A diminuição, pelo menos por ora, dos temores de interferência na Petrobras davam fôlego para as ações da petroleira e, consequentemente, para o Ibovespa, que tenta encerrar sequência de 11 pregões consecutivos em queda. Às 12h20, enquanto o índice subia 0,60%, aos 116.864 pontos, as ações ordinárias e preferenciais da estatal avançavam 3,55% e 2,82%, respectivamente.
Depois de a empresa reajustar os preços dos combustíveis e afirmar que informações sobre negociação de acordo com a União, no contexto das regras do PL do Carf, eram “infundadas”, a Petrobras iniciou a sessão em alta. Ganhou ainda mais força após o presidente da companhia, Jean Paul Prates, afirmar no Senado que realizará quantos reajustes forem necessários nos preços dos combustíveis, mesmo sem seguir a paridade de preços internacional.
Ademais, o Bradesco BBI elevou a recomendação das ações da petroleira de neutra para compra e manteve o preço-alvo das ações preferenciais em R$ 38. O analista Vicente Falanga escreve que os aumentos de combustíveis anunciados pela Petrobras na terça-feira foram robustos e surpreendentes, o que deve resultar em uma geração incremental de caixa de aproximadamente 7% ao ano.
O banco acredita que boa parte desse aumento nos combustíveis vai se traduzir em dividendos, uma vez que mesmo com aumento provável de US$ 8 bilhões em investimentos no próximo plano estratégico, ainda vai sobrar muito caixa. “Com o aumento de preço, vemos o retorno via dividendos da Petrobras potencialmente variando de 17% a 27% em 2024 (dependendo do pagamento extraordinário), muito acima da média global da indústria, de 10%”, comenta.
Como o governo federal tem a necessidade de equalizar o déficit fiscal e qualquer acordo com a Petrobras para liquidar passivos fiscais dependeria de aprovação dos minoritários, uma forma mais simples é liberar recursos via dividendos. Falanga nota ainda que o aumento nos preços dos combustíveis não causou grandes reações políticas negativas, mostrando que provavelmente estava em consonância com os desejos relacionados aos resultados das contas públicas.







