FT: Na contramão das concorrentes, Carlsberg aumenta vendas | Empresas

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A Carlsberg elevou sua previsão de lucro para 2023 graças ao desempenho “sólido” no primeiro semestre, contrariando a tendência de vendas decepcionantes no setor de cervejas.

A empresa dinamarquesa anunciou crescimento de 5,2% no lucro operacional na primeira metade do ano, muito acima das expectativas dos analistas, de 0,5%. A cervejaria, também dona das marcas Tuborg e Kronenbourg e da cidra Somersby, divulgou que as vendas comparáveis cresceram 11,2% em valor e 0,8% em volume.

O aumento no volume, embora tenha ficado um pouco abaixo das previsões dos analistas, de 1,2%, contrasta com as quedas registradas pelos concorrentes Heineken e AB InBev e com a do setor de bens de consumo como um todo, uma vez que as empresas encontraram dificuldade para manter as vendas depois de elevar preços para repassar os custos inflacionados.

Em julho, a rival holandesa Heineken reduziu a previsão de lucro anual, após as vendas em volume terem recuado 5,4% no primeiro semestre, em razão do “impacto acumulativo da definição dos preços”, de acordo com a empresa.

A AB InBev manteve suas projeções para o ano, mas anunciou uma queda de 1,4% nas vendas em volume. A cervejaria viu uma queda drástica nas vendas nos Estados Unidos, depois de uma ação de marketing envolvendo uma influenciadora transgênero ter levado a uma reação contrária conservadora.

As ações da Carlsberg fecharam o pregão desta terça-feira (15) em alta de 1,9%, com o anúncio da nova projeção de ganhos.

A empresa elevou sua previsão de lucro operacional para uma faixa de crescimento entre 4% e 7%, antecipando-se à divulgação do resultado semestral, marcada para esta quarta-feira. A faixa anterior de projeções variava entre queda de 2% e crescimento de 5%.

O CEO da Carlsberg, Cees ’t Hart, deve enfrentar uma enxurrada de perguntas, durante a teleconferência de resultados, a respeito da situação da subsidiária russa da cervejaria, a Baltika, que foi confiscada pelo Kremlin e colocada sob controle estatal em julho. Taimuraz Bolloev, amigo de longa data de Putin que dirigiu a Baltika nos anos 90, foi nomeado diretor.

Em junho, a cervejaria informou a existência de um comprador para a unidade, sem identificá-lo, e advertiu que teria uma baixa contábil de US$ 1,4 bilhão com a venda. A Carlsberg tem mais exposição à Rússia do que qualquer outra cervejaria internacional.

A Heineken também encontrou um comprador para seus negócios na Rússia e declarou recentemente que a empresa registrou até agora uma perda total de 201 milhões de euros pela deterioração no valor de ativos em função de sua saída parcial do mercado russo.

A Carlsberg também anunciou nesta terça-feira um programa de recompra de ações no valor de 1 bilhão coroas dinamarquesas (US$ 147 milhões).

(Tradução de Sabino Ahumada)

FONTE: GLOBO.COM