O Partido Liberal (PL) no Distrito Federal vive um racha interno e enfrenta dilemas sobre quem realmente apoiará ao governo da capital. Portanto, a configuração do palanque local do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), segue embolada.
Embora o Distrito Federal seja a menor unidade federativa em tamanho, o perfil populacional – com muitos funcionários públicos e protagonistas da administração pública federal – é sempre importante para os candidatos ao Planalto.
Até o momento, a orientação da presidente do diretório distrital do PL, deputada federal Bia Kicis, é de que os integrantes do partido apoiem Celina Leão (PP) – vice-governadora que assumiu a titularidade após Ibaneis Rocha (MDB) se descompatibilizar do cargo – ao Palácio do Buriti.
A vontade inicial era que o PL tivesse candidato próprio ao governo do Distrito Federal. No entanto, o apoio a Celina foi determinado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Celina e Michelle são muito próximas, e fazem questão de reforçar isso nas redes sociais, por exemplo.
Michelle também foi um apoio fundamental para Kicis se lançar como pré-candidata ao Senado pelo PL — deixando de lado Ibaneis Rocha, que esperava ter o apoio da sigla. O PL lançará tanto Michelle quanto Kicis ao Senado pelo Distrito Federal, numa chapa puro-sangue à Casa.
Por isso, a avaliação interna é de que não há como Kicis negar ao menos um apoio branco a Celina — quando não há um suporte explícito, mas também não há críticas ou trabalho efetivo contra.
A princípio, portanto, o PL local pretende seguir com Celina. De todo modo, como já adiantou a CNN, o partido ainda monitora se Celina não será mencionada em eventual delação do caso Master ou cairá nas pesquisas eleitorais por conta de suspeitas de irregularidades de ex-dirigentes do BRB, do qual o GDF é acionista majoritário.
Até o momento, não surgiram elementos envolvendo Celina. O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, porém, é citado nas conversas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O episódio do Master também ajudou o PL a desistir de apoiar Ibaneis ao Senado. Nestes últimos dias, Celina tem tentado distanciar o GDF do escândalo, especialmente com a prisão do ex-presidente da instituição financeira, Paulo Henrique Costa, nesta quinta (16).
O vice na chapa de Celina será Gustavo Rocha (Republicanos), muito próximo a emedebistas e que já fez parte do governo distrital de Ibaneis Rocha e do governo federal de Michel Temer.
Enquanto isso, o senador Izalci Lucas, cujo mandato se encerra no início do ano que vem, busca se posicionar dentro do PL como pré-candidato ao governo.
“Temos 90 dias para as convenções [partidárias]. Vou trabalhar muito nisso para a gente poder realmente mostrar que o PL pode ter uma candidatura própria. Minha perspectiva é ir para o governo [distrital]”, disse Izalci à CNN.
Há cerca de uma semana, ele recebeu durante sua festa de aniversário um vídeo de parabéns de Flávio Bolsonaro, sem que este necessariamente tenha se comprometido com a pré-candidatura de Izalci.
“Todos vocês que estão aí agora neste momento são muito felizes de terem alguém como Izalci para poder se dirigir, para poder representá-los aqui no Distrito Federal. Izalci, tô contando contigo aí pra, junto com a gente, resgatar o nosso Brasil. Pessoal que tá aí, bora resgatar o Brasil junto comigo e o Izalci? Espero que sim! Abraço, fiquem com Deus”, disse Flávio em trecho do vídeo.
Parte do PL vê Izalci com dificuldades para sair candidato pelo partido.

Ao mesmo tempo, há quem ainda veja com bons olhos apoiar José Roberto Arruda (PSD), ex-governador do Distrito Federal, que tenta voltar à política oficialmente, embora haja eventuais divergências sobre sua elegibilidade.
O atual deputado federal Alberto Fraga (PL) se colocou à disposição para ser vice de Arruda, mas a composição é impossível se não houver uma coligação entre PSD e PL. Caso não dê certo, o plano de Fraga é tentar a reeleição à Câmara dos Deputados.
À CNN, Fraga disse que apoiará Arruda com a benção do presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto. Arruda, inclusive, tenta atrair o PL para apoiá-lo oficialmente com a vaga de vice ao partido, mas reconhece que uma definição só deve sair em julho.
O ex-governador já começou a pré-campanha em atos e conversas pelo Distrito Federal. Ele inclusive esteve na festa de aniversário de Izalci, de quem também é amigo.
Num panorama nacional, Arruda tende a dividir o apoio tanto a Flávio Bolsonaro quanto a Ronaldo Caiado, do PSD, ao Planalto.







