O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou agora à noite que o modelo de autonomia do Banco Central (BC) brasileiro está sendo “muito desafiador”, porque foi “além do recomendado” pela experiência internacional.
“O nosso modelo de autonomia foi um pouco além do que a experiência internacional recomendaria, na minha opinião”, disse em entrevista ao programa Roda Viva, da “TV Cultura”, na noite desta segunda-feira (22).
“Avançar dois anos do mandato do presidente eleito talvez tenha sido um excesso, talvez se avançasse um ano, já que o presidente (da República) não vai poder demitir o presidente do Banco Central”, complementou.
Apesar da crítica, o ministro disse que não está colocada no momento uma revisão do modelo de autonomia do BC, apesar de ele ter se mostrado favorável à mudança no mandato do presidente da autoridade monetária.
“Discussão sobre mudança no modelo da autonomia não está colocado. O que eu fiz referência é que o modelo brasileiro é diferente do resto do mundo. O Roberto Campos Neto não sai do churrasco da Granja do Torto, está tudo em paz”, brincou Haddad.
Questionado sobre a escolha do novo presidente do BC, já que o mandato de Campos Neto vence em dezembro de 2024, Haddad disse que a decisão ficará para o meio do ano. “O presidente convidou os quatro diretores que ele indicou para serem diretores, evidentemente que um deles pode ser designado para presidente, ou o presidente convidar uma pessoa que ainda não está no Banco Central. Eu penso que isso vai ficar mais para o meio do ano”, disse.
O ministro analisou, ainda, que houve uma azedada do ambiente externo no segundo semestre do ano passado, mas que o início do ciclo de corte de juros no exterior vai favorecer o Brasil.







