O projeto de extensão Meninas digitais UFJF inaugura em abril suas oficinas para desenvolver o pensamento computacional em estudantes de escola pública. O projeto busca mostrar para as adolescentes as possibilidades da carreira na área de tecnologia da informação e comunicação (TIC). A Sociedade Brasileira de Computação (SBC) criou o programa em 2011. São mais de cem projetos parceiros no país, entre eles o da Universidade Federal de Juiz de Fora. Com a realização de minicursos, oficinas, dinâmicas e palestras, as meninas dos ensinos fundamental e médio são incentivadas a descobrir o mundo da ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
A professora Bárbara Quintela, do Departamento de Ciência da Computação da UFJF e coordenadora do projeto, conta que a ideia surgiu a partir da observação do baixo número de meninas nos cursos de graduação da área de ciências exatas e tecnologia, que a motivou a fundar o projeto de extensão. “Na minha turma de graduação, entraram sete meninas entre mais de 60 alunos”, detalha Bárbara.
A Escola Municipal Oscar Schmidt foi a primeira escolhida para o projeto, com as atividades focadas em alunas do 8º e do 9º anos do ensino fundamental. No dia 24 de março, a equipe de bolsistas e voluntárias do projeto foi até a escola para apresentar o projeto para as estudantes e trocar ideias. Em torno de 15 meninas foram à apresentação e dez se inscreveram para participar. As oficinas vão começar no dia 14 de abril, com jogos de tabuleiro e outras atividades que proporcionam o desenvolvimento do pensamento computacional.
“Nós usamos o que é chamado de ‘computação desplugada’ para mostrar que a forma de pensar na resolução dos problemas que usamos na computação não depende do computador”, explica a professora. Tais ações são voltadas, em um maior patamar, para a promoção da igualdade em postos de trabalho nas TICs, pois assim, com o incentivo na escola, mais meninas poderão se interessar pela área, estigmatizada por ser “de homens”.
Bolsista do projeto e graduanda em sistemas de informação, Anna Julia Lucas conta que, através da divulgação do projeto nas redes sociais, o Meninas digitais UFJF busca estabelecer conexão com as estudantes. “Buscamos ampliar o alcance e impacto do projeto, além de conectar a comunidade de meninas interessadas em tecnologia com outras iniciativas que possam ser relevantes para elas. Promovemos oportunidades de aprendizado e networking para as meninas interessadas em Stem (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática)”, afirma Anna.
Falta de incentivo e estigmatização das mulheres
Diversos fatores sociais e culturais podem contribuir para o desinteresse das meninas pela área da tecnologia, como a falta de informação e incentivo para aprender sobre as possibilidades do meio, e o estereótipo de que é uma parte da educação destinada a homens por ser “mais difícil”, requerendo muito tempo e dedicação. Esse último fato está atrelado ao fator de a sociedade ter a mulher como dona de casa apenas, desestimulando-a a estudar e buscar uma carreira profissional, algo implícito até hoje na cultura brasileira e de diversos países, segundo as organizadoras.
Além disso, a falta de modelos femininos para alterar estereótipos e aumentar o interesse na Stem, especialmente entre as pessoas mais jovens, também é um dos fatores apresentados, como exposto no relatório “Uma equação desequilibrada: aumentar a participação das mulheres na Stem na LAC” (Latino-América e Caribe). Com isso, o programa Meninas Digitais seria uma forma de buscar igualdade e quebrar com os estigmas relacionados às mulheres e à área da Stem.
Crescimento
Como forma de valorizar a diversidade na área, muitas empresas de tecnologia estão buscando contratar mulheres. Conforme a pesquisa TIC Domicílios, realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), a participação das mulheres no mercado de trabalho de tecnologia cresceu de 20% em 2015 para 24% em 2020. Para Bárbara, o aumento mostra que as empresas estão começando a entender que a representatividade e a diversidade fazem diferença na qualidade final, pois são profissionais tão capacitadas quanto os homens.







