Julian Casablancas sobre The Strokes: “entramos em um mecanismo que nos mantinha unidos apenas por questões financeiras”

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O The Strokes criou um movimento no início dos anos 2000 com seu som vibrante e atitude despretensiosa. E no centro de tudo estava Julian Casablancas. Mas, como um artista em constante evolução, ele se viu preso em sua própria criação e buscou explorar novas sonoridades, como o The Voidz. Com isso, o artista refletiu sobre ser integrante do grupo e reafirmou: “entramos em um mecanismo que nos mantinha unidos apenas por questões financeiras, relegando a criatividade da banda a segundo plano”. A declaração foi para a Rolling Stone Itália e a gente separou alguns trechos da entrevista.

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Pelo tom, parece que o The Strokes acabou, mas na verdade a banda tem quatro shows agendados (até o momento) nos EUA. O primeiro será no dia 27 de setembro deste ano, em Las Vegas.

Sobre deixar o o The Strokes para trás e focar no The Voidz

“Quando comecei a fazer música, apaixonado pelos meus sonhos e pela minha visão, eu tinha uma ideia muito clara de como queria que as coisas evoluíssem. Minha jornada com os Strokes se tornou algo diferente do que inicialmente me atraiu para a música. Nos tornamos uma banda como muitas outras, como Bon Jovi e Green Day; poderíamos ter continuado para sempre.

Entramos em um mecanismo que nos mantinha unidos apenas por questões financeiras, relegando a criatividade da banda a segundo plano. Então, cheguei à conclusão de que não era assim que eu queria me desenvolver.

Há uma bela citação de Miles Davis: “O verdadeiro risco é não mudar”. É por isso que sempre quero sentir que estou em busca de algo inexplorado. Se eu ganhar dinheiro, tudo bem, mas não quero ficar parado. Não estou em busca de segurança ou do status quo. Se alguém quer continuar criando, precisa estar pronto para a mudança. Mesmo que isso signifique a morte de algo que lhe era caro.”

O single “Blue Demon” foi apresentado ao vivo no “Late Show” de Stephen Colbert em março, a CBS censurou algumas de suas letras. Julian Casablancas comentou sobre política na música. 

Acho que toda arte é política por natureza, como a filosofia. Acho a cultura dominante intelectualmente deficiente.

Minha postura política é bem simples: acredito que a humanidade deveria se opor à agenda dos bilionários, à qual até os parasitas mais ignorantes se apegam. Dizem que ignorância é uma bênção, mas eu acredito que ignorância arbitrária é um sentimento egoísta; a ignorância permite que se cause dano a pessoas que não têm escolha.

A ignorância é negativa e perigosa, mas isso não significa que alguém que não sabe nada deva começar a falar sobre política. Estou tentando simplificar a discussão, mas o problema é que as soluções são complexas, e as pessoas que aprenderam a explorar a psicologia humana sempre têm argumentos simples na ponta dos dedos que sempre superarão os complicados.


Ainda no bate-papo com a RS Itália, ele relembrou suas referências e os primeiros shows que foi na vida.

Musicalmente falando, quando eu era jovem, minhas inspirações eram David Lee Roth, Guns N’ Roses (Slash é meu guitarrista favorito), Lou Reed, Bob Marley (…).

Dinosaur Jr., que não era minha banda favorita, mas um amigo me convidou [para ir ao show] e eu adorei. Mas a primeira vez que fui a um show em que eu realmente queria ver uma banda foi provavelmente o Weezer. Eu também adorava Pearl Jam e Nirvana, mas nunca tive a chance de comprar ingressos porque eram muito caros.

A entrevista completa feita por Roberto Croci para a Rolling Stone Itália está aqui.

 

FONTE: PORTAL POP LINE &GOOGLE NOTÍCIAS