Adquirindo o papel de filhos dentro de casa, animais exigem preparo emocional no momento da despedida
Se antes era comum ouvir ”adota outro que melhora” ou então ”era só um animal, não tem motivo para você estar assim”, hoje, vivenciar o luto por um pet recém-falecido tem sido cada vez mais normalizado. Não é uma tarefa fácil olhar para uma cama pet e se dar conta de que o companheiro de quatro patas não está mais vivo.
Lidar com a perda de alguém próximo é um processo que exige tempo e apoio, e cada pessoa encontra seus próprios recursos para viver o luto da forma necessária. Quando falamos de perder um animal de estimação, a sensação pode sim ser comparada à perda de alguém próximo, ainda mais considerando o papel de integrantes da família que cães, gatos, aves e outras espécies conquistam aos poucos.
De acordo com um estudo recente, 70% dos brasileiros têm seus animais de estimação como filhos, integrando o grupo dos ”pais de pet” (Opinion Box/2023). Outro levantamento indica que o Brasil fica entre os três primeiros países com mais pets — 21% dos donos de cachorros se classificam como casais sem filhos, e em relação aos gatos, esse número é de 25% (Comac/2022).
Sendo assim, é possível entender porque empresas passam a oferecer plano de saúde para os pets de seus funcionários ou ainda benefícios como folga em situações como perda de um animal em casa. Atualmente existe um projeto de Lei 221/2023 que prevê até três ausências anuais para donos de animais em caso de morte e comprovação legal.
O que a psicologia diz sobre o luto?
Existem diversas interpretações para o processo de luto, que muda conforme a cultura e até mesmo o perfil psicológico de cada pessoa. De forma simples, o luto é um processo que envolve inúmeros sentimentos, ocorrendo após uma situação de perda significativa, que pode ser a morte de uma pessoa, um animal de estimação ou até mesmo um emprego.
O luto é reconhecido como um processo necessário e saudável, por meio do qual a pessoa reinterpreta a realidade a partir da ausência do que foi perdido, reorganizando atividades do dia a dia conforme o tempo. Para muitas pessoas, o luto pode ser traumático, exigindo acompanhamento psicológico e de grupos de apoio. Geralmente, rituais de despedida (nem sempre associados a religiões) têm papel importante na aceitação do luto.
Diferenças entre o luto animal e o luto humano
O ser humano também é uma espécie animal, mas por fatores como linguagem, cultura e a própria mente, o luto ganha camadas de complexidade diferentes do restante dos seres vivos. Como falamos anteriormente, os animais ocupam como nunca o lugar de membros da família, tratados como filhos, irmãos e primos, tendo até mesmo uma rede de amigos própria.
Ao perder um companheiro de estimação, é importante entender que eles possuem um tempo de vida menor se comparado aos humanos. Donos de pets com idade avançada ou problemas de saúde agravantes devem trabalhar a concretude da perda desde cedo, minimizando o impacto no emocional e também na rotina.
Embora não existam estudos que comprovem a relação de mudança de comportamento em animais com o luto, é possível identificar alguns pontos. Principalmente cães, ao sentirem a ausência repentina de outro animal da casa, tendem a comer menos, dormir mais e procurar o outro pet pela casa.
Uma pessoa que possui mais de um animal de estimação em casa e passa pela perda de algum deles pode tornar o processo de luto mais confortável para ambos. Em muitos casos, o pet que permanece com você irá pedir mais atenção, e isso pode ser um momento de acolhimento mútuo.
Por mais difícil que seja, o indicado é vivenciar o luto por completo, entendendo essa fase como uma transição e aproveitando para agrupar boas memórias do antigo pet. Assim como acontece com as pessoas que visitam seus mortos, use a data da perda para homenagear o animal falecido, transformando a perda em uma oportunidade de reviver os melhores momentos ao lado dele.
FONTE: GEAR SEO







