O governo dos Estados Unidos planeja enviar bombas de fragmentação (chamadas de cluster, em inglês) para a Ucrânia em um novo pacote de ajuda militar a Kiev. O armamento espalha pequenas bombas em uma ampla área e deverá ajudar a Ucrânia a fortalecer posições durante a ofensiva contra Rússia que ocorre neste momento.
O anúncio oficial deve acontecer nesta sexta-feira (7), quando a Casa Branca irá anunciar que concedeu uma renúncia nas leis de exportação de armas dos EUA para liberar o envio do armamento.
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A Ucrânia vem fazendo pedidos reiterados por mais armas para seus aliados e o Pentágono disse que as bombas de fragmentação poderão ser eficazes quando empregadas contra tropas russas e formações blindadas, assim como contra trincheiras. A Rússia usou bombas de fragmentação desde o primeiro dia da invasão em fevereiro de 2022, segundo organizações de direitos humanos.
As munições “seriam úteis, especialmente contra posições russas entrincheiradas no campo de batalha”, disse Laura Cooper, funcionária sênior do Departamento de Defesa, ao Congresso no mês passado.
Grupos de direitos humanos dizem que fragmentos não detonados podem mutilar ou matar civis muito após o fim do conflito, o que, inicialmente, deixou o Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca relutante em aprovar o envio.
A possibilidade dos armamentos ajudarem nos esforços da Ucrânia em um estágio crítico do conflito tem influenciado a opinião no governo e de alguns advogados, no Capitólio, a favor do envio.
Os defensores da decisão também dizem que o fornecimento de bombas de fragmentação reduziria a dependência da Ucrânia de projéteis de artilharia de 155 mm, dos quais os EUA têm oferta limitada.
Mais de 110 países assinaram uma Convenção Internacional sobre bombas de fragmentação que proíbe o uso, transferência, produção e armazenamento de bombas de fragmentação. Mas a lista de signatários contém ausências notáveis.
Os EUA, Ucrânia, Rússia, China, Índia, Paquistão e Coreia do Sul não assinaram a convenção. Nem a Estônia, Finlândia, Letônia, Polônia, Romênia, Turquia nem a maioria dos países do Oriente Médio.
De acordo com o relatório global Cluster Munition Monitor 2022 da Human Rights Watch, as bombas de fragmentação disparadas pelas forças russas causaram pelo menos 689 mortes de civis na Ucrânia. As forças russas atacaram 10 regiões ucranianas com centenas de bombas de fragmentação, enquanto as forças ucranianas usaram foguetes munidos de bombas de fragmentação em pelo menos duas ocasiões, disse o grupo.
Em 2008, o Pentágono disse que os EUA só usariam bombas de fragmentação depois de 2018 se a taxa de insucesso fosse inferior a 1%. Mas o governo Trump alterou essa política em 2017, dizendo que esse tipo de armamento poderia ser eficaz contra as forças inimigas que operam em grandes áreas.
Em novo pacote de ajuda militar a Kiev, o governo dos Estados Unidos planeja enviar bombas de fragmentação (chamadas de cluster, em inglês) à Ucrânia — Foto: AP Photo/Jacquelyn Martin






