Netanyahu optou por guerra em vez de cessar-fogo no Líbano

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Israel insiste que a sua guerra é contra o Hezbollah e em resposta aos ataques do grupo desde o atentado terrorista do Hamas em 7 de outubro do ano passado. Até o começo de setembro, essa narrativa israelense estava próxima da realidade, apesar de algumas nuances. Por exemplo, o Hezbollah lançou ataques iniciais contra as Fazendas de Shebaa, um território sírio, segundo a ONU, reivindicado pelo Líbano e anexado ilegalmente por Israel. Os israelenses responderam contra o território libanês e, comente depois disso, a milícia xiita ampliou suas ações para o Norte de Israel.

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Nesse primeiro momento, Israel alvejava acima de tudo as forças militares do Hezbollah dentro das regras de engajamento entre os dois lados na qual para cada ção há uma reação proporcional e comunicada. Ao longo os primeiros 11 meses de embate, o governo de Benjamin Netanyahu insistia para o Hezbollah suspender os ataques. Assim, dezenas de milhares de israelenses poderiam voltar para as suas casas no norte do país. O grupo xiita libanês, apoiado pelo Irã, condicionou uma trégua no confronto na fronteira do Líbano com Israel a um cessar-fogo em Gaza. Sem acordo, os dois lados seguiram se enfrentando.

Os EUA e a França, junto com o governo libanês, tentaram mediar um acordo mais definitivo para o conflito. Não houve avanço até o início de setembro, quando Netanyahu decidiu escalar ao alvejar com mais intensidade lideranças do Hezbollah. Depois, realizou o ataque clandestino com a explosão de pagers, ferindo milhares de integrantes do grupo e centenas de civis. A etapa seguinte foi uma gigantesca campanha de bombardeios, com cerca de 600 libaneses mortos em apenas um dia, incluindo dezenas de crianças no dia 23 de Setembro – dois adolescentes brasileiros também foram mortos.

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Diante da escalada incontrolável, os governos norte-americano e francês intensificaram a diplomacia para um acordo com base na resolução 1.701 das Nações Unidas, aprovada em 2006 depois do fim da última guerra entre Israel e o Hezbollah. Em discurso nas Nações Unidas, o chanceler libanês, Abdallah Bouhabib, de um partido cristão aliado político, mas não ideológico, do Hezbollah, disse que o grupo aceitava o plano de Biden e Macron. O premier Najib Mikati, sunita e neutro dentro da política libanesa, confirmou que o Líbano queria seguir adiante com a proposta de Paris e Washington para mobilizar as tropas libanesas para o Sul, com o Hezbollah saindo para o norte.

Em Beirute, Nabi Berri, presidente do Parlamento, líder do partido xiita AMAL e aliado do Hezbollah, confirmou que aceitava o cessar-fogo e jamais tomaria essa iniciativa sem o aval do grupo. O chanceler libanês, em entrevista para a CNN, confirmou que a organização aliada ao Irã aceitava a proposta franco-americana. Segundo o ministro, o governo do Líbano informou aos EUA e à França. O Departamento de Estado informa que isso não ficou muito claro para eles. Israel também teria indicado que concordava, no dia 25, uma quarta, segundo a Casa Branca. Por esse motivo, o representante libanês anunciou na ONU, na quinta dia 26, que seu país aceitava a resolução 1.701, que prevê a ida do Exército libanês para o Sul.

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No dia seguinte, uma sexta-feira, Netanyahu ignorou completamente a proposta feita pelos EUA, seu maior aliado, e que teria sido aceita pelo seu governo. Fez um discurso bélico nas Nações Unidas e, minutos depois, um bombardeio israelense autorizado pelo próprio primeiro-ministro matou o líder do Hezbollah, Hassan Narallah, em Dahieh, um subúrbio densamente povoado de Beirute. O ataque destruiu quarteirões e, segundo Israel, matou outras 300 pessoas, sendo a imensa maioria civil.

Nesta semana, Israel iniciou uma invasão por terra ao Sul do Líbano. Segundo autoridades israelenses, ainda são incursões limitadas. Mas ordenaram a evacuação de dezenas de vilas libanesas, sendo algumas distantes da fronteira. Essas ações violam a soberania do Líbano e as resoluções 1701 e 1559. Além disso, não se sabe se serão eficientes para os israelenses derrotarem o Hezbollah. Quando invadiram o Líbano em 1982, as forças de Israel pretendiam derrotar milícias palestinas. Saíram 18 anos mais tarde, em 2000, derrotados pela antes inexistente milícia xiita apoiada pelo Irã.

Nos primeiros embates, Israel já enfrenta dificuldades com soldados sendo mortos pelo Hezbollah. Essa guerra, infelizmente, parece estar apenas no começo.

FONTE: GOOGLE NOTÍCIAS