Aliados do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, avaliam que a operação da Polícia Federal contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) busca “estrangular o bolsonarismo” e tenta fragilizar candidaturas de políticos da direita nas disputas municipais, entre elas, a do próprio parlamentar, que tem seu nome apresentado para a corrida pela prefeitura do Rio de Janeiro.
Mais cedo, Ramagem foi alvo da operação Vigilância Aproximada, que apura a utilização da ferramenta de espionagem FirstMile pela Agência Brasiliera de Inteligência (Abin).
A PF suspeita que a Abin usou o software para monitorar, ilegalmente, autoridades públicas e cidadãos comuns durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na época, Ramagem chefiava a agência.
A operação desta quinta-feira foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na semana passada, o magistrado deu aval para uma ação da PF contra o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), outro aliado de Bolsonaro, como consequência de uma investigação sobre os atos antidemocráticos.
Para interlocutores de Valdemar e outras lideranças do PL, a tendência é que a PF siga em uma escalada contra outros nomes próximos do ex-presidente.
“Eles querem passar a imagem de que estão fechando o cerco contra Bolsonaro. Assim, tentam estrangular o bolsonarismo e avaliam que conseguirão enfraquecer todas as candidaturas que estejam associadas a ele”, pontua uma liderança do PL.
Internamente, Ramagem é considerado o principal adversário do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que concorrerá a reeleição em outubro. Já Jordy é apontado como o nome mais forte da direita na disputa pelo comando da prefeitura de Niterói.
Monitoramento ilegal na Abin atingiu ministros do STF e outras autoridades
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Valdemar Costa Neto diz que operação é ‘perseguição’ a Bolsonaro
Fontes próximas a Valdemar rejeitam a tese de que o dirigente do PL teme impactos nas candidaturas. A leitura interna é que as operações corroboram para a tese de que aliados do Bolsonaro são perseguidos, o que pode contribuir para que eles vençam “como candidatos contra o sistema”.
Além da perseguição contra o entorno de Bolsonaro, o PL cobra publicamente que os chefes do Legislativo tomem providências em relação a operações contra os gabinetes dos parlamentares.
Correligionária de Ramagem, a deputada Bia Kicis (PL-DF) disse que a investigação contra o deputado é um desrespeito ao Parlamento.
O senador Magno Malta (PL-ES) afirma que Ramagem é algo de uma “perseguição política implacável”.
O deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) acredita que, com a ação, “está óbvio que o sistema dominado por narcotráfico e corrupção não quer permitir alternativas”.




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