Ataque antigo a Maradona reacende debate sobre postura anti-Argentina de Milei | Mundo

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Apesar de ter começado o segundo turno na Argentina angariando apoios importantes, como da terceira colocada Patricia Bullrich e do ex-presidente Mauricio Macri, o candidato da extrema direita à Casa Rosada, Javier Milei, tem enfrentado críticas nos últimos dias por sua estratégia – não muito nova – de atacar os símbolos do país.

O mais recente episódio, que na verdade é de 2016, foi refrescado nesta segunda-feira (30) por admiradores de Diego Armando Maradona (1960-2020), um dos mitos argentinos, quando uma antiga postagem de Milei no Twitter – rede rebatizada de X – com insultos ao ex-jogador ganhou sobrevida. Com um quadro que compara os números e títulos da carreira do argentino com o do brasileiro Pelé, Milei ainda ataca Maradona pelo seu histórico de consumo de drogas.

A repercussão do antigo tuíte, que mobilizou a imprensa e virou tema da campanha, ocorreu exatamente no dia de aniversário (30 de outubro) de Maradona, morto há quase três anos e que faria ontem 63.

Apesar de ter apoiado um presidente de direita – Carlos Menem – na Argentina dos anos 1990, Diego Armando Maradona sempre foi identificado com a esquerda e em especial o kirchnerismo. O ex-jogador sempre foi um fiel defensor de líderes latino-americanos como o venezuelano Hugo Chávez, o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o cubano Fidel Castro. O argentino tinha uma tatuagem do rosto de Fidel na perna direita, enquanto no braço direito ostentava o rosto do compatriota Ernesto “Che” Guevara.

O rival de Milei no segundo turno, o peronista Sergio Massa, ministro da Economia do atual governo, tem explorado na campanha declarações do oponente, em diferentes momentos, contra símbolos e personalidades argentinas. Ao discursar logo após o primeiro turno, Massa disse que a Argentina “não é um país de merda”, como Milei faz questão de sustentar publicamente.

O candidato de extrema direita apresentado como “libertário” ou “anarcocapitalista” não respondeu, até o momento, sobre os ataques de 2016 a Maradona. Esses têm sido dias difíceis para a campanha de Milei. Ele foi criticado por parte de seu eleitorado mais radical por ter abraçado a casta política que tanto atacou ao receber os apoios de Bullrich e Macri.

Ele ainda se mostrou confuso e errático em entrevistas no fim de semana, quando chegou a reclamar ao vivo de rumores em seu ouvido ao ser entrevistado por um jornalista dentro de um estúdio fechado de TV.

“Ele foi desconstruído de maneira muito negativa nessas entrevistas, enquanto Sergio Massa conta com um aspecto psicológico positivo em razão da vitória no primeiro turno”, afirma o cientista político Andrei Roman, do Atlas Intel, sobre os primeiros dias de campanha no segundo turno – a votação será no dia 19 de novembro. O instituto prepara para esta semana uma pesquisa sobre a intenção de votos em que aferirá, também, o peso do apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro a Milei entre os eleitores do país vizinho.

Milei tem enfrentado críticas por estratégia de criticar símbolos do país — Foto: Natacha Pisarenko/AP
Milei tem enfrentado críticas por estratégia de criticar símbolos do país — Foto: Natacha Pisarenko/AP

FONTE: GLOBO.COM