Faturamento em tecnologia desacelera no Brasil, mas inteligência artificial deve dar novo impulso | Empresas

0
27

O faturamento dos setores de tecnologia da informação e telecomunicações somou R$ 707,7 bilhões em 2023, representando 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O crescimento desacelerou bastante: o faturamento teve alta nominal de 5,9% em 2023, e nos três anos anteriores, de 11,9%.

Os dados são da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), que representa 77 empresas do setor.

O crescimento menor em 2023 é um ajuste após um avanço muito forte, impulsionado pela transformação digital de empresas de diversos setores, ocorrida no auge da pandemia da covid-19, quando as pessoas ficaram isoladas em suas casas, usando mais a internet.

Entre 2024 e 2027, a associação projeta um total de R$ 729,4 bilhões investidos em transformação digital no país, com um avanço médio de 19,4% ao ano, segundo dados da consultoria IDC.

A inteligência artificial (IA) é uma das protagonistas dos novos investimentos. Somente em 2024, R$ 8,3 bilhões (US$ 1,6 bilhão na cotação de US$ 5,17 considerada pela IDC) serão destinados a plataformas de análises de dados e IA.

A projeção de investimentos em algoritmos inteligentes é a terceiro maior da área de tecnologia neste ano, após os gastos de R$ 8,8 bilhões (US$ 1,7 bilhão) previstos para cibersegurança e de outros R$ 8,8 bilhões voltados a projetos de internet das coisas (IoT), informa a IDC.

Entre os segmentos que compõem o relatório, o de empresas de tecnologia da informação e comunicação (TIC) registrou o maior faturamento (R$ 348,2 bilhões), com crescimento nominal de 8,5%, em relação a 2022.

Empresas de telecomunicações faturaram R$ 285,2 bilhões em 2023, alta de 2,7% em base anual, e empresas de serviços de tecnologia incorporados em outros setores como bancário, de energia, saúde etc., faturaram R$ 74,3 bilhões, alta de 6,4% em base anual.

Brasil na 10ª posição em TI e telecomunicações

O Brasil é o 10º maior mercado de TIC e telecomunicações do mundo. O ranking é liderado pelos Estados Unidos, com faturamento de R$ 8,4 trilhões (US$ 1,63 trilhão considerando o dólar a R$ 5,17) em 2023. Na sequência estão a China, com faturamento de R$ 2,8 trilhões (US$ 548,4 bilhões), e o Japão, com resultado de R$ 1,2 trilhão (US$ 231,7 bilhões).

O faturamento de TIC e telecomunicações no Brasil representou 30% do resultado da América Latina, em 2023. A região faturou R$ 2,36 trilhões em 2023, alta de 8,5%, em base anual.

As vendas de equipamentos (hardware) no Brasil somaram R$ 107,4 bilhões em 2023, queda de 15,4% em base anual, mas ainda representaram a maior parcela (31%) do resultado de TIC do país.

O segmento de serviços, que gera 30% da receita do setor no Brasil, faturou R$ 104,3 bilhões no ano passado, alta de 32,9% em relação a 2022.

A receita de modelos de computação em nuvem, incluindo software, infraestrutura e plataformas como serviço, somou R$ 46,5 bilhões, no ano passado, um crescimento de 25,1% ante 2022. Neste período, as exportações de software geraram receita de R$ 46,2 bilhões em 2023, alta de 9,1% em base anual, e as vendas de software alcançaram R$ 43,8 bilhões, aumento de 21,6%, em base anual.

As empresas de TIC e telecomunicações empregaram 2,05 milhões de pessoas em 2023, aumento de 1,4%, ou 29,2 mil empregos gerados, em relação ao ano anterior. O volume de contratações avançou de forma mais tímida em relação a 2022, quando foram geradas 116,9 mil novas vagas, aumento de 6,1% em relação 2021.

Das pessoas que trabalham em empresas de TIC (1,18 milhão de profissionais) no país, 31,7% (mais de 374,9 mil pessoas) atuam diretamente na área de tecnologia. Deste grupo, 71,7% trabalham com desenvolvimento de sistemas e 10,7%, com suporte.

O salário médio de profissionais dos segmentos de software e serviços de alto valor foi de R$ 5.186,00, em 2023, uma queda de 5,2% no valor médio em relação a 2022. Na sequência, a remuneração média dos profissionais de TIC (R$ 4.299,00) recuou 2%, em base anual.

FONTE: GLOBO.COM