
Do café passado logo pela manhã ao prato feito servido no almoço, boa parte dos alimentos que chega diariamente às mesas em Juiz de Fora e em todo o Brasil têm origem na agricultura familiar. Responsável por garantir diversidade alimentar, geração de empregos e preservação de saberes tradicionais, o setor ocupa apenas 23% das terras brasileiras, mas reúne 3,9 milhões de propriedades e emprega mais de 10 milhões de pessoas, segundo o Censo Agropecuário de 2017 do IBGE.
Em Minas Gerais, há 441,8 mil estabelecimentos de agricultura familiar, que ocupam a segunda posição nacional em número de trabalhadores – cerca de 1 milhão de pessoas, atrás apenas da Bahia. No município de Juiz de Fora, a produção local vem sendo fortalecida por meio de cooperativas, feiras livres e políticas públicas que ampliam o acesso da população a alimentos frescos.
A comparação entre os Censos de 2006 e 2017 (últimos registrados) mostra queda significativa da participação da agricultura familiar em alimentos básicos: de 33% para 11% no arroz, de 76% para 42% no feijão preto e de 31% para 12% na batata-inglesa. Apesar da redução, os pequenos produtores ainda são responsáveis por 71% do feijão, 83% da mandioca, 46% do milho e 58% do leite consumidos no país.
O protagonismo, no entanto, enfrenta obstáculos antigos, como dificuldade de acesso a crédito, dependência de atravessadores e enfraquecimento das políticas de abastecimento. Por isso, iniciativas locais se tornaram estratégicas para garantir renda a agricultores e manter a diversidade alimentar.
Mais do que pontos de comercialização, são espaços de resistência. Se no passado serviam apenas para aproximar campo e cidade, hoje ajudam a impulsionar o desenvolvimento urbano, garantir renda a agricultores, preservar a diversidade alimentar dos territórios e enfrentar a lógica das grandes redes de supermercados, que uniformizam o consumo e enfraquecem tradições locais.
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Coisa de família

Carioca de nascença, mas criada em Coronel Pacheco, município a cerca de 30 quilômetros de Juiz de Fora, desde os cinco anos, Renata Negromonte, atual presidente da Cooperativa de Agricultores Familiares de Juiz de Fora e Região (Coopeafamijf), cresceu cercada pelo mato. Foi com o avô, agricultor e figura central em sua infância, que aprendeu os primeiros saberes da terra. “Sempre fui muito apegada ao meu avô. Fui criada por ele. Ele era simples, adorava pescar, cuidar da horta, das flores, e eu cresci nesse ambiente”, relembra em entrevista à Tribuna.
A paixão pela agricultura começou ali. Embora tenha se formado em Educação Física, foi na plantação que Renata dedicou o seu trabalho. Casada com um produtor há quase nove anos, esses esforços se transformaram no negócio da família. “Sou apaixonada. Faço de tudo: planto, colho, vendo. Sempre estive envolvida nesse processo”, compartilha.
Já o vínculo com a cooperativa surgiu de uma necessidade prática. “A gente produzia bastante, mas na hora de vender não conseguia escoar a mercadoria. Plantava muito e, na colheita, não tinha para onde ir”, lembra. Foi desse impasse que nasceu a ideia de reunir outros agricultores e fundar uma nova organização, com o propósito de fortalecer a comercialização e garantir preços justos para a produção local.
As primeiras reuniões ocorreram em 2019 e, no ano seguinte, foi criada oficialmente a Cooperativa de Agricultores Familiares de Juiz de Fora e Região. Hoje, na presidência, Renata coordena o trabalho coletivo e enxerga no projeto uma forma de abrir caminhos para outros trabalhadores do campo. “A ideia sempre foi criar oportunidades para que produtores e produtoras familiares pudessem vender sua produção, valorizar o que é nosso e mostrar a importância da agricultura familiar para a cidade”, afirma.
Unindo forças
Atualmente, mais de 130 famílias integram a cooperativa, responsável por produzir 100% dos alimentos comercializados de forma natural, com o mínimo de processamento. Além do box de vendas no Mercado Municipal, a cooperativa oferta os produtos saudáveis à merenda escolar – um dos principais focos da iniciativa.
A base legal é ancorada pela Lei 11.947/2009, que regulamenta a alimentação escolar como direito de todos os estudantes da educação básica e como parte do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A legislação garante refeições equilibradas, inclusão da educação alimentar no currículo, participação da comunidade no controle social e prioridade de compra de produtos da agricultura familiar.

Segundo Renata Negromonte, o cuidado com a qualidade é prioridade. Ela cita como exemplo as polpas de fruta, cujo único processamento feito é descascar e congelar a fruta, que depois é batida com água nas escolas, resultando em sucos naturais, sem aditivos químicos. “Na parte de laticínios é a mesma coisa. A maioria é produzida aqui em Juiz de Fora por agricultores familiares, sem conservantes. Isso faz com que a durabilidade seja menor, mas a qualidade e o sabor são incomparáveis. É um ganho enorme para a alimentação e a segurança alimentar dos alunos”, explica.
Para que esses alimentos cheguem às escolas municipais e estaduais de Juiz de Fora, a cooperativa conta com uma parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais da cidade. Presidente da entidade, Domingos Frederico Netto, explica que a cooperativa fornece a produção, enquanto o sindicato se responsabiliza pelo transporte dos produtos todas as segundas e terças-feiras. As entregas são realizadas dentro dos programas PNAE e do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que também atende ao Exército Brasileiro.
Maior acesso aos alimentos
Em resposta à reportagem, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) informou que, desde 2022, passou a adquirir alimentos diretamente da agricultura familiar. A medida, inédita no município, vem sendo ampliada como forma de fortalecer a produção local e regional. Por meio das compras institucionais, os alimentos fornecidos pelas cooperativas são destinados tanto à merenda escolar quanto às refeições servidas nos Restaurantes Populares.
As aquisições ocorrem por meio do Programa Municipal de Compras Institucionais (Comida Boa), do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Em 2025, já foram entregues 20 toneladas pelo PAA, 4,7 toneladas pelo Comida Boa e 106 toneladas pelo PNAE. Outra frente é a ampliação dos espaços de comercialização: neste ano, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Participação Popular (Sedupp) criou seis novas feiras livres, totalizando 30 em funcionamento, duas delas exclusivas para agricultores familiares. O objetivo é ampliar a oferta de comida fresca e próxima da população.
Cuidado além da mesa

Essas iniciativas são o início de um processo que ainda precisa avançar. É o que destaca Casé Werner, agricultor agroflorestal e integrante do Grupo de Estudos da UFJF de Culturas Tradicionais e Agroecologia e do Núcleo de Ensino e Pesquisa Aplicada (Nepa). Para ele, ainda há muitos passos a serem dados, mas a conscientização do consumidor sobre a importância de ter alimentos de verdade na mesa, sem ultraprocessados, é um primeiro movimento capaz de transformar a cadeia produtiva. “Com o aumento da procura, a oferta também tende a crescer”, afirma.
Segundo o pesquisador, os alimentos orgânicos são melhores para a saúde porque não possuem resíduos de agrotóxicos, pesticidas, hormônios ou outros insumos químicos usados na agricultura convencional. Além disso, apresentam teores nutricionais mais elevados, com maior concentração de antioxidantes e preservação das propriedades naturais. “É um alimento com muito mais vitalidade, que contribui de forma significativa para a saúde do consumidor”, explica.
E para além da nutrição, essa forma de produzir também se consolida como um movimento social, especialmente por meio da agroecologia, para Casé. A prática une saberes tradicionais ao conhecimento científico e busca construir modelos sustentáveis de produção agrícola. Em Juiz de Fora, um marco recente foi a aprovação da Organização de Avaliação da Conformidade Orgânica da Zona da Mata (OPAC) pelo Ministério da Agricultura, permitindo que agricultores da região emitam a certificação de forma própria.
O especialista comenta que a agroecologia envolve desde técnicas de preparo e manejo biológico do solo até consórcios de plantas, uso de agroflorestas e controle natural de pragas e doenças, sempre com foco na biodiversidade. Além da produção, a prática se conecta à economia solidária, aproximando produtores e consumidores. “Esse vínculo aumenta o valor do produto para o agricultor e fortalece um modelo de relação mais justa, em que a produção respeita a natureza e gera alimentos de qualidade.”
Herança da terra
A relação entre quem compra e quem vende é um dos maiores motivadores para Air Pires de Oliveira, proprietário da barraca O Rei da Laranja, que integra diversas feiras livres de Juiz de Fora e também está presente no Mercado Municipal. Ele conta que sente falta do movimento às segundas e terças-feiras – dias em que fecha a banca para repor os insumos da semana e tirar uma folga. Conhecido como Raí, apelido que ganhou pela semelhança com o craque do São Paulo, o feirante cresceu nesse ambiente, assim como Renata Negromonte, presidente da cooperativa. Seu pai era agricultor e também feirante, e foi ao lado dele que aprendeu o ofício.
Ainda criança, Raí frequentava as feiras por brincadeira. Com o tempo absorveu a rotina e os ensinamentos do pai, José Pires, que iniciou a atividade em 1978. Seu José plantava em Rio Pomba, também na Zona da Mata, a cerca de 70 quilômetros de Juiz de Fora. À medida que o cultivo e a venda foram ficando pesados, pai e filho decidiram ficar apenas na ocupação de feirantes, e compravam produtos de outros agricultores da região.
Os dois trabalharam juntos por muitos anos, até 27 de junho de 2018, data da última feira que fizeram lado a lado. Raí guarda com carinho as lembranças desse período e leva até hoje o conhecimento transmitido pelo pai. Atualmente, compartilha o aprendizado com o filho, o sobrinho e o genro, que dividem com ele a rotina das feiras. Um conhecimento que alimenta lares, cuida das famílias agricultoras e ainda desenvolve a cidade.
*Estagiária sob a supervisão da editora Carolina Leonel

O post Da terra à mesa: agricultura familiar garante diversidade alimentar e renda em Juiz de Fora apareceu primeiro em Tribuna de Minas.


Do café passado logo pela manhã ao prato feito servido no almoço, boa parte dos alimentos que chega diariamente às mesas em Juiz de Fora e em todo o Brasil têm origem na agricultura familiar. Responsável por garantir diversidade alimentar, geração de empregos e preservação de saberes tradicionais, o setor ocupa apenas 23% das terras brasileiras, mas reúne 3,9 milhões de propriedades e emprega mais de 10 milhões de pessoas, segundo o Censo Agropecuário de 2017 do IBGE.
Em Minas Gerais, há 441,8 mil estabelecimentos de agricultura familiar, que ocupam a segunda posição nacional em número de trabalhadores – cerca de 1 milhão de pessoas, atrás apenas da Bahia. No município de Juiz de Fora, a produção local vem sendo fortalecida por meio de cooperativas, feiras livres e políticas públicas que ampliam o acesso da população a alimentos frescos.
A comparação entre os Censos de 2006 e 2017 (últimos registrados) mostra queda significativa da participação da agricultura familiar em alimentos básicos: de 33% para 11% no arroz, de 76% para 42% no feijão preto e de 31% para 12% na batata-inglesa. Apesar da redução, os pequenos produtores ainda são responsáveis por 71% do feijão, 83% da mandioca, 46% do milho e 58% do leite consumidos no país.
O protagonismo, no entanto, enfrenta obstáculos antigos, como dificuldade de acesso a crédito, dependência de atravessadores e enfraquecimento das políticas de abastecimento. Por isso, iniciativas locais se tornaram estratégicas para garantir renda a agricultores e manter a diversidade alimentar.
Mais do que pontos de comercialização, são espaços de resistência. Se no passado serviam apenas para aproximar campo e cidade, hoje ajudam a impulsionar o desenvolvimento urbano, garantir renda a agricultores, preservar a diversidade alimentar dos territórios e enfrentar a lógica das grandes redes de supermercados, que uniformizam o consumo e enfraquecem tradições locais.
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Coisa de família

Carioca de nascença, mas criada em Coronel Pacheco, município a cerca de 30 quilômetros de Juiz de Fora, desde os cinco anos, Renata Negromonte, atual presidente da Cooperativa de Agricultores Familiares de Juiz de Fora e Região (Coopeafamijf), cresceu cercada pelo mato. Foi com o avô, agricultor e figura central em sua infância, que aprendeu os primeiros saberes da terra. “Sempre fui muito apegada ao meu avô. Fui criada por ele. Ele era simples, adorava pescar, cuidar da horta, das flores, e eu cresci nesse ambiente”, relembra em entrevista à Tribuna.
A paixão pela agricultura começou ali. Embora tenha se formado em Educação Física, foi na plantação que Renata dedicou o seu trabalho. Casada com um produtor há quase nove anos, esses esforços se transformaram no negócio da família. “Sou apaixonada. Faço de tudo: planto, colho, vendo. Sempre estive envolvida nesse processo”, compartilha.
Já o vínculo com a cooperativa surgiu de uma necessidade prática. “A gente produzia bastante, mas na hora de vender não conseguia escoar a mercadoria. Plantava muito e, na colheita, não tinha para onde ir”, lembra. Foi desse impasse que nasceu a ideia de reunir outros agricultores e fundar uma nova organização, com o propósito de fortalecer a comercialização e garantir preços justos para a produção local.
As primeiras reuniões ocorreram em 2019 e, no ano seguinte, foi criada oficialmente a Cooperativa de Agricultores Familiares de Juiz de Fora e Região. Hoje, na presidência, Renata coordena o trabalho coletivo e enxerga no projeto uma forma de abrir caminhos para outros trabalhadores do campo. “A ideia sempre foi criar oportunidades para que produtores e produtoras familiares pudessem vender sua produção, valorizar o que é nosso e mostrar a importância da agricultura familiar para a cidade”, afirma.
Unindo forças
Atualmente, mais de 130 famílias integram a cooperativa, responsável por produzir 100% dos alimentos comercializados de forma natural, com o mínimo de processamento. Além do box de vendas no Mercado Municipal, a cooperativa oferta os produtos saudáveis à merenda escolar – um dos principais focos da iniciativa.
A base legal é ancorada pela Lei 11.947/2009, que regulamenta a alimentação escolar como direito de todos os estudantes da educação básica e como parte do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A legislação garante refeições equilibradas, inclusão da educação alimentar no currículo, participação da comunidade no controle social e prioridade de compra de produtos da agricultura familiar.

Segundo Renata Negromonte, o cuidado com a qualidade é prioridade. Ela cita como exemplo as polpas de fruta, cujo único processamento feito é descascar e congelar a fruta, que depois é batida com água nas escolas, resultando em sucos naturais, sem aditivos químicos. “Na parte de laticínios é a mesma coisa. A maioria é produzida aqui em Juiz de Fora por agricultores familiares, sem conservantes. Isso faz com que a durabilidade seja menor, mas a qualidade e o sabor são incomparáveis. É um ganho enorme para a alimentação e a segurança alimentar dos alunos”, explica.
Para que esses alimentos cheguem às escolas municipais e estaduais de Juiz de Fora, a cooperativa conta com uma parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais da cidade. Presidente da entidade, Domingos Frederico Netto, explica que a cooperativa fornece a produção, enquanto o sindicato se responsabiliza pelo transporte dos produtos todas as segundas e terças-feiras. As entregas são realizadas dentro dos programas PNAE e do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que também atende ao Exército Brasileiro.
Maior acesso aos alimentos
Em resposta à reportagem, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) informou que, desde 2022, passou a adquirir alimentos diretamente da agricultura familiar. A medida, inédita no município, vem sendo ampliada como forma de fortalecer a produção local e regional. Por meio das compras institucionais, os alimentos fornecidos pelas cooperativas são destinados tanto à merenda escolar quanto às refeições servidas nos Restaurantes Populares.
As aquisições ocorrem por meio do Programa Municipal de Compras Institucionais (Comida Boa), do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Em 2025, já foram entregues 20 toneladas pelo PAA, 4,7 toneladas pelo Comida Boa e 106 toneladas pelo PNAE. Outra frente é a ampliação dos espaços de comercialização: neste ano, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Participação Popular (Sedupp) criou seis novas feiras livres, totalizando 30 em funcionamento, duas delas exclusivas para agricultores familiares. O objetivo é ampliar a oferta de comida fresca e próxima da população.
Cuidado além da mesa

Essas iniciativas são o início de um processo que ainda precisa avançar. É o que destaca Casé Werner, agricultor agroflorestal e integrante do Grupo de Estudos da UFJF de Culturas Tradicionais e Agroecologia e do Núcleo de Ensino e Pesquisa Aplicada (Nepa). Para ele, ainda há muitos passos a serem dados, mas a conscientização do consumidor sobre a importância de ter alimentos de verdade na mesa, sem ultraprocessados, é um primeiro movimento capaz de transformar a cadeia produtiva. “Com o aumento da procura, a oferta também tende a crescer”, afirma.
Segundo o pesquisador, os alimentos orgânicos são melhores para a saúde porque não possuem resíduos de agrotóxicos, pesticidas, hormônios ou outros insumos químicos usados na agricultura convencional. Além disso, apresentam teores nutricionais mais elevados, com maior concentração de antioxidantes e preservação das propriedades naturais. “É um alimento com muito mais vitalidade, que contribui de forma significativa para a saúde do consumidor”, explica.
E para além da nutrição, essa forma de produzir também se consolida como um movimento social, especialmente por meio da agroecologia, para Casé. A prática une saberes tradicionais ao conhecimento científico e busca construir modelos sustentáveis de produção agrícola. Em Juiz de Fora, um marco recente foi a aprovação da Organização de Avaliação da Conformidade Orgânica da Zona da Mata (OPAC) pelo Ministério da Agricultura, permitindo que agricultores da região emitam a certificação de forma própria.
O especialista comenta que a agroecologia envolve desde técnicas de preparo e manejo biológico do solo até consórcios de plantas, uso de agroflorestas e controle natural de pragas e doenças, sempre com foco na biodiversidade. Além da produção, a prática se conecta à economia solidária, aproximando produtores e consumidores. “Esse vínculo aumenta o valor do produto para o agricultor e fortalece um modelo de relação mais justa, em que a produção respeita a natureza e gera alimentos de qualidade.”
Herança da terra
A relação entre quem compra e quem vende é um dos maiores motivadores para Air Pires de Oliveira, proprietário da barraca O Rei da Laranja, que integra diversas feiras livres de Juiz de Fora e também está presente no Mercado Municipal. Ele conta que sente falta do movimento às segundas e terças-feiras – dias em que fecha a banca para repor os insumos da semana e tirar uma folga. Conhecido como Raí, apelido que ganhou pela semelhança com o craque do São Paulo, o feirante cresceu nesse ambiente, assim como Renata Negromonte, presidente da cooperativa. Seu pai era agricultor e também feirante, e foi ao lado dele que aprendeu o ofício.
Ainda criança, Raí frequentava as feiras por brincadeira. Com o tempo absorveu a rotina e os ensinamentos do pai, José Pires, que iniciou a atividade em 1978. Seu José plantava em Rio Pomba, também na Zona da Mata, a cerca de 70 quilômetros de Juiz de Fora. À medida que o cultivo e a venda foram ficando pesados, pai e filho decidiram ficar apenas na ocupação de feirantes, e compravam produtos de outros agricultores da região.
Os dois trabalharam juntos por muitos anos, até 27 de junho de 2018, data da última feira que fizeram lado a lado. Raí guarda com carinho as lembranças desse período e leva até hoje o conhecimento transmitido pelo pai. Atualmente, compartilha o aprendizado com o filho, o sobrinho e o genro, que dividem com ele a rotina das feiras. Um conhecimento que alimenta lares, cuida das famílias agricultoras e ainda desenvolve a cidade.
*Estagiária sob a supervisão da editora Carolina Leonel

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