O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, chega aos Estados Unidos nesta quarta-feira em uma visita “histórica” que deve girar em torno de novos acordos de defesa, enquanto as duas nações reforçam os laços militares para se contrapor a China.
A viagem contará com um banquete na Casa Branca e um discurso no Congresso dos EUA, fazendo de Modi o primeiro premiê indiano a falar duas vezes perante ao legislativo americano. Além de se reunir com o presidente Joe Biden, ele deverá se encontrar com líderes do setor privado, como o presidente da Tesla, Elon Musk.
Modi já esteve nos EUA várias vezes desde que assumiu o cargo em 2014, mas a visita de três dias que começa nesta quarta-feira representa a primeira visita de Estado oficial de um líder indiano desde a visita do ex-premiê Manmohan Singh em 2009, durante o governo de Barack Obama.
Ao deixar a Índia, na manhã desta terça-feira, primeiro com destino a Nova York, Modi disse que a viagem é “um reflexo do vigor e vitalidade da parceria entre as nossas democracias”.
Os dois países estão “colaborando para promover nossa visão compartilhada de um Indo-Pacífico livre, aberto e inclusivo”, disse Modi em um comunicado. “Juntos, somos mais fortes para enfrentar os desafios globais.”
O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse neste mês que a visita de Modi é “histórica” e “solidificará ainda mais o que o presidente Biden chamou de ‘relação definidora’ do século XXI”.
A viagem de Modi se dá depois que a Índia e os EUA finalizaram neste mês um acordo para a cooperação na indústria de defesa, durante uma visita do secretário de Defesa americano, Lloyd Austin, a Nova Déli.
As duas maiores democracias do mundo são parte do “Quad”, um grupo de segurança que também inclui o Japão e a Austrália e que busca reforçar a cooperação no Indo-Pacífico para conter o crescente poder econômico e militar da China.
A viagem de Modi, que inclui um jantar de Estado na quinta-feira, deverá resultar em novos acordos de defesa como uma parceria entre a General Electric e a estatal indiana Hindustan Aeronautics, para a produção conjunta de motores para o caça Tejas, fabricado na Índia, segundo fontes.
Outro possível acordo permitirá à Índia comprar drones armados fabricados pela General Atomics, da Califórnia, para aumentar a capacidade de vigilância da Índia, especialmente ao longo da disputada fronteira com a China no Himalaia, que foi cenário de um confronto mortal entre soldados chineses e indianos em 2020.
A Rússia é a maior fornecedora de equipamentos de defesa da Índia, sendo responsável por quase metade dos suprimentos militares do país, mas Nova Déli está tentando diversificar as importações de armas e reforçar a fabricação local de equipamentos de defesa.
“A visita do premiê Modi aos EUA será um divisor de águas, uma vez que os EUA decidiram aumentar a relação com a Índia nos campos econômico, tecnológico e militar, buscando reduzir a assimetria com a China e ajudá-la a enfrentar ameaças recorrentes em sua fronteira com a China”, disse Yogesh Gupta, um ex-embaixador indiano e secretário do Ministério das Relações Exteriores.
Além dos acordos sobre os motores de caças e drones, Gupta disse que os dois países também deverão firmar pactos sobre a produção conjunta de sistemas de mobilidade terrestre, munições inteligentes, bem como cooperação e rastreamento rápido em Inteligência Artificial (IA), segurança cibernética, espaço, supercomputadores, tecnologia quântica e outras.
Gupta, ex-enviado principal da Índia para a Dinamarca, disse que as relações entre a Índia e os EUA estão amadurecendo, pois ambos se veem como parceiros de longo prazo “com uma convergência de perspectivas sobre ameaças à paz e segurança no Indo-Pacífico, explorando novos alinhamentos estratégicos no Oriente Médio e outras regiões; uma maior integração de suas bases industriais de defesa; cadeias de suprimentos resilientes e buscando novas oportunidades de cooperação política, econômica e estratégica”.
Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia — Foto: Rafiq Maqbool/AP







