O Reino Unido assinou no domingo (16) um acordo para ingressar no Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica (CPTPP) em Auckland, Nova Zelândia, formalizando sua adesão como o primeiro novo membro do bloco comercial de 11 nações, embora os analistas vejam pouco impacto econômico a partir do acordo.
O principal beneficiário óbvio é a Malásia, que deve aumentar as exportações de óleo de palma isentas de tarifas para o Reino Unido, de até 12% agora, assim que o pacto entrar em vigor.
Espera-se que o acordo dê à economia do Reino Unido um impulso marginal de 1,8 bilhão de libras (US$ 2,36 bilhões), ou 0,08%, em 15 anos, com base na própria avaliação de Londres em abril de 2021.
“O impacto parece principalmente cosmético, para o Reino Unido mostrar que fez um acordo comercial após o Brexit”, disse Chris Devonshire-Ellis, presidente da Dezan Shira & Associates, uma empresa de consultoria que trabalha com investidores em toda a Ásia. “Ninguém na Ásia está levando o pacto muito a sério.”
O governo britânico, porém, está empenhado em promover o pacto, observando que o bloco Ásia-Pacífico representa meio bilhão de pessoas e responde por 12% da economia global. No entanto, o Reino Unido já tem acordos de livre comércio com nove dos 11 estados membros, muitos dos quais foram prorrogados desde quando o Reino Unido era membro da União Europeia (EU).
Desde que o Reino Unido votou para deixar a UE em junho de 2016, o governo conservador tem procurado assinar acordos com outros países e regiões para tentar cumprir a promessa de campanha de saída de “benefícios do Brexit”, embora nenhuma parceria pudesse realisticamente compensar a perda do comércio sem atrito com seu vizinho mais próximo e o maior bloco comercial do mundo.
“Estamos usando nosso status como uma nação comercial independente para ingressar em um bloco comercial vibrante, crescente e voltado para o futuro, que ajudará a expandir a economia do Reino Unido e aumentar as centenas de milhares de empregos que as empresas do CPTPP já sustentam em todo o mundo”, diz um comunicado divulgado pelo Departamento de Negócios e Comércio do Reino Unido, citando o secretário de Comércio, Kemi Badenoch, que apoiou a saída do Reino Unido da UE.
O comércio com os membros do CPTPP representa cerca de 6,8% do comércio total do Reino Unido, com exportações britânicas para os países do CPTPP no valor de 60,5 bilhões de libras no ano até setembro de 2022. A adesão ao pacto deve aumentar o comércio com os membros do CPTPP em 3,3 bilhões de libras.
O comunicado de imprensa do governo diz que a adesão ao CPTPP “deve turbinar ainda mais o investimento no Reino Unido”, embora não tenha fornecido números para respaldar isso. O investimento dos países do CPTPP no Reino Unido foi de 182 bilhões de libras em 2021.
Uma avaliação de impacto e um cronograma detalhado de acesso ao mercado devem ser publicados nos próximos dias.
Devonshire-Ellis disse que a Ásia não está esperando pela adesão do Reino Unido com grande estusiasmo. “Há pouca expectativa da Ásia sobre o CPTPP, exceto talvez ganhos comerciais políticos e setoriais a serem obtidos com a negociação de acordos agrícolas ligeiramente melhores com o Reino Unido do que os acordos existentes já em vigor”, disse ele.
O Reino Unido e a Malásia devem publicar uma declaração conjunta sobre comércio sustentável de commodities agrícolas e cooperação na conservação de florestas. Como os países ainda não possuem um acordo comercial bilateral, o CPTPP trará uma “redução drástica de tarifas ainda no primeiro ano de entrada em vigor para os países parceiros”, disse Juita Mohamad, diretor da unidade de economia e negócios no think tank malaio Instituto para a Democracia e Assuntos Econômicos.
“Os exportadores da Malásia recebem a plataforma para negociar e investir com e no Reino Unido para expandir seu mercado fora do país”, disse ela. No entanto, grupos ambientalistas já expressaram preocupação de que as salvaguardas ambientais britânicas sejam muito frouxas para evitar o desmatamento na cadeia de abastecimento de óleo de palma.
Além do óleo de palma, alguns analistas dizem que a região poderia receber mais investimentos do Reino Unido em setores como manufatura avançada, saúde, inovação digital e sustentabilidade, bem como finanças.
“Mais expectativa do lado asiático reside em um possível aumento do investimento estrangeiro direto na Ásia pelas empresas do Reino Unido, mesmo que não seja uma consequência direta do compromisso sob o CPTPP”, disse Fukunari Kimura, economista-chefe do Instituto de Pesquisa Econômica do Sudeste e Leste Asiático.
Para a Grã-Bretanha, o CPTPP permitirá exportações de uísque isentas de tarifas para a Malásia, cuja população é majoritariamente muçulmana, dentro de 10 anos a partir dos atuais 80%. Dentro de sete anos, a tarifa de exportação de 30% para carros britânicos será eliminada.
O CPTPP foi assinado por Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Cingapura e Vietnã em 2018, um ano depois que os Estados Unidos se retiraram da Parceria Trans-Pacífico (TPP), bloco que foi o precursor do CPTPP. Cada um dos 11 países agora precisa ratificar a adesão do Reino Unido antes de entrar em vigor, o que está previsto para o segundo semestre de 2024.







