O leste da Antártica sofreu onda de calor mais “extrema” já registrada, em março de 2022, com temperaturas na região cerca de 38,5 °C acima da média para o período do ano. Dados estão em relatório publicado na revista científica Frontiers in Environmental Science e que recebeu apoio do governo do Reino Unido.
Segundo o levantamento, o evento foi causado por um “rio atmosférico”, um fluxo de ar quente que vem do sul da Austrália carregando calor e umidade a grandes distâncias. Fenômeno chegou à Antártica em março de 2022, mas houve também outros fatores exógenos de longo prazo.
“É preciso de mais pesquisas para quantificar a contribuição antropogênica para a gravidade do evento de março de 2022 e até que ponto podemos esperar eventos semelhantes no curto prazo e no futuro”, escreveram os pesquisadores no relatório. O continente sofre com eventos extremos desde pelo menos 2016, quando o mar de Weddell sofreu com grande perda de gelo.
Caso essa diferença na média de temperatura acontecesse na cidade de Londres, a capital britânica poderia atingir temperaturas de até 60 °C, disse Martin Siegert, professor de glaciologia da Universidade de Exeter e líder do estudo, ao “Financial Times” (FT).
Devido ao aumento da média de temperatura da região, a recuperação das áreas congeladas na Antártica está acontecendo em ritmo mais baixo do que o normal.
Atualmente, a área da Antártica recongelada no inverno é de cerca de 14,7 milhões de quilômetros quadrados – 1,4 milhão a menos que no ano passado, que foi uma mínima histórica. Neste ano, a região perdeu cerca de 2,4 milhões de quilômetros quadrados de gelo na comparação com a média das últimas cinco décadas. Caso essa área fosse um país, seria o 10º maior do mundo.







