Dólar sobe e Bolsa recua com cautela global e cenário eleitoral brasileiro no radar

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar sobe nesta segunda-feira (28), em meio a um ambiente externo mais cauteloso. Lá fora, os preços do petróleo voltam a avançar e aumentam a busca por ativos de segurança, como a moeda americana.

Por volta das 12h40, o dólar avançava 0,74%, a R$ 5,223. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante outras seis divisas fortes, subia 0,21% no exterior.

No mesmo horário, a Bolsa de Valores brasileira recuava 0,21%, a 183.073 pontos.

Os preços do petróleo disparam nesta segunda após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar uma oferta iraniana de trégua temporária na guerra no Oriente Médio.

O Irã apresentou na semana passada na ONU (Organização das Nações Unidas) um plano para encerrar as hostilidades e reabrir o estreito de Hormuz, o que facilitaria o fornecimento de petróleo no mundo.

Hormuz é uma rota fundamental para o transporte de combustíveis dos países do Golfo e está praticamente bloqueado pelo Irã desde o início da guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro. A situação se agravou com o bloqueio do estreito de Bab el-Mandeb pelos houthis pró-Irã do Iêmen, o que impede o trânsito de petróleo da Arábia Saudita.

Trump, no entanto, rejeitou a proposta ao afirmar que os iranianos “querem chegar a um acordo, mas não é o acordo que eu quero fazer”.

A negativa impulsiona os preços da commodity. O Brent, referência mundial de petróleo, avança quase 2%, a US$ 106, enquanto o WTI, mais usado nos EUA, sobe mais de 2%, a US$ 95.

“Esse aumento dos preços acaba refletindo a recusa dos Estados Unidos em relação a uma proposta temporária de paz, tendo como contrapartida a suspensão imediata das sanções sobre o petróleo iraniano e também a liberação de ativos congelados do Irã pelos Estados Unidos. […] Isso acabou frustrando as expectativas iniciais do mercado em relação a uma possível retomada mais forte das exportações de petróleo”, diz Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX.

A alta dos preços aumenta as expectativas de inflação, o que eleva a cautela dos investidores e tende a pressionar ativos de risco. Por outro lado, o movimento melhora as perspectivas de receita e rentabilidade das empresas produtoras, caso das petrolíferas brasileiras.

O avanço da commodity repercute em diferentes mercados. Nos EUA, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq recuam em bloco durante a manhã. No mercado de renda fixa, os rendimentos dos Treasuries de 10 e 30 anos voltam a avançar, chegando a 5,234% e 5,550%, respectivamente, os maiores patamares desde 2007 e 2004.

No Brasil, os juros futuros também avançam, com as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) para 2027 e 2029 chegando a 13,58% e 13,96% nas máximas do dia, altas de 3 e 15 pontos-base, respectivamente.

As taxas dos Treasuries incorporam, entre outros fatores, as expectativas para a trajetória dos juros e da inflação nos Estados Unidos. No Brasil, as taxas dos DIs refletem as expectativas para a trajetória da Selic.

Durante o dia, os investidores ainda repercutem a divulgação de uma nova pesquisa presidencial Quaest, que mostra a reação dos eleitores à proibição das bets. A Quaest ouviu 2.004 eleitores entre quinta-feira (24) e domingo (27), com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O levantamento mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 39% das intenções de voto no primeiro turno, ante 34% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Na pesquisa anterior, divulgada no dia 21, os percentuais eram de 37% e 33%, respectivamente.

No segundo turno, o cenário é de empate numérico: tanto Lula quanto Flávio registram 42% das intenções de voto. Na pesquisa anterior, Lula tinha 41%, uma variação de um ponto percentual, dentro da margem de erro.

“A Quaest mantém o segundo turno empatado numericamente e não traz nenhum ânimo positivo novo. Haja vista que o cenário se manteve, o mercado continua acompanhando mais o cenário externo, de aversão ao risco, e principalmente um potencial aumento inflacionário”, diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

Em conjunto com a alta do petróleo e com o fluxo para as empresas brasileiras de commodities, o acirramento da corrida eleitoral tem impulsionado os ativos domésticos. Parte do mercado avalia que uma eventual alternância de poder poderia resultar em uma condução fiscal mais sólida, com impacto sobre a percepção de risco do mercado doméstico.

Uma percepção de maior controle sobre a trajetória da dívida pode reduzir o prêmio exigido pelos investidores para financiar o governo e, consequentemente, aliviar a pressão sobre a curva de juros. Juros mais altos encarecem o crédito para empresas e reduzem a expectativa de lucros das companhias, o que tende a pesar sobre a Bolsa.

Em setembro, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, sobe 6,4%, e o dólar recua 0,25%. O movimento é inverso ao de agosto, quando a Bolsa encerrou o mês em queda de 0,32%, e o dólar teve alta de 2,21%.

Ainda há, contudo, incerteza sobre a política econômica dos candidatos. Flávio Bolsonaro defende um ajuste fiscal sem mexer na Previdência ou na política de valorização do salário mínimo, enquanto o governo Lula propõe reduzir o ritmo de crescimento dos gastos obrigatórios e aprimorar o arcabouço fiscal. Economistas, porém, avaliam que um ajuste duradouro teria de atingir aposentadorias e benefícios sociais.

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FONTE: GOOGLE NOTÍCIAS