Na manhã desta quarta-feira (17), o secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais e presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Fábio Baccheretti, concedeu entrevista exclusiva à Rádio Transamérica JF. Na ocasião, falou sobre a política de enfrentamento a doenças em evidência no Estado atualmente, como a dengue, a gripe, a Covid e a meningite.
Em relação à dengue, Baccheretti alerta que 2023 é um ano epidêmico para a dengue, doença que apresenta comportamento específico. “A cada três anos, ela vem muito forte. Chamamos de anos epidêmicos. Não veio em 2022, só em 2023.” Conforme o secretário, já foi ultrapassada a marca de 300 mil casos suspeitos em Minas. O número, avalia, segue elevado e é agravado pela chikungunya.
Baccheretti comenta que o pico da doença foi verificado em abril, devido ao clima quente e chuvoso, sendo observada uma tendência de queda. Conforme o secretário, o Estado já vinha se preparando em 2021 e 2022 para a realidade vivenciada agora. “Somando os dois anos, foram quase R$ 200 milhões repassados aos municípios para o combate, além de treinamento da nossa equipe.”
“A biofábrica Wolbachia, que vai produzir mosquitos (conhecidos como “mosquito do bem”) para conter o avanço dessas doenças, deve ser construída nesse semestre, e a expectativa é que fique pronta em 15 meses. Assim, no final do ano que vem já teríamos os primeiros sendo entregues ao meio ambiente, para inativar o vírus da dengue. Além disso, estamos otimistas de que o Instituto Butantã anuncie a vacina contra a doença em 2023 ou 2024. Isso vai mudar completamente o nosso enfrentamento aos vírus transmitidos pelo mosquito.”
Gripe
O secretário falou, também, sobre a baixa adesão da população em relação à vacina contra a gripe. “Infelizmente, ainda vemos pessoas insistindo em não vacinar. Os grupos prioritários – idosos, trabalhadores da saúde e pessoas com vulnerabilidades – não aderiram à vacina contra Influenza da forma que gostaríamos, então ampliamos o público. Afinal, não queremos vacina parada se há pessoas que acreditam na ciência querendo se imunizar. Não chegamos a 30% do público-alvo. Estamos próximos de um período de frio e, quem não está vacinado, especialmente idosos, vão sofrer mais com as infecções. Quem não estiver protegido, tem risco maior”, alerta.
Covid
Outro imunizante com baixa adesão é o bivalente contra a Covid. “Está baixíssima. Só vamos conseguir vencer o coronavírus por completo com a vacinação. O novo imunizante é moderno, já tem a cepa Ômicron associada à original, e a vacina está sobrando. Não por acaso, já aumentamos o público inteiro – agora está para as pessoas acima de 18 anos. Também não chegamos a 30% dos idosos contemplados, sendo que é o público mais vulnerável”, lamenta o secretário.
Meningite
Em relação à meningite, outra doença em pauta no estado, Baccheretti destaca a autorização da Anvisa para produção de vacina meningocócica ACWY no país, em parceria entre a Fundação Ezequiel Dias (Funed) e a Bio-Manguinhos/Fiocruz, com transferência tecnológica da farmacêutica GSK. “Essa ação vai fortalecer a cobertura. Minas Gerais ampliou a vacinação com a meningocócica C para todo o público acima de 16 anos. A ACWY atualmente é destinada ao público específico dos adolescentes. Ela é mais moderna por cobrir mais tipos (A, C, W e Y).”
O secretário acredita que a baixa adesão é multifatorial. “Um ponto que é novidade e não enfrentávamos com tanta intensidade são as fake news. Com as redes sociais, as notícias falsas chegam às pessoas rapidamente. ‘Vacina altera DNA’, ‘mata pessoas de infarto’ e ‘aumenta trombose’ são algumas. Precisamos combater com informação. O segundo é que as pessoas agem por medo. Quem não tem medo de pegar a doença deixa o imunizante de lado. Quando os casos aumentaram, as pessoas foram atrás.
Quando diminuíram, elas deixavam de se vacinar. Um exemplo da necessidade é a poliomielite. As gerações que passaram por ela sabem da importância”, relembra.
Operacionalização do piso da enfermagem
Baccharetti ainda divulgou alguns dos assuntos tratados na última reunião do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). “Minas Gerais se planejou em relação a doenças respiratórias, mas tem estados sofrendo. Estamos buscando essa troca de experiências para passar como fizemos e ajudar no enfrentamento. Já oferecemos transferência de crianças, pois temos leitos disponíveis aqui e empréstimo de equipamentos.”
Conforme o presidente do conselho, também há preocupação com a operacionalização do piso da enfermagem. “O Conass concorda que o enfermeiro deve ser valorizado, mas nos preocupamos com o impacto disso, principalmente nos hospitais filantrópicos. Estamos buscando, junto ao Governo federal, uma forma de viabilizar sem pesar a sustentabilidade dessas instituições. Em Minas Gerais, cerca de 80% dos serviços são feitos por esses hospitais.”
O secretário também destacou a cobrança por mais recursos para cirurgias eletivas, para zerar a fila, e uma organização da rede de saúde. “Buscamos fortalecimento da atenção primária e da média complexidade. São muitos temas, mas o importante é que estamos conseguindo bons frutos”, conclui.







