O projeto da Visa de financiamento programável com Moedas Digitais de Bancos Centrais (CBDCs, na sigla em inglês) para pequenos e médios produtores agrícolas recebeu elogios do coordenador do real digital no Banco Central, Fabio Araujo. A iniciativa faz parte do Lift, ecossistema do BC para propostas de inovação no setor financeiro.
O projeto da Visa consiste em um mecanismo no qual o produtor combina o preço e a data de entrega de uma determinada commodity para seu cliente e o pagamento deste recebível pode ser adiantado por meio de um leilão executado via smart contract.
“Quem oferece a menor taxa para a antecipação do recebível ganha e o contrato é executado automaticamente”, explica Cristiane Taneze, diretora executiva de inovação da Visa do Brasil.
A transação é possível graças aos aspectos programáveis das moedas digitais, que permitem a liquidação de entrega e pagamento apenas se condições previamente colocadas forem atendidas. Na operação do Lift, a Visa realizou uma transação entre o real digital e a stablecoin atrelada ao dólar USDC por intermédio do Token Não Fungível (NFT) do leilão. A chave para conectar esses diferentes tokens foi uma tecnologia desenvolvida pela empresa chamada Canal de Pagamentos Universal (UPC, na sigla em inglês) voltada a garantir a interoperabilidade do sistema.
“A palavra chave é interoperabilidade. É um projeto bem interessante e bem amplo”, disse Araujo sobre o projeto.
Na elaboração do projeto, a Visa contou com parcerias com a Agrotoken, que colaborou com sua experiência em tokenização das commodities; Microsoft, que realizou o processo de gerenciamento de risco e “conheça seu cliente” (KYC, na sigla em inglês) para checar a identidade dos usuários; e Sinqia, que realizou a integração com o PIX.
Outro projeto de destaque nos debates do Lift foi a da plataforma descentralizada de empréstimos Aave em parceria com a custodiante de criptoativos israelense Fireblocks e a blockchain Polygon. Jorge Ribeiro Borges, diretor comercial da Fireblocks, explicou que é uma proposta de pool de liquidez permissionada na qual o regulador, no caso o BC, colocará os parâmetros de KYC para a Fireblocks que, em seguida, aprova credores e tomadores para que interajam com esses pools e “fechem a ponte entre o mundo das finanças descentralizadas e o mercado regulado”.
“Nós conseguimos fazer com que as carteiras que interagem com o pool sejam somente permissionadas”, contou o executivo. De acordo com ele, há várias soluções sendo testadas com o objetivo de garantir a privacidade das transações. Uma delas é a Polygon ID, que permite aos usuários usarem provas zero-knowledge para interagir com smart contracts.







