O ministro Luis Felipe Salomão, do STJ, que comanda a Corregedoria Nacional de Justiça, desembarca hoje em Curitiba para apurar, pessoalmente, se existem irregularidades na 13ª Vara Federal – a responsável pela Operação Lava-Jato. A viagem faz parte da “correição extraordinária” instaurada em 30 de maio.
Interlocutores afirmaram à coluna que Salomão decidiu ir até o Paraná para ouvir servidores da vara e deve retornar amanhã para Brasília.
Uma das pessoas que deve prestar depoimento ao ministro é a juíza Gabriela Hardt, que substitui o titular da vara, Eduardo Appio. Ele foi afastado do cargo em maio pelo Conselho do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região.
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Gabriela Hardt também atuava como substituta na época em que o senador Sergio Moro (União Brasil) era o juiz responsável pela 13ª Vara Federal de Curitiba. Ela também esteve no comando depois de Moro desistir da magistratura.
Fontes revelaram à coluna que não é comum o próprio corregedor participar das oitivas. Essa função costuma ser desempenhada por juízes auxiliares. E, nesse caso, existem pelo menos três.
A presença de Salomão, segundo interlocutores, deve-se à gravidade das denúncias que chegaram ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Uma das mais preocupantes envolve a destinação dos valores que foram arrecadados nos acordos de colaboração da Lava-Jato.
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Nesta semana, o jornal Folha S. Paulo revelou que o juiz Eduardo Appio afirmou em depoimento sigiloso ao CNJ que estava investigando o destino de R$ 3,1 bilhões quando foi retirado do cargo.
Esses recursos foram depositados por empresas e delatores em nome da 13ª Vara Federal de Curitiba. O juiz desconfiava que a maior parte tinha sido distribuída sem critérios e sem obedecer às regras do CNJ. Ele teria descoberto, ainda segundo a publicação, que no mês de fevereiro havia cerca de R$ 200 milhões de saldo somente.
Appio foi afastado do cargo por suspeita de ter telefonado e feito ameaças ao advogado João Eduardo Malucelli, filho do desembargador Marcelo Malucelli. João Eduardo é namorado da filha mais velha de Moro e seria também sócio no escritório do senador.
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A “correição extraordinária” instaurada pelo ministro Salomão também atinge a 8ª Turma do TRF-4, da qual o desembargador Marcelo Malucelli faz parte. A coluna apurou, no entanto, que Salomão não irá acompanhar a apuração em Porto Alegre, onde fica a sede do tribunal.
Ministro Luis Felipe Salomão — Foto: Luiz Silveira/Agência CNJ







