
Pelo menos R$ 460 milhões devem ser injetados na economia de Juiz de Fora a partir desta sexta-feira (28), com o pagamento do 13º salário aos trabalhadores com carteira assinada. A primeira parcela para os celetistas será depositada nesta sexta. O cálculo considera os 153.558 celetistas do município, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A média do benefício é de R$ 3.034 por pessoa, levando em conta a remuneração média em 2024, conforme dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) referentes à cidade. Vale lembrar que, nessa conta, não estão inclusos os valores recebidos por aposentados e pensionistas do INSS, cuja antecipação da primeira parcela aconteceu em abril e maio.
Em Minas Gerais, de acordo com o Dieese, a movimentação econômica supera R$ 34 bilhões em abono natalino até o fim do ano. O valor representa aproximadamente 9,2% do total pago no Brasil e 18,6% do montante da Região Sudeste, o equivalente a cerca de 3% do PIB estadual. A média por beneficiário é estimada em R$ 2.970 no estado. Já no país, a cifra média é de R$ 3.512 por pessoa.
A projeção é de que 10,2 milhões de pessoas recebam o 13º no estado, o que corresponde a 10,7% do total de beneficiários no país e a 23,1% da Região Sudeste. Desse grupo, 58,2% são empregados formais, celetistas ou estatutários; 39,7% são aposentados e pensionistas do INSS; e 2,2%, trabalhadores domésticos com carteira assinada.
Em relação à divisão dos valores, a maior fatia 66,7% ou R$ 22,7 bilhões fica com empregados formalizados, enquanto beneficiários do INSS recebem 21,3% (R$ 7,2 bilhões). Aposentados e pensionistas do Regime Próprio do estado respondem por 7,4% (R$ 2,5 bilhões), e os dos regimes próprios municipais, com 3,5%.
O que pensar, antes de gastar
O professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Weslem Rodrigues Faria avalia que o 13º costuma ter três destinos principais. Para famílias endividadas, o uso mais indicado é a quitação ou redução de dívidas, como impostos atrasados, financiamentos e, sobretudo, compromissos com juros elevados, a exemplo do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial. Nesses casos, ele considera o uso do benefício “racional e bem-vindo”.
Para quem não está endividado, a tendência é planejar o 13º para festas de fim de ano, férias ou despesas escolares. O economista lembra que a renda extra costuma impulsionar a compra de presentes de Natal – como roupas, eletrônicos, acessórios e calçados – e itens típicos da ceia, como produtos da cesta natalina. Quando o recurso é direcionado para viagens, hotéis e restaurantes também sentem o impacto positivo.
Faria destaca ainda o uso do 13º para matrícula e material escolar, como livros, cadernos e demais itens de papelaria. Há, ainda, uma parcela de famílias que reserva parte do valor para pagar impostos no início do ano, como IPTU e IPVA. Segundo ele, quem consegue guardar parte do benefício para essas despesas “está de parabéns”, e o ideal seria que mais famílias adotassem esse tipo de planejamento.
Amortizar dívidas lidera intenção de uso
Para o economista da Federação do Comércio, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG), Henrique Monteiro Braga, o 13º salário é sempre muito aguardado pelas famílias justamente por aliviar o orçamento frequentemente apertado. Ele aponta três principais destinos para o valor extra: pagamento de dívidas, consumo e formação de reserva para despesas do começo do ano, como IPVA, IPTU, matrícula e material escolar.
Neste ano, porém, a tendência é de que a maior parte dos trabalhadores use o abono natalino para quitar dívidas, em atraso ou não. Braga relaciona esse comportamento ao cenário de juros elevados – com a taxa Selic em 15% – e ao alto nível de inadimplência, que atinge 48,47% da população adulta, segundo o Serasa. Nesse contexto, o pagamento de débitos deve concentrar a maior fatia do benefício.
O economista cita pesquisa de intenção de consumo para o Natal de 2025, realizada pelo Núcleo de Pesquisa e Inteligência da Fecomércio MG, que confirma essa tendência. Questionados sobre o destino do 13º, mais da metade (55%) dos entrevistados disseram que irão quitar dívidas; 32,9% pretendem fazer compras de Natal; 19,4% afirmaram que vão aplicar o dinheiro ou guardar na poupança; e 5% devem usá-lo para pagar compromissos de janeiro.
Mesmo com a prioridade dada às dívidas, uma parcela relevante do benefício continua indo para o consumo. Entre os presentes mais desejados, aparecem roupas (38,6%), brinquedos (12,4%), calçados (12,2%) e produtos de perfumaria (11,1%). Segundo Braga, isso faz com que os setores de comércio varejista e atacadista sejam os primeiros a sentir a injeção de recursos na economia.
Em Juiz de Fora, o economista avalia que o reflexo tende a ser ainda mais forte. Ele lembra que, em relação a 2024, os consumidores mantêm preferências semelhantes, com o varejo como principal beneficiado pelo 13º salário. Segmentos como vestuário e acessórios, brinquedos, artigos recreativos, calçados e cosméticos estão entre os que mais devem ganhar fôlego neste fim de ano.
Impacto nacional do benefício
No Brasil, o Dieese estima que R$369,4 bilhões sejam movimentados neste ano com o pagamento do 13º salário, montante que corresponde a cerca de 2,9% do PIB. Aproximadamente 95,3 milhões de brasileiros devem ser beneficiados, com rendimento médio adicional de R$ 3.512.
Desse total, 59,5 milhões (62,5%) são trabalhadores do mercado formal, incluindo 1,5 milhão de empregados domésticos com carteira assinada, o equivalente a 1,5% do conjunto de beneficiários. Já 34,8 milhões de pessoas (36,6%) são aposentados ou pensionistas da Previdência Social (INSS). Há ainda cerca de 915,5 mil aposentados e pensionistas da União (Regime Próprio), além de contingente não quantificado de aposentados e pensionistas dos regimes próprios de estados e municípios.
Do valor total a ser pago, cerca de R$ 260 bilhões (70,4%) irão para empregados formais, incluindo trabalhadores domésticos. Os demais 29,6%, ou R$ 109,5 bilhões, serão destinados a aposentados e pensionistas. Considerando apenas os beneficiários do INSS, 34,8 milhões de pessoas recebem R$ 64,8 bilhões. Aposentados e pensionistas da União ficarão com R$ 9,9 bilhões (2,7%); os dos estados, com R$ 20,5 bilhões (5,6%); e os dos regimes próprios dos municípios, com R$ 14,2 bilhões.
As estimativas foram calculadas a partir de dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, além de informações da Pnad Contínua, do IBGE, da Previdência Social e da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).
*estagiária sob supervisão da editora Fabíola Costa
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Pelo menos R$ 460 milhões devem ser injetados na economia de Juiz de Fora a partir desta sexta-feira (28), com o pagamento do 13º salário aos trabalhadores com carteira assinada. A primeira parcela para os celetistas será depositada nesta sexta. O cálculo considera os 153.558 celetistas do município, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A média do benefício é de R$ 3.034 por pessoa, levando em conta a remuneração média em 2024, conforme dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) referentes à cidade. Vale lembrar que, nessa conta, não estão inclusos os valores recebidos por aposentados e pensionistas do INSS, cuja antecipação da primeira parcela aconteceu em abril e maio.
Em Minas Gerais, de acordo com o Dieese, a movimentação econômica supera R$ 34 bilhões em abono natalino até o fim do ano. O valor representa aproximadamente 9,2% do total pago no Brasil e 18,6% do montante da Região Sudeste, o equivalente a cerca de 3% do PIB estadual. A média por beneficiário é estimada em R$ 2.970 no estado. Já no país, a cifra média é de R$ 3.512 por pessoa.
A projeção é de que 10,2 milhões de pessoas recebam o 13º no estado, o que corresponde a 10,7% do total de beneficiários no país e a 23,1% da Região Sudeste. Desse grupo, 58,2% são empregados formais, celetistas ou estatutários; 39,7% são aposentados e pensionistas do INSS; e 2,2%, trabalhadores domésticos com carteira assinada.
Em relação à divisão dos valores, a maior fatia 66,7% ou R$ 22,7 bilhões fica com empregados formalizados, enquanto beneficiários do INSS recebem 21,3% (R$ 7,2 bilhões). Aposentados e pensionistas do Regime Próprio do estado respondem por 7,4% (R$ 2,5 bilhões), e os dos regimes próprios municipais, com 3,5%.
O que pensar, antes de gastar
O professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Weslem Rodrigues Faria avalia que o 13º costuma ter três destinos principais. Para famílias endividadas, o uso mais indicado é a quitação ou redução de dívidas, como impostos atrasados, financiamentos e, sobretudo, compromissos com juros elevados, a exemplo do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial. Nesses casos, ele considera o uso do benefício “racional e bem-vindo”.
Para quem não está endividado, a tendência é planejar o 13º para festas de fim de ano, férias ou despesas escolares. O economista lembra que a renda extra costuma impulsionar a compra de presentes de Natal – como roupas, eletrônicos, acessórios e calçados – e itens típicos da ceia, como produtos da cesta natalina. Quando o recurso é direcionado para viagens, hotéis e restaurantes também sentem o impacto positivo.
Faria destaca ainda o uso do 13º para matrícula e material escolar, como livros, cadernos e demais itens de papelaria. Há, ainda, uma parcela de famílias que reserva parte do valor para pagar impostos no início do ano, como IPTU e IPVA. Segundo ele, quem consegue guardar parte do benefício para essas despesas “está de parabéns”, e o ideal seria que mais famílias adotassem esse tipo de planejamento.
Amortizar dívidas lidera intenção de uso
Para o economista da Federação do Comércio, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG), Henrique Monteiro Braga, o 13º salário é sempre muito aguardado pelas famílias justamente por aliviar o orçamento frequentemente apertado. Ele aponta três principais destinos para o valor extra: pagamento de dívidas, consumo e formação de reserva para despesas do começo do ano, como IPVA, IPTU, matrícula e material escolar.
Neste ano, porém, a tendência é de que a maior parte dos trabalhadores use o abono natalino para quitar dívidas, em atraso ou não. Braga relaciona esse comportamento ao cenário de juros elevados – com a taxa Selic em 15% – e ao alto nível de inadimplência, que atinge 48,47% da população adulta, segundo o Serasa. Nesse contexto, o pagamento de débitos deve concentrar a maior fatia do benefício.
O economista cita pesquisa de intenção de consumo para o Natal de 2025, realizada pelo Núcleo de Pesquisa e Inteligência da Fecomércio MG, que confirma essa tendência. Questionados sobre o destino do 13º, mais da metade (55%) dos entrevistados disseram que irão quitar dívidas; 32,9% pretendem fazer compras de Natal; 19,4% afirmaram que vão aplicar o dinheiro ou guardar na poupança; e 5% devem usá-lo para pagar compromissos de janeiro.
Mesmo com a prioridade dada às dívidas, uma parcela relevante do benefício continua indo para o consumo. Entre os presentes mais desejados, aparecem roupas (38,6%), brinquedos (12,4%), calçados (12,2%) e produtos de perfumaria (11,1%). Segundo Braga, isso faz com que os setores de comércio varejista e atacadista sejam os primeiros a sentir a injeção de recursos na economia.
Em Juiz de Fora, o economista avalia que o reflexo tende a ser ainda mais forte. Ele lembra que, em relação a 2024, os consumidores mantêm preferências semelhantes, com o varejo como principal beneficiado pelo 13º salário. Segmentos como vestuário e acessórios, brinquedos, artigos recreativos, calçados e cosméticos estão entre os que mais devem ganhar fôlego neste fim de ano.
Impacto nacional do benefício
No Brasil, o Dieese estima que R$369,4 bilhões sejam movimentados neste ano com o pagamento do 13º salário, montante que corresponde a cerca de 2,9% do PIB. Aproximadamente 95,3 milhões de brasileiros devem ser beneficiados, com rendimento médio adicional de R$ 3.512.
Desse total, 59,5 milhões (62,5%) são trabalhadores do mercado formal, incluindo 1,5 milhão de empregados domésticos com carteira assinada, o equivalente a 1,5% do conjunto de beneficiários. Já 34,8 milhões de pessoas (36,6%) são aposentados ou pensionistas da Previdência Social (INSS). Há ainda cerca de 915,5 mil aposentados e pensionistas da União (Regime Próprio), além de contingente não quantificado de aposentados e pensionistas dos regimes próprios de estados e municípios.
Do valor total a ser pago, cerca de R$ 260 bilhões (70,4%) irão para empregados formais, incluindo trabalhadores domésticos. Os demais 29,6%, ou R$ 109,5 bilhões, serão destinados a aposentados e pensionistas. Considerando apenas os beneficiários do INSS, 34,8 milhões de pessoas recebem R$ 64,8 bilhões. Aposentados e pensionistas da União ficarão com R$ 9,9 bilhões (2,7%); os dos estados, com R$ 20,5 bilhões (5,6%); e os dos regimes próprios dos municípios, com R$ 14,2 bilhões.
As estimativas foram calculadas a partir de dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, além de informações da Pnad Contínua, do IBGE, da Previdência Social e da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).
*estagiária sob supervisão da editora Fabíola Costa
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