Por: Pastori
À Gloria do Grande Arquiteto do Universo, dai-nos Luz.
Veneráveis Irmãos, Irmãos que compõem esta respeitável Loja, Digníssimas Cunhadas e demais convidados.
Sob os auspícios do Grande Arquiteto Do Universo reunimo-nos nesta data em que a Pátria celebra o rompimento dos grilhões que a prendiam ao jugo colonial. E não é sem propósito que voltamos os olhos do templo para o mundo profano, pois a Maçonaria jamais se furtou a lançar sua Luz sobre os grandes movimentos que buscam elevar a Humanidade.
Recordemos que, na Loja e fora dela, muitos dos Obreiros que lavraram a pedra da Independência traziam ao peito o esquadro e o compasso. José Bonifácio, o Patriarca, era Irmão nosso. E o próprio Príncipe Regente, antes de proclamar a ruptura, buscou nas colunas maçônicas o simbolismo e a rede de irmandade que sustentariam seu gesto. As Lojas do início do século XIX foram verdadeiras oficinas onde se talhava, em segredo e em silêncio, a pedra bruta de uma nação ainda informe.
Há, Irmãos, uma correspondência perfeita entre o Esquadro e o Compasso e os ideais que a Independência buscou consagrar: o Esquadro, símbolo da retidão e da Justiça, corresponde à igualdade entre os homens livres perante a lei da nova nação; o Compasso, que traça os limites do nosso agir e delimita nosso círculo de ação sobre a matéria, corresponde à Liberdade ordenada, aquela que não é licença, mas exercício responsável da autonomia dos povos. E o Nível, que a todos iguala independentemente da origem, é a própria Fraternidade que buscamos entre os cidadãos de uma pátria comum.
Assim como o Aprendiz na Maçonaria que recebe a pedra bruta e a trabalha com paciência, esforço e perseverança até que dela se desbastem as imperfeições, também o Brasil de 1822 recebeu sua pedra bruta — uma nação recém-nascida, ainda informe — para lavrá-la ao longo de gerações. Duzentos e quatro anos depois, seguimos essa obra inacabada. Cada Maçom, em seu ofício profano e em sua vida civil, continua batendo o malho sobre o cinzel, aparando as arestas da ignorância, da intolerância e da injustiça que ainda maculam a pedra da nossa nação.
Que este 7 de setembro nos inspire a renovar o Juramento tácito que fazemos, não apenas às colunas deste templo, mas à Pátria que nos acolhe: trabalhar, cada qual em sua têmpera, para que o edifício social se erga cada vez mais próximo do Templo ideal — sólido nas colunas da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, e coberto pela abóbada estrelada da Justiça e da Paz.
É como ada mais tenho a dizer, veneráveis Irmãos, cunhadas e demais convidados, encerramos a nossa fala desejando que a mensagem aqui contida permaneça indelével no coração de todos presentes.
RDA/AP








