O crescimento “expressivo” do número de trabalhadores ocupados e a queda na busca por trabalho ajudam a explicar a queda na taxa de desemprego no terceiro trimestre de 2023, segundo a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Adriana Beringuy.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do terceiro trimestre mostrou que a taxa de desemprego caiu para 7,7%, o menor nível desde o trimestre encerrado em fevereiro de 2015 (7,5%).
No terceiro trimestre, o país tinha 8,316 milhões de desempregados, uma queda de 3,8% frente ao trimestre anterior (331 mil pessoas a menos). É o menor contingente desde o trimestre móvel encerrado em maio de 2015, quando era de 8,290 milhões).
Já o número de trabalhadores ocupados cresceu 0,9% no trimestre e atingiu 99,838 milhões, recorde para toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 2012.
“A queda na taxa de desocupação foi induzida pelo crescimento expressivo no número de pessoas trabalhando e pela retração de pessoas buscando trabalho no terceiro trimestre de 2023”, afirma ela.
Beringuy destaca que foi o segundo trimestre seguido de redução na taxa de desemprego, o que significa uma retomada ao padrão sazonal do mercado de trabalho, quando geralmente ocorre um aumento de desempregados no início do ano – com dispensa de trabalhadores de vagas temporárias do fim do ano – e posterior redução.
“É a segunda queda consecutiva no indicador [taxa de desemprego]. Começamos o ano com aumento, como é o comportamento da série nos últimos anos. Mas sazonalmente, à medida que o ano vai avançando, há uma tendência de queda. Esse comportamento só não foi observado em 2015, 2016 e também em 2020, que foi o primeiro ano da pandemia”, diz.
A coordenadora do IBGE ressalta a diferença entre a taxa de desemprego no terceiro trimestre de 2020, quando era de 14,9%, para este terceiro trimestre de 2023. “Saímos de um terceiro trimestre em 2020, em quase 15% da população estava desocupada, para três anos depois chegarmos a 7,7%, quase metade disso”, nota.
Neste momento, diz Beringuy, há simultaneamente expansão da população ocupada e recuo da população desempregada. “As duas populações que compõem a força de trabalho estão se movimentando numa direção que propicia a redução da taxa de desocupação”, afirma.
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