um período de adaptação quanto à cultura, alimentação e a diferente rotina esportiva.

“Tem muita diferença, por exemplo, na quantidade e duração dos treinametos. Aqui treina-se menos do que no Brasil, 1h30, e com menor intensidade. No Brasil, a intensidade é muito maior, os treinos são de 2h, uma de manhã e outra de tarde”, afirma Henrique, ressaltando também a surpresa com o enfoque dos treinamentos na Hungria, muito mais voltadas para o lado tático.

“Hoje eu posso dizer que estou adaptado ao clube. Em fevereiro vai fazer dois anos que estou aqui”, completa.

A mudança para a Hungria, num olhar externo, pode soar um tanto incomum, mas faz parte no futsal, tanto quanto no futebol, do sonho Europeu. Henrique não é o único brasileiro do Haladás, tem por lá os companheiros de equipe Arnon Santos (ala) e Luiggi Baptista (pivô). A transferência para o país se deu após duas boas temporadas com a camisa do Minas, o que chamou a atenção do técnico espanhol Juara.

“Financeiramente, não tem como comparar o futsal brasileiro com o europeu, principalmente pela questão da moeda, do euro. Não diria que 100%, mas a maior parte dos atletas que vêm jogar fora é pela questão financeira, e também, é claro, pelo sonho de jogar na Europa”, afirma.

“Apesar disso, a liga do Brasil, a Liga Nacional de Futsal (LNF), é mais competitiva que muitas ligas europeias. Acontece que essas ligas europeias vão ser muito melhores para o atleta financeiramente. Talvez um atleta vai para um país da Europa sem tradição no futsal, mas vai receber muito mais jogando lá do que na principal liga brasileira”, contrapõe.

Nas quadras da Champions

Quando se mudou para a Hungria, Henrique Diniz não se mudou para um projeto qualquer. O Haladás havia acabado de se sagrar campeão nacional pela primeira vez, classificando-se assim para sua primeira disputa de Liga dos Campeões.

Na primeira temporada da Champions, o Haladás de Henrique chegou como o grande azarão da disputa. Na primeira fase, o time sobrou contra rivais da Albânia, Luxemburgo e Noruega, fazendo o mesmo na segunda fase contra poloneses, suecos e malteses. Contra todas as probabilidades o time chegou no chamado Pavilhão de Elite, onde enfrentou a nata europeia, junto de Benfica (Portugal), Levante (Espanha) e Uragan (Ucrânia).

“O nosso time, comparado aos grandes da Europa, tem um nível um pouco abaixo. Isso porque a Hungria não tem tanta tradição no futsal europeu, mas o nosso time possui os melhores húngaros do país. Termos conseguido ficar entre os oito melhores, pode-se dizer, fomos os azarões. Agora estamos conquistando o respeito”, explica Henrique, autor de seis gols em oito jogos na Liga dos Campeões 2021/22.

A segunda temporada do clube na Champions, esta 2022/23, acabou por não correr tão bem quanto a anterior. Depois da boa temporada passada, o Haladás pulou as fases iniciais das quais havia participado anteriormente, mas desta vez caiu precocemente em um grupo mais uma vez liderado pelo Benfica, uma das princpais potências do futsal global.

“Para mim, particularmente, é um sonho disputar a Liga dos Campeões. É na Champions que você joga contra os melhores do mundo. Para disputarmos essa competição não é fácil, temos que ser campeões nacionais. Costumo dizer para meus amigos e meus familiares que esta é a hora de aproveitar o momento, porque o trabalho foi bem feito”, afirma.

Com contrato até junho de 2023, Henrique Diniz ressalta que, a médio prazo, tem pensamento exclusivo no Haladás. Questionado se a longevidade no país o levaria a considerar jogar pela seleção húngara, como é comum ver atletas brasileiros em seleções de outros países, o ala ressalta que ainda levaria algum tempo para chegar lá.

“Eu não cheguei a ter nenhum convite de naturalização. Aqui eu precisaria jogar, no mínimo, cinco anos para obter essa dupla nacionalidade. Tenho o sonho de ser chamado para a seleção brasileira, mas acho difícil devido a grande concorrência. Se eu ficar por aqui por cinco anos e tiver essa poisibilidade, para mim seria muito bom”, conta Henrique. Entretanto, ele também ressalta que sonha com a oportunidade de jogar na Liga Espanhola ou na Portuguesa, conhecidas por serem as mais competitivas do continente.

Projetado internacionalmente devido as boas atuações na LNF, Henrique, por fim, afirma que sonha, um dia, em voltar para jogar no Brasil. 

“É a liga mais disputada do mundo. Todo ano tem no mínimo oito ou 10 equipes que são favoritas, o que é diferente das ligas da Europa. Aqui, normalmente, tem três ou quatro times, no máximo, que são favoritos e que investem para ser campeões. Acredito que a liga está mudando para melhor, com a oportunidade de ter mais equipes, mais estados… O futsal é um dos esportes mais disputados no Brasil e no mundo, mas não é tão valorizado. Acredito que a liga está fazendo de tudo para valorizar o esporte como ele merece”, conclui.



FONTE: TRIBUNA DE MINAS