O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Cappelli, afirmou, nesta quinta-feira (11), que não pediu demissão do cargo. Em postagem nas redes sociais, disse que vai sair de férias e que retorna para colaborar com a transição na pasta, que será comandada pelo ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski.
“Não pedi demissão. Vou sair de férias com a minha família e voltar para colaborar com a transição no Ministério da Justiça e Segurança Pública. União e Reconstrução”, escreveu ele na rede social X (antigo Twitter).
Lewandowski foi escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para substituir o atual titular da pasta, Flávio Dino (PSB-MA), que deixará o ministério para ocupar uma vaga no Supremo, aberta com a aposentadoria da ministra Rosa Weber.
O anúncio já era esperado desde o começo da semana, mas demorou mais que o previsto porque o governo ainda não definiu o destino de alguns dos principais secretários do Ministério da Justiça, entre eles Cappelli.
Braço direito de Dino desde o Maranhão, Cappelli teve papel crucial na crise detonada pelos atos golpistas de 8 de janeiro do ano passado. Ele foi nomeado interventor do governo na Segurança Pública do Distrito Federal.
Lewandowski já avisou que faz questão de indicar uma pessoa próxima a ele como número dois da pasta. O nome do futuro secretário-executivo, inclusive, já é ventilado nos bastidores. Trata-se do advogado baiano Manoel Carlos de Almeida Neto, que pode assumir justamente a secretaria comandada por Cappelli.
Manoel foi um dos primeiros assessores de Lewandowski no Supremo, onde ocupou o cargo de secretário-geral. Também foi braço direito do então ministro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Atualmente, ele é diretor jurídico da Companhia Siderúrgica Nacional.
Antes de deixar a cadeira de ministro do STF, em abril do ano passado, Lewandowski tentou emplacar o ex-assessor, a quem considera como alguém da família, como ministro da Corte. Na época, Lula escolheu, no entanto, o nome de Cristiano Zanin, seu advogado nas Operação Lava-Jato.
Diante desse quadro, o Palácio do Planalto chegou a ventilar a possibilidade de deslocar Cappelli para outro cargo dentro do próprio ministério, mas ele indicou a aliados que não vai aceitar ser indicado para assumir um cargo menor, como o de titular na Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), posto que chegou a ser oferecido a Cappelli.
Na prática, o cargo na Senasp é considerado menor do que o de secretário-executivo na hierarquia federal, o que significaria o rebaixamento dele na estrutura da pasta. Além disso, essa mudança seria brusca demais para alguém que se destacou como interventor após os atos golpistas de 8 de Janeiro.







