Com o avanço da inteligência artificial e a criação de ferramentas que processam a linguagem natural, será que é possível usar a IA para fazer uma referência profissional e enviar para vagas de emprego? Para João Marcio Souza, CEO da Talenses Executive e fundador do Talenses Group, do setor de recrutamento executivo, a IA pode ser usada para criar carta de recomendação profissional, otimizando o trabalho do RH e dos gestores.
O uso, no entanto, deve ser feito apenas por empresas e não por candidatos. Segundo o especialista, o candidato não deve criar uma carta de recomendação usando IA, mesmo que seja para unir textos de locais onde trabalhou. Souza explica que isso seria uma alteração da referência original da companhia, e modificar o conteúdo em uma IA é manipular a informação.
Apesar de poucas vagas exigirem atualmente carta de recomendação durante as seleções, alguns especialistas explicam que algumas empresas ainda solicitam o documento como uma das etapas do processo seletivo.
De acordo com a professora de gestão de pessoas da Fundação Getulio Vargas (FGV), Vanessa Cepellos, a carta serve para identificar o desempenho do profissional em relação às competências requeridas em uma experiência de trabalho anterior.
Souza explica que, de forma geral, o processo comum para vagas de todos os níveis pode usar a carta de recomendação profissional, enquanto o envio de referências profissionais ainda está muito ligado aos cargos de liderança, como gerência, diretoria, presidência.
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“A partir da carta de recomendação, o contratante irá verificar a aplicação dos conhecimentos, habilidades e atitudes do candidato. [Por meio do documento] é possível ter acesso a informações sobre as competências técnicas, comportamentais, emocionais e, até mesmo, de relacionamento. A carta de recomendação certifica que o candidato cumpre os requisitos da vaga, portanto confere mais credibilidade”, explica Cepellos.
A emissão da carta ainda é uma conduta aplicada, na maioria das vezes, em casos de demissões amigáveis, como explica Souza. “Por exemplo, quando uma companhia precisa reduzir o quadro e demite um talento, a empresa se coloca à disposição e faz a carta”, relata. Cepellos descreve o documento como uma forma de a empresa apoiar o ex-funcionário em um processo de recolocação.







