— Com Marçal, o debate era animado. Com o Nunes, é meio apagado — brincou o marqueteiro Lula Guimarães, da campanha do psolista, relembrando os eventos passados e os malabarismos feitos pelo ex-coach e candidato agora derrotado Pablo Marçal (PRTB).
- Debate da Band: Nunes e Boulos fazem ‘gato e rato’ no palco e terminam em abraço
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) levou, novamente, torcida organizada para os arredores dos estúdios da TV Bandeirantes. Um homem dava o tom da militância com músicas elogiosas ao candidato. “O Ricardo é cria da favela”, cantou o grupo, munido de faixas e bandeiras, em uma paródia do funk “Baile de Favela”, de MC João. Não foram vistos apoiadores de Boulos no entorno.
Ao passarem pela “zona mista” com jornalistas na entrada dos estúdios, os dois concorrentes praticamente só falaram da crise de energia elétrica que ainda tinha 338 mil imóveis sem luz na noite de segunda, 72 horas depois do temporal que derrubou árvores e atingiu a rede da Enel.
— 500 mil pessoas não vão poder assistir porque estão sem luz na sua casa há três dias — declarou Boulos, dando o tom do que viria no primeiro bloco.
Nunes, por sua vez, deu mostras de que não só não fugiria do tema no debate, como tinha a intenção de chamá-lo por conta própria. A ideia era culpar a União por manter o serviço nas mãos de uma “empresa terrível” e alfinetar o deputado dizendo que ele, como prefeito, precisou articular um projeto de lei para ampliar os poderes de fiscalização dos municípios na Câmara.
— A população tem direito de saber quem é o responsável pela omissão na fiscalização da Enel — afirmou.
Antes do debate, Boulos exibiu uma “meia temática” da campanha. O candidato chegou a usar uma cadeira para apoiar o pé em cima e tirar a foto. Disse que estava fazendo a “produção”:

Antes da entrada no ar, na contagem regressiva de três minutos, Boulos passava ares de descontração e até ensaiou algumas batidinhas ritmadas na mesa. Sua vice, Marta Suplicy (PT), por outro lado, demonstrou ansiedade na primeira fila, levando a todo momento as mãos à boca.
Com mais a perder no debate e pressionado pelo apagão, Nunes manteve uma expressão séria ao longo de todo o primeiro bloco. Em dado momento, seu marqueteiro, Duda Lima, fez sinal para que trocasse de assunto e falasse de ações da sua gestão.
O candidato então procurou encaixar na resposta sobre a crise de energia informações sobre a criação de parques e até o arquivamento do processo contra o deputado mineiro André Janones (Avante) por suspeitas de “rachadinha” no Conselho de Ética, tendo o psolista como relator.
Houve um burburinho na primeira vez em que Boulos saiu do púlpito e encarou Nunes, em uma tentativa de desestabilizá-lo. O tenso jogo de ‘gato e rato’ no palco marcou a dinâmica da noite.
Apenas nos minutos finais do bloco de abertura é que houve risadas e aplausos dos dois lados, abrindo um precedente que faria a organização da Band repreender por diversas vezes os presentes.
A claque emedebista gostou quando o prefeito insinuou que o adversário não sabe o que é trabalhar ao ser questionado sobre serviços supostamente prestados por uma organização à qual ele era ligado e que está sob investigação na “máfia das creches”. Já o grupo de apoio de Boulos festejou quando, no estouro do relógio, Nunes derrubou papéis no chão e ouviu o adversário dizer que estava nervoso.
Reclamação após abraço
A plateia teve um misto de surpresa, gracejo e desaprovação no momento mais inusitado do debate, quando Nunes abraçou Boulos no palco ao vê-lo se aproximar mais uma vez. A abordagem foi bem diferente no intervalo, quando o prefeito demonstrou irritação com a postura do oponente.
Assessores de Nunes também reclamaram de forma ostensiva com a produção, argumentando que Boulos estaria desrespeitando as regras ao ter reações negativas captadas pelas câmeras enquanto o candidato falava. Na volta dos comerciais, o psolista não perdoou e chamou a cena dos bastidores de “escarcéu”.
Boulos deixou os estúdios primeiro e concedeu uma rápida entrevista à imprensa. Nunes, que até posou para fotos com a equipe no palco, negou estar agindo “com o regulamento embaixo do braço” ao restringir suas aparições em debates.
Foi a primeira vez que Boulos e Nunes ficaram frente a frente no segundo turno, uma vez que Nunes não compareceu ao evento da semana passada feito pelo GLOBO, Valor e rádio CBN.







