Por: Bruna Bozano
Já é um consenso entre neurocientistas que o cérebro humano busca a repetição como melhor forma para executar tarefas monótonas ou rotineiras.
Essa é a forma que o órgão mais importante para a vida humana encontrou de poupar energia e evitar precisar reaprender a fazer algo que já tenha feito anteriormente.
A princípio, não há problema algum nisso. Muito pelo contrário. É interessante saber que quem aprendeu a andar de bicicleta não precisará reaprender a fazer isso caso fique alguns anos sem pedalar.
Se há algum ponto negativo nessa habilidade cerebral de insistir na repetição das formas de fazer as coisas, é o fato de que o ser humano pode se acomodar e deixar de buscar modos mais inteligentes, funcionais ou mais benéficos para realizar suas atividades do cotidiano.
O piloto automático fica ativado e, em alguns casos, a evolução acontece de forma muito mais lenta do que poderia acontecer, caso o indivíduo escolhesse pensar sobre os atos que irá realizar, ao invés de, simplesmente, repetir o padrão já instaurado em sua vida.
Vale dizer que isso vale para hábitos e, também, para crenças.
Muitas histórias são repetidas incansavelmente, geração a geração, porque fica mais fácil repetir do que testar ou pesquisar sobre algo que já se tornou, de certa forma, consensual.
“Comer manga com leite faz mal. Farinha de milho engorda mais que pão. Tomar água morna de manhã faz bem. Beber água com limão em jejum ajuda a emagrecer.”
Há afirmações que são feitas há dezenas de anos e que acabam sendo levadas a sério por muita gente que nunca se deu ao trabalho de fazer uma breve pesquisa.
Algumas são verdadeiras. Outras, não.
Parece razoável se acomodar com uma resposta apenas pelo fato de que ela já “passou de geração em geração”?
Para o cérebro, a resposta é sim! Saber de algo (mesmo que não correto) é muito mais fácil do que não saber, e a intenção do nosso organismo é poupar energia. Pesquisar é um trabalho extra, contra intuitivo para o cérebro, mas é o que faz com que as pessoas se tornem mais inteligentes.
Jovens saem na frente
Pessoas jovens sentem menos dificuldade em quebrar padrões.
Como nasceram há menos tempo, essas pessoas ainda não repetiram tantas vezes certas atividades quanto pessoas que têm o dobro de suas idades.
Além disso, quem nasceu após o ano 2000 encontrou um mundo com mudanças muito mais velozes do que quem nasceu nos anos 80, por exemplo.
A rapidez em que ocorrem as mudanças tecnológicas ajuda os jovens a se acostumarem ao fato de que não se pode estar agarrado a um hábito, pois logo ele se tornará obsoleto e atrasado.
Isso, no entanto, não é o bastante para evitar que aconteça a padronização de comportamento. É, apenas, uma forma de reciclar esses padrões com menos dificuldade do que o que ocorre com pessoas mais velhas.
Evoluções Fáceis
Há situações em que quebrar padrões de comportamento é algo realmente complexo e pode parecer, até mesmo, sem sentido.
Em outros casos, porém, há uma vantagem clara ao fazer uma reformulação no modo de pensar ou agir.
O primeiro obstáculo para realizar mudanças, quase sempre, será a famigerada preguiça, e isso é uma reação natural do cérebro, dizendo: “Já aprendi a fazer isso. Por que você quer fazer de outro jeito?”
A resposta, em alguns casos, é simples: “Porque há formas melhores de fazer isso”.
Modos melhores de fazer
Algumas mudanças simples na forma de fazer as coisas podem gerar economia de tempo e de dinheiro, maior satisfação e sucesso pessoal e profissional, maior controle sobre a própria rotina e, ainda, criar novas sinapses cerebrais, fazendo com que a mente se torne mais ativa e mais propensa a elaborar novas soluções para problemas e situações complexas.
Mudanças fáceis para começar a re-pensar
Existem várias formas de fazer o cérebro desenvolver novas sinapses e começar a entender que há diversas maneiras de resolver problemas ou realizar tarefas, mas a maioria dos métodos mais comuns não traz um benefício imediato.
Escovar os dentes com a mão esquerda (no caso de destros), tomar banho com a luz apagada, sentar em uma posição diferente no sofá (ou em outro local), e mudar o local onde guarda certas coisas, são algumas das formas de começar a treinar o cérebro e mantê-lo vivo e “esperto” ao longo dos anos. Mas, se o que importa é conseguir alguma vantagem imediata ao fazer as coisas de formas diferentes, algumas sugestões podem incentivar à mudança.
Tecnologias inteligentes
Não são poucas as pessoas que enxergam a tecnologia como algo assustador, ameaçador e perigoso, mas, ainda assim, estão totalmente dependentes do seu uso, diuturnamente.
Computadores, smartphones e assistentes virtuais são o que há de mais básico no mundo atual, e se não há uma forma de viver sem pelo menos um deles, é mais coerente aproveitá-los da forma mais eficiente e eficaz possível ao invés de enxergá-los como vilões.
A Evolução
Comunicação:
Encontrar alguém (pelo menos, no Brasil) que não tenha WhatsApp, hoje em dia, é uma missão bastante complexa de se realizar.
O aplicativo se tornou uma revolução na forma de se comunicar e mudou, para sempre,a história da telefonia.
Sobre isso, não há dúvidas e nem há o que se discutir. Porém, após sua criação, novos apps foram sendo lançados, otimizando e aperfeiçoando as funções do tão famoso aplicativo.
O Telegram, por exemplo, ganhou espaço na vida de muitas pessoas que decidiram não se acomodar na forma mais tradicional e óbvia de comunicação da atualidade.
Quem instalou o Whatsapp GB atualizado 2023 também tem vivido uma experiência mais completa de comunicação, não se restringindo àquilo a que já se estava acostumado.
Os apps são bem parecidos com o WhatsApp tradicional, porém oferecem mais funções e possibilidades. Em especial, aquelas que os usuários gostariam que a Meta (empresa que controla o aplicativo) implementasse, e que até hoje não foram incluídas entre suas funcionalidades.
Enquanto muita gente já se permitiu experimentar essa troca ou, pelo menos, conhecer as outras opções disponíveis no mercado, há quem sinta preguiça e receio só de se imaginar fazendo isso.
A resistência é, em grande parte, o cérebro dizendo “não preciso de uma forma nova de fazer o que já faço todo dia” e se recusando a gastar energia para aprender algo novo.
E não é só quando se trata de aplicativos e softwares que há resistência a novas experiências.
Praticidade Financeira
Nos últimos anos, a forma de utilizar bancos mudou quase que absolutamente.
Frequentar agências bancárias para fazer depósitos, pagar boletos, receber salários e realizar outras transações está se tornando cada vez mais incomum e, se até o momento, este tipo de operação ainda acontece de forma presencial, isso se dá, em grande parte, pelo fato de que ainda existem pessoas resistentes à mudança.
Alguns resistem por questões relacionadas à idade e à dificuldade de criar um relacionamento mais próximo com a tecnologia, mas muitos outros, que já conseguiriam utilizar internet banking ou apps de bancos, também resistem em adotar os novos métodos como principais formas de relacionamento bancário, apesar de já estarem, ainda que não queiram, completamente envolvidos no uso dessas tecnologias.
Quem já passou um cartão em uma maquininha Ton, Moderninha ou Pagseguro, já se rendeu a pagamentos digitais. Em algum momento, deixou para trás (na grande maioria dos casos) os inconvenientes talões de cheques e, aceitou o fato de que os cartões não serviam mais, apenas, para serem utilizados em caixas eletrônicos.
Agora, há muito mais evolução nesses meios de pagamentos, e muita gente que ainda não aderiu às novidades pode estar sendo resistente pelo tal do “hábito de repetição do cérebro”.
Poucas pessoas podem dizer que nunca perderam um cartão de débito ou crédito em algum lugar, mas mesmo assim, só uma minoria pode afirmar que já não se preocupa mais em carregar o cartão no bolso, bolsa ou carteira.
O desafio da mudança de comportamento que pode tornar a vida das pessoas mais práticas é o uso do smartphone como meio de pagamento.
A maioria dos celulares, hoje, já oferece a possibilidade de pagamento por aproximação. Basta cadastrar os cartões de crédito utilizados em uma carteira digital, como a Samsung Pay, por exemplo, e nunca mais será necessário se lembrar de onde deixou o cartão antes de sair de casa, ou se preocupar se ele caiu do bolso ou algo assim.
Ainda há outros facilitadores, como tags de estacionamento ou de pagamentos em movimento, como a tag Sem Parar, por exemplo.
Quem viaja com frequência, pode nunca mais precisar pegar uma fila de pedágio, instalando um simples adesivo no próprio carro.
Por que fazer tudo do mesmo jeito que era feito há anos atrás? Apenas por costume? Não é uma boa resposta.
Compras
Não é razoável alegar que a forma que as pessoas realizam compras atualmente seja a mesma de 10 ou 20 anos atrás. De fato, houve uma mudança substancial.
Desde que os primeiros e-commerces foram lançados, um movimento de compras digitais foi iniciado, e até hoje continua em expansão.
Comprar online foi se tornando um hábito de muitas pessoas que nem sonhavam em fazer uma compra fora do mercado tradicional, porém, é interessante ressaltar que inúmeras delas não tinham planos de fazer isso.
A Pandemia foi um fator de enorme relevância para o crescimento do e-commerce e de todo tipo de venda online, visto que o comércio tradicional ficou fechado durante mais de um ano.
A necessidade de adaptação levou muita gente a realizar suas primeiras compras pelo computador ou celular, rompendo, nesses casos, a possibilidade de manter o padrão já aprendido pelo cérebro.
Mudaram as circunstâncias, então, naturalmente, foi necessário criar um novo modo de agir.
Agora, com o mundo já livre das garras de um dos maiores traumas da história da humanidade, o novo hábito ficou implementado. Comprar online se tornou algo cotidiano na vida de inúmeras pessoas, mas ainda há um padrão.
A maioria das pessoas nunca imaginou que seria possível enxergar os brechós como algo luxuoso, elegante e moderno.
A velha imagem de brechós empoeirados e escuros ainda prevalece na mente de muitas pessoas, e rejeitar a ideia de fazer a compra de um item usado por outra pessoa também é um padrão comportamental. O cérebro não fará sozinho o trabalho de mudar de ideia. É preciso se colocar de forma intencional diante da possibilidade.
As compras em brechós online, por exemplo, já são uma tendência internacional.
O público fashionista, mais próximo do cenário da moda global, já entende que é uma decisão muito mais inteligente comprar uma bolsa Yves Saint Laurent usada pouquíssimas vezes, por metade do preço de uma nova, do que arcar com impostos de importação, custos de câmbio e outros relacionados aos estabelecimentos que possuem exclusividade para a venda desse tipo de marca.
Muita gente, no entanto, nunca imaginou que isso seria possível e, imaginando, jamais se colocou diante da experiência. O motivo? Ainda que não possa parecer, é o fato de que o cérebro está condicionado a fazer compras do jeito que sempre fez.
Comprar algo novo é comum. Comprar algo que já foi utilizado, ainda que uma ou duas vezes, por outra pessoa, pode ser uma experiência totalmente nova e, por isso, enfrentar algumas objeções do próprio cérebro.
Romper o padrão pode levar a novos hábitos, mais responsáveis social, ambiental e economicamente.
Quem está pronto para pensar um pouco mais antes de agir, conhece benefícios e aproveita oportunidades que quem utiliza o piloto automático do cérebro, talvez, nunca possa experimentar.







