Confiança do comércio tem alta mais forte em 5 meses, diz FGV | Brasil

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A confiança do empresariado do comércio no começo do ano mostrou a alta mais forte em cinco meses, impulsionada por uma maior esperança de melhora no cenário macroeconômico — e, com isso, nas condições de compra do brasileiro —, segundo Geórgia Veloso, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), ao falar sobre a alta de 1,2 ponto no Índice de Confiança do Comércio (Icom) em janeiro, para 90,5 pontos. Além de ser a mais forte alta desde agosto de 2023 (1,4 ponto), levou o indicador para maior pontuação desde outubro de 2022 (94,9 pontos).

Ao detalhar o comportamento do indicador entre dezembro de 2023 e janeiro, a especialista frisou que a melhora no humor do empresariado no início de 2024 foi impulsionada por esperança de futuro. O Índice de Expectativas (IE), um dos dois subindicadores componentes do Icom, subiu 3,7 pontos em janeiro – enquanto o Índice de Situação Atual (ISA) caiu 1,5 ponto, esse mês.

Na prática, observou Veloso, o empresário do comércio entende que o cenário de vendas, hoje, não está bom – mas pode melhorar no médio e longo prazo.

“A melhora na confiança não foi disseminada e sim difusa”, notou a técnica. “A confiança [em alta em janeiro] de maneira geral foi impulsionada por dois segmentos, hipermercados e outros produtos varejistas. As áreas mais dependentes de crédito não apresentaram melhora [na confiança]” detalhou ela.

No caso de vendas a crédito, um dos aspectos que mais contribuem como freio para transações do tipo é o ainda elevado patamar de juros de mercado. A especialista comentou que, mesmo com começo de corte na taxa básica de juros (selic), no segundo semestre do ano passado – a selic norteia juros de mercado -, o efeito da selic menor na economia real demora. Há uma defasagem de em torno de seis meses a oito meses.

Por isso, continuou ela, o empresário do comércio espera juros menores em cenário de médio e longo prazo, o que pode ajudar nas compras a prazo e, por consequência, impulsionar vendas do varejo.

Ao mesmo tempo, a especialista notou que ocorreram sinais discretos de melhora, na margem, nos indicadores de endividamento e de inadimplência, no fim do ano passado. Mesmo com a melhora, esses dois indicadores ainda operam em patamares elevados, no começo do ano. Mas a técnica não descarta continuidade de melhora, ao longo de 2024, o que pode contribuir para elevar vendas no comércio, notou.

Ao ser questionada se todos esses aspectos poderiam contribuir para nova alta no Icom, no próximo resultado de fevereiro, ela foi cautelosa. A especialista observou que todos esses aspectos têm impacto mais em horizontes de médio e longo prazo, ao longo de 2024 – e não em curto prazo. “Podemos ter novamente confiança sustentada pelas expectativas [em alta]” admitiu. No entanto, a economista ressaltou que um movimento de alta sustentável, na confiança do empresário varejista, só seria possível caso o ISA e o IE mostrassem altas de forma simultânea. “Precisamos ver com cautela essa alta do Icom de janeiro”, avaliou.

Rua de comércio popular no Rio — Foto: Roberto Moreyra/Agência O Globo
Rua de comércio popular no Rio — Foto: Roberto Moreyra/Agência O Globo

FONTE: GLOBO.COM