O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, conversou com o ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten sobre o conjunto de joias de diamante apreendido pela Receita Federal, assim que o caso veio à tona, em março deste ano. Numa troca de mensagens, Cid escreveu: “O pior é que está tudo documentado”.
Wajngarten, que é advogado e também integra a defesa de Bolsonaro em alguns casos, respondeu: “Eu nunca vi tanta gente ignorante na minha vida”. O ex-secretário não diz a quem se refere. O diálogo foi revelado pela colunista Juliana Dal Piva, do portal Uol, que teve acesso a mensagens trocadas entre eles entre março e abril.
Mauro Cid é investigado por suspeita de participar de um esquema de venda ilegal de presentes valiosos recebidos por Jair Bolsonaro de autoridades estrangeiras durante seu mandato.
O diálogo com Wajngarten começa com o envio da reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo” que, em 3 de março, revelou a existência de um kit de joias que teria sido dado pelo governo saudita ao presidente da República. O item foi entregue à comitiva liderada pelo então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, em 2021. Na ocasião, a comitiva não declarou às autoridades a posse das joias, como é exigido pela legislação para bens de valor superior a US$ 1 mil.
Após a queixa de Wajngarten ao ler a reportagem, Cid faz o comentário de que “o pior é que está tudo documentado”. O ex-secretário pede então ao ex-auxiliar para explicar o que está documentado. Cid responde, mas apaga as mensagens na sequência, o que impossibilitou a leitura pela jornalista.
Em outro momento, o ex-ajudante diz que Bolsonaro só soube da existência daquele kit de diamantes no fim de 2022. Wajngarten faz uma série de perguntas sobre outras joias e sobre o acervo presidencial. Meses depois, a Polícia Federal descobriu que um outro kit de joias foi negociado nos Estados Unidos, conforme revelado pela Operação Lucas 12:2, em agosto.
Ainda em março, o ex-secretário defendeu que as joias fossem entregues ao Tribunal de Contas da União (TCU) – o que foi determinado pelo próprio TCU dias depois e cumprido pela defesa de Bolsonaro. “Tem que devolver imediatamente. É impressionante como ninguém pensa”, escreveu Wajngarten em 9 de março.
A defesa de Mauro Cid não se manifestou sobre o teor do diálogo. Wajngarten, que não é investigado no caso, preferiu não comentar. Ambos prestaram depoimento à Polícia Federal nesta semana no inquérito que trata da venda de joias. Jair Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também foram chamados a depor, mas optaram por ficar em silêncio.
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