Lula tem desferido uma saraivada de ataques ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Em uma recente entrevista, o petista afirmou que, ao indicar o próximo presidente da instituição, vai construir uma “nova filosofia” sobre a política de juros no País.
Apesar da retórica do presidente, que custou R$ 0,20 na alta do dólar ante o real só nesta semana, Tony Volpon avalia que há uma dissonância entre o que é dito e o que é feito pelo governo. “Por mais que Lula fique atacando o Banco Central, ele não fez nada até hoje verdadeiramente heterodoxo. No meio de toda essa polêmica, o governo publicou o sistema de meta contínua de inflação, de maneira extremamente ortodoxa, perfeita. É algo técnico e um endurecimento em relação ao que existe hoje”, afirmou o ex-BC.
A adoção do sistema de meta contínua de inflação foi acordado em uma reunião no Palácio do Planalto entre Lula, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e Gabriel Galípolo. Chamado de “menino de ouro” pelo presidente, o diretor, inclusive, contrariou o governo federal na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e votou pela manutenção da taxa básica de juros em 10,50%.
“Honestamente, seria melhor para todos que Galípolo já assumisse para acabar com essa insubstancial guerra retórica contra o Banco Central, que não muda nada na prática”, declarou Tony Volpon.”Galípolo já é o cara [que será indicado por Lula em dezembro para substituir Campos Neto]. Vamos admitir o óbvio”.







