Diretor demitido da Abin diz que compartilhou dados sobre programa espião com a PF | Política

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Demitido ontem do cargo de diretor-adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alessandro Moretti se defendeu hoje da suspeita de ter participado de um esquema de espionagem ilegal dentro do órgão. Em nota, ele afirmou que a apuração sobre o uso do programa espião FirstMile começou durante sua gestão como diretor-geral em exercício da agência. Ele disse ter compartilhado esses dados com a Polícia Federal.

Moretti e mais quatro integrantes da Abin foram exonerados ontem, diante de suspeitas de que funcionários do órgão agiam em conluio com o ex-diretor-geral da instituição Alexandre Ramagem, hoje deputado federal pelo PL do Rio. Ramagem foi alvo de uma operação de busca e apreensão da Policia Federal na semana passada suspeito de comandar um esquema de espionagem ilegal na Abin durante o governo Jair Bolsonaro. A operação chegou na segunda-feira ao vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), que também foi alvo de busca e apreensão.

Ontem, horas antes da exoneração, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que, se ficassem comprovadas as acusações contra Moretti e a sua relação com Ramagem, não haveria “clima” para ele permanecer no posto.

“Venho a público para esclarecer que, após minha determinação, na época como diretor-geral em exercício, é que foram iniciados os trabalhos de apuração interna relacionados ao uso de ferramenta, com a instauração de sindicância investigativa pela Corregedoria-Geral”, afirmou Moretti na nota. “Todo o material probatório coletado e produzido pela Abin foi compartilhado com a Polícia Federal, que também teve atendidas todas suas solicitações à Agência. Por esta razão, grande parte do material que instrui o inquérito da PF é fruto da apuração conduzida com total independência na Abin.”

Moretti lembrou ainda que “a Abin se encontra em fase de transição, após deixar de ser subordinada ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e passar a integrar a estrutura da Casa Civil da Presidência da República” – uma decisão tomada no primeiro ano do governo Lula.

Diretor-adjunto da Abin, Alessandro Moretti — Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Diretor-adjunto da Abin, Alessandro Moretti — Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Diversas medidas foram adotadas e muitas outras estão sendo implementadas pela atual gestão para a modernização da gestão da agência, o que garantiu, inclusive, a citada apuração ampla e independente”, afirmou.

Moretti, que e delegado da PF, defendeu ainda a continuidade da Abin e que o conhecimento estratégico difundido pela agencia e “indispensável para o País e essencial para a proteção de nossa sociedade”, além de ser “produzido por profissionais altamente capacitados e compromissados”.

Leia abaixo a integra da nota de Alessandro Moretti:

“Ao deixar o cargo de Diretor Adjunto da Agência Brasileira de Inteligência – ABIN, venho a público para esclarecer que, após minha determinação, na época como Diretor-Geral em exercício, é que foram iniciados os trabalhos de apuração interna relacionados ao uso de ferramenta, com a instauração de sindicância investigativa pela Corregedoria-Geral. Todo o material probatório coletado e produzido pela ABIN foi compartilhado com a Polícia Federal, que também teve atendidas todas suas solicitações à Agência. Por esta razão, grande parte do material que instrui o inquérito da PF é fruto da apuração conduzida com total independência na ABIN.

Importante lembrar que a ABIN se encontra em fase de transição, após deixar de ser subordinada ao Gabinete de Segurança Institucional – GSI e passar a integrar a estrutura da Casa Civil da Presidência da República. Diversas medidas foram adotadas e muitas outras estão sendo implementadas pela atual gestão para a modernização da gestão da Agência, o que garantiu, inclusive, a citada apuração ampla e independente.

Nenhum país, em especial uma nação continental como o Brasil, pode prescindir de uma Inteligência profissional e cumpridora dos princípios que regem o Estado Democrático de Direito. O conhecimento estratégico difundido pela ABIN, indispensável para o País e essencial para a proteção de nossa sociedade, é produzido por profissionais altamente capacitados e compromissados. O fortalecimento da ABIN, como instituição de Estado, deve ser uma busca constante, e não dispensa o reconhecimento e respeito aos seus dedicados servidores.

Agradeço a oportunidade de trabalhar nesta Agência que tanto respeito e de ter podido contribuir com seu processo de modernização, do modo como sempre atuei nos meus 33 anos de serviço público, na proteção da sociedade brasileira, como servidor de Estado. Meu especial agradecimento ao Dr. Luiz Fernando Corrêa, Diretor-Geral da ABIN, pela confiança e profissionalismo.”

FONTE: GLOBO.COM