Crianças que sobreviveram na selva colombiana deixam hospital | Mundo

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As quatro crianças indígenas resgatadas na selva amazônica na Colômbia, em 9 de junho, receberam alta na noite de quinta-feira (13) após um mês de atendimento em um hospital militar, informou nesta sexta-feira (14) o órgão estadual de proteção à infância, que terá a custódia temporária dos menores.

“Eles recuperaram peso, na verdade estão muito bem”, disse Astrid Cáceres, diretora do Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar (ICBF), em entrevista coletiva. Desde que militares e indígenas os resgataram, em junho, os irmãos Mucutuy, de 13, 9, 5 e 1 ano, estavam internados em um hospital das Forças Armadas de Bogotá. Segundo Cáceres, não há sequelas físicas dos 40 dias em que eles vagaram pela selva amazônica, onde foram parar após um acidente de avião em que morreram sua mãe e outros dois adultos.

Até o bebê Cristin, que tinha menos de um ano quando o avião caiu, em 1º de maio, está “completamente recuperado em termos de desenvolvimento físico”, acrescentou a funcionária. Até agora, são conhecidos apenas vídeos do momento em que um grupo de indígenas os encontrou entre a vegetação.

No hospital, as crianças receberam tratamento especial e foram alimentadas com preparações típicas do povo Uitoto, como farinha de mandioca. O ICBF informou que terá autoridade sobre os menores durante pelo menos seis meses, uma vez que “é necessária mais investigação sobre o estado do contexto e enquadramento familiar” das crianças.

Após o resgate, houve uma briga entre os avós maternos e o pai dos dois filhos menores sobre quem ficaria com a guarda. Segundo denúncia do avô, o homem espancava a mãe. Enquanto isso, eles vão morar juntos com outras crianças em um abrigo do ICBF, cuja localização não foi divulgada. Cáceres garantiu apenas que vão estar numa zona rural, onde vão sse sentir ‘à vontade’. “Começa a segunda fase desta operação, que é cuidar e protegê-los até que tenhamos ambientes seguros de atendimento e proteção”, acrescentou.

O pai das crianças assegurou que eles corriam o risco de serem recrutados por guerrilheiros dissidentes das FARC que não se desmobilizaram em 2017. Apesar dos rumores, Cáceres descartou que eles tenham tido contato com algum grupo ilegal na área onde as forças públicas e os indígenas encontraram seus rastros. O governo protegeu zelosamente os irmãos da exposição na mídia. O presidente, Gustavo Petro, anunciou recentemente que está preparando um documentário sobre essa odisséia.

FONTE: GLOBO.COM